<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539</id><updated>2011-11-03T18:38:29.219-02:00</updated><title type='text'>Oito Colunas</title><subtitle type='html'>Oito Colunas</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>38</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-112527694136812313</id><published>2005-08-28T21:53:00.000-03:00</published><updated>2005-08-28T21:58:29.746-03:00</updated><title type='text'>Ponto de Vista</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Maurício Amaral&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como foi&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Um sujeito, acompanhado da sua namorada, decide se divertir à noite, assistindo a um lual. Estão no litoral paulista e a festa está cheia de jovens. Divertem-se. No início da madrugada, por volta de duas e meia da manhã, resolve ir embora. De mãos dadas com a moça, percorre o caminho ermo até onde deixou o carro estacionado. Antes de alcançá-lo, passa por um grupo de cinco ou seis homens, bem apessoados, corpos esculpidos indicando anos de musculação, aparentemente também vindos da festa. O grupo, percebendo a beleza da moça, dirige-lhe gracejos, ignorando a presença do sujeito. Este, embora aparentemente em desvantagem, retruca. O grupo gosta da situação, e aumenta a provocação. Aproxima-se do casal. O sujeito, que por acaso é promotor de justiça, saca sua arma e ordena que o grupo recue. Não é obedecido. Ao contrário, certos de que a arma é um brinquedo, os homens riem. O sujeito faz dois disparos para o alto. O estampido vindo da pistola não os intimida. Os homens avançam e o sujeito atira em dois deles. Primeiro atinge um, o mais alto, com dois tiros no peito. Depois, atinge outro no braço, duas vezes. Os demais, agora com medo, fogem. Mais tarde o sujeito seria preso e expulso do Ministério Público. Eu fico sabendo da história através da apresentadora de um programa matinal de tv, que, indignada, protesta contra o fato de um promotor de justiça espalhar violência ao invés de ajudar a aplacá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como poderia ter sido&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A apresentadora de televisão resiste ao convite. Afinal de contas, tem de gravar pela manhã e um lual costuma adentrar a madrugada. Pesa as circunstâncias. Está solteira há seis meses, após um casamento mal sucedido com um homem que nunca a amara de verdade. Sente-se carente e o convite é de um pretendente que ela, por intuição, acredita ser o homem ideal. Pensa que só precisa chegar ao estúdio às oito e termina por concordar com a noitada. Diverte-se mais do que poderia imaginar. A música é boa, o ambiente romântico e o parceiro um cavalheiro apaixonado. No início da madrugada, resolvem ir embora. Ela, que não havia ingerido álcool, sente-se embriagada de felicidade, capaz de prolongar a noite na casa dele e ir direto, sem dormir, fazer o programa. No caminho para o carro, uma rua sombria, de onde se podem ouvir apenas alguns risos abafados. Um grupo de jovens bonitos e fortes os aborda, dirigindo a ela gracejos insolentes. O seu parceiro protesta, mas recebe um soco violento e cai. Ela, em estado de choque, tenta socorre-lo, mas é impedida por braços vigorosos que a atiram no capô de um carro. Um a um, os seis homens a possuem. Depois, antes de morrer sufocada pelas mãos de um dos homens, ainda consegue ver o seu parceiro ter o crânio esmagado por uma pedra. No dia seguinte, todas as redes de tv noticiam a morte da apresentadora, protestando contra a violência na cidade e a inoperância da polícia. Pedem justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como gostariam que fosse&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lual no litoral paulista. Jovens se divertem, bebem pouco, não se drogam. No final da festa, quando um jovem casal atravessa uma rua deserta em busca do carro, a apresentadora de tv surge inesperadamente, microfone em punho, acompanhada do cinegrafista. Pergunta aos dois o que acharam da festa. Depois quer saber se não têm medo de andar por ali. Deixa-os ir. “Um lindo casal, não?”. Pisca o olho para o cinegrafista.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-112527694136812313?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/112527694136812313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=112527694136812313' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/112527694136812313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/112527694136812313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/08/ponto-de-vista.html' title='Ponto de Vista'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-112172454088557364</id><published>2005-07-18T19:06:00.000-03:00</published><updated>2005-07-18T19:09:00.893-03:00</updated><title type='text'>Quando os brasileiros vão aprender política?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Diogo Costa&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca saia de casa sem um livro à mão. Assim, cada vez que passar por um outdoor, sinal, letreiro ou faixa, que um erro de concordância invadir sua paz interior, abra imediatamente o livro e retome o seu estado inicial com a leitura de um ou dois parágrafos. Mas, atenção, se for passar mais de uma hora na rua, um livro com menos de 200 páginas pode não ser o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta sair de casa para testemunharmos a multidão de imbecilidades que decoram nosso país. A ignorância é nosso patrimônio nacional, disse Paulo Francis. De passado glorioso e futuro promissor, adicionaria Roberto Campos. Houve quem duvidasse, mas as mãos de Lula recebendo a faixa presidencial foi a prova dos nove.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que o analfabetismo indique necessariamente burrice, mas a persistência nos erros gramaticais é um sintoma claro, talvez o mais estampado - e colado, pintado e impresso em tudo quanto é lugar. Não duvidaria de alguma estatística revelasse haver, nas ruas, mais crases indevidas que corretas. E, se bobear, ainda vão escrever istatística assim, com “i”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles com poucos recursos ainda têm a desculpa de se preocuparem mais com a sobrevivência do que com a gramática. Mas o mal não se restringe a eles. É a classe universitária, a primeira a escrever mal. Bem ali, no profile do Orkut. Se vivesse atualmente, o personagem do conto “O Colocador de Pronomes”, de Monteiro Lobato poderia dedicar o resto da sua vida e não conseguiria ratificar todos os erros encontrados nos sites brasileiros. Engoliria o mouse em suicídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que incomoda ainda mais é que essa deve ser a manifestação de ignorância mais fácil de sanar. Depois do Google, não há nome difícil de soletrar, mas insistimos. A Carol poderia, em 0.16 segundos, descobrir como se escreve “Ashton Kutcher”. O Ricardo, ao redigir o cardápio da lanchonete, poderia consultar se misto é com “x” ou com “s”. É tão, mas tão fácil descobrir. Basta abrir um dicionário, ou procurar se informar com alguém que saiba. Será que, em algum momento não surge a dúvida sobre determinada grafia? Antes de lançar a crase sobre o “a” que precede “quilo”, alguém não se pergunta se está empregando corretamente o acento? E o que ela faz com essa dúvida? Manda passear e põe a crase assim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha que o esforço do qual falamos se resume em abrir um livro, um site de busca, ou se informar sobre uma regra clara, indiscutível e de fácil acesso. Se as pessoas faltam com o zelo às dúvidas mais banais e ligadas à sua reputação, o que podemos esperar de sua reação às questões mais difíceis? Se em algum momento essas pessoas questionam-se sobre o que é ser de “esquerda” ou “direita”, você acha que ela vai perder tempo procurando se informar sobre os conceitos? Não me parece muito provável. E não é por falta de acesso ao conhecimento, mas por falta de amor ao conhecimento, de querer conhecer. O Brasil padece da falta da “filosofia” em seu sentido mais literal e rudimentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez esse seja nosso grande patrimônio nacional: a falta de querer conhecer. Crianças entram na escola para saírem adultos em busca de um diploma que lhes permita tentar um concurso público. São movidas pelo interesse de ganhar diploma e dinheiro. Mas nenhuma delas está a fim de conhecer. No Brasil, qualquer aprendizado que não corresponda a um interesse direto é acidente de percurso. E ai da verdade que contradisser o interesse próprio do sujeito. É logo desprezada, ridicularizada ou despedida com pronta arrogância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que essa motivação não adianta nada para a política, onde o interesse próprio não faz muito para incentivar a busca de conhecimento. Democracias sofrem do que economistas chamam de “problema de informação”. Não vale a pena perder tempo estudando planos de governo e ideologias políticas quando seu voto é um entre dezenas de milhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomemos o seguro de saúde como exemplo. As pessoas gastam tempo e dinheiro analisando os vários planos de saúde porque sua decisão lhes influenciará diretamente. Podem decidir se querem o plano básico com o menor custo ou se querem uma melhor e mais cara assistência. Já quando tratamos do sistema de saúde público, o cidadão que quer o plano mais barato vai precisar: 1- aguardar e investigar se algum dos candidatos da próxima eleição concorda com ele; 2- se encontrar, aceitar todo o pacote político desse candidato em assuntos dos quais discorda, como política ambiental, ou verbas militares; 3- ainda que aceite o pacote, ele precisará convencer outras milhões de almas a votarem junto com ele. 4- Torcer para que não sejam criados obstáculos para passar o projeto de lei, e que haja maioria no congresso. A diferença entre os esforços exigidos pelo mercado e pela política para que sua decisão seja eficaz é ridiculamente desproporcional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, como entender política não fará muita diferença no seu cotidiano, o brasileiro comum pouco se importa. Episódios de corrupção são o que pode haver de mais entusiástico sobre a política, porque lançam novas fofocas nos botequins e pontos de ônibus. De menos entusiástico há o estudo de teorias políticas, coisa que, para surtir efeito prático, necessita do sucesso de um movimento de larga escala. Cabe à elite a curiosidade e a compreensão para divulgar as idéias à massa. Mas, quando a elite se mostra a primeira a mandar o conhecimento às favas, quem vai estudar e ensinar política? O máximo que a meia-dúzia de exceções pode fazer é servir de caixa de ressonância do exterior para o território nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lembre-se que esse texto enfatiza a política, apenas. O que diremos sobre outros campos do conhecimento em que os efeitos práticos parecem ainda mais obscuros ou desnecessários, como a religião e a própria filosofia? Aproveitemos o rótulo de país do futuro enquanto nos lembramos dos tempos verbais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-112172454088557364?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/112172454088557364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=112172454088557364' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/112172454088557364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/112172454088557364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/07/quando-os-brasileiros-vo-aprender.html' title='Quando os brasileiros vão aprender política?'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-112135535791836900</id><published>2005-07-14T12:34:00.000-03:00</published><updated>2005-07-14T12:35:57.933-03:00</updated><title type='text'>A ditadura do meio termo</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Octavio Motta&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Uma das posições mais extremadas existentes é a posição do meio termo. Sempre querem um meio termo. Vêm armados com um arsenal de clichês. A turma do deixa disso, dos panos quentes. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Tudo em moderação. Nem oito nem oitenta. E por ai vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comportamento patológico que chega às raias do surrealismo. Você afirma que 2+2=4. Outro, por que motivos sejam, diz que 2+2=5. A turma do meio termo que te convencer que, na verdade, a reposta certa é quatro e meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São sempre manipulados pelo lado que está errado. Errar é fácil, acertar é difícil. O meio termo entre o erro e o acerto ainda é um erro. Querendo-se a reposta de dois mais dois, quatro e meio é tão errado quanto cinco. A turma do deixa disso entrega o que é certo de mão-beijada em nome de uma vaga noção de tolerância e diversidade. Tudo isso se encaixa no esquema de ditadura do relativismo, termo cunhado pelo Cardeal Ratzinger. Quem acredita em algo de maneira clara e madura é tomado por fanático. Em resumo, os relativistas fanáticos não aceitam que alguém não seja relativista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma anedota no mundo jurídico que sempre existe uma teoria mista. Se você não conhece nenhuma teoria sobre um tema, você favorece a teoria mista. Porque sempre tem uma teoria mista. Alias, praticamente só existe a teoria mista. Talvez seja um cacoete de quem leu Hegel e, tragicamente, levou a sério essa patuscada de tese, antítese e síntese. Ostensivamente encontra-se um semiletrado pedindo que você deixe disso, porque sempre tem um meio termo. Um meio termo entre a verdade e a mentira é outra mentira, Dr. Mirandinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo vive na teoria mista. Você vive na teoria mista, e nem sabia. As revoluções liberais deram a todos direitos fundamentais inalienáveis na forma de restrições ao poder Estatal. As liberdades de locomoção e expressão indicam que o Estado deve abster-se de praticar ações que lhe tolham esses direitos. Os direitos sociais, contudo, como o nome indica, vem do socialismo, e consistem em ações que o Estado deve e pode exercer para tolher seus direitos individuais em nome de direitos coletivos. Forcosamente quem decide o que o coletivo quer? O estado. Pronto, os direitos coletivos erodem os direitos individuais. Você tem direito à propriedade, a menos que o Estado decida que é melhor toma-la de você em nome da sociedade. Você tem direito aos frutos do seu trabalho a menos que o Estado resolva tungar metade do que ganha com impostos, em nome, claro, do coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem os EUA estão a salvo, pois recentemente a corte suprema deles tomou uma decisão pela qual o Estado pode confiscar propriedade e entrega-la a grandes empresas caso isso vá produzir mais impostos. Isso foi uma derrota do capitalismo porque erode o direito de propriedade privada. Foi uma vitória do socialismo. Mas é difícil explicar isso no Brasil, que confundo capitalismo com grandes empresas e socialismo com povo. Quando o governo pega metade do que um honesto trabalhador ganha em nome de impostos diretos e indiretos, isso é socialismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-112135535791836900?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/112135535791836900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=112135535791836900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/112135535791836900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/112135535791836900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/07/ditadura-do-meio-termo.html' title='A ditadura do meio termo'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-112101056603430726</id><published>2005-07-10T12:38:00.000-03:00</published><updated>2005-07-10T12:49:26.043-03:00</updated><title type='text'>O mundo moderno sob a luz da simbologia grega</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por André de Oliveira&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao roubar o fogo de Zeus, Prometeu permitiu que o intelecto (simbolizado pelo fogo) fugisse do controle do Espírito (simbolizado por Zeus). O episódio representa a revolta do intelecto contra o Espírito. A inteligência humana só serve ao Bem quando se deixa guiar pelo Divino. Toda tentativa de escapar dessa lei trará sempre conseqüências nefastas ao próprio homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perversidade iniciada por Prometeu é complementada por seu irmão Epimeteu, cuja característica é agir antes de pensar, ou seja, nele já há uma total inconsciência da presença divina, pois a Theoria é Deus e a práxis é o homem. A práxis sem referência à Theoria perde toda a realidade, transformando-se num absurdo total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descartes foi o Prometeu do mundo moderno. Virando as costas para o Espírito, criou uma filosofia fundamentada num Eu artificial e abstrato, e portanto inexistente, referindo-se a Deus apenas para salvar as contradições de suas idéias. Usou a mesma tática de Prometeu, que, desejando fugir ao controle do Espírito, mas reconhecendo que o próprio intelecto é uma dádiva sua, tentou furtá-lo de Zeus, porque seria a única maneira de dar continuidade ao seu projeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Epimeteu já não reconhece sequer a existência de Deus. É a própria animalidade. O mundo moderno teve vários Epimeteus, mas o que exerceu maior influência e se tornou mais conhecido foi Karl Marx. Assim como o irmão de Prometeu, ele nunca considerou a existência do Espírito. Ao contrário, parte de sua teoria já se inicia tentando justificar as razões pelas quais alguns homens acreditam em Deus. Além disso, ele mesmo afirmou que o objetivo da nova filosofia deveria ser o de parar de pensar o mundo e tratar apenas de transformá-lo, exatamente como fazia Epimeteu, agindo antes de pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitalismo é filho de Prometeu. O comunismo de Epimeteu. A única forma de melhorar o mundo é devolver o intelecto ao Espírito, ou seja, permitir que o sistema capitalista seja guiado pela moral judaico-cristã. Ao desfazer o projeto de Prometeu, estaríamos desfazendo também o de Epimeteu, que é apenas um complemento do irmão, assim como o comunismo é um complemento do liberalismo ateu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, o que está acontecendo é o oposto, ou seja, capitalismo e comunismo se complementam perfeitamente, um servindo-se do outro na sua revolta contra o Espírito. A única resistência a esta comunhão anti-espiritual em todo o mundo é um pequeno grupo de conservadores americanos, que às vezes erram tentando roubar o fogo de Prometeu, em vez de tentar convencê-lo a devolver o que não é dele.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-112101056603430726?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/112101056603430726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=112101056603430726' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/112101056603430726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/112101056603430726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/07/o-mundo-moderno-sob-luz-da-simbologia.html' title='O mundo moderno sob a luz da simbologia grega'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111992172032238759</id><published>2005-06-27T21:43:00.000-03:00</published><updated>2005-06-27T22:36:12.836-03:00</updated><title type='text'>Algumas dicas de livros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Livros citados pelos colunistas deste blog que responderam ao questionário literário que anda circulando pela internet* :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Livro do Desassossego, de Bernardo Soares (Fernando Pessoa)&lt;br /&gt;A Montanha Mágica, de Thomas Mann&lt;br /&gt;A Obra em Negro, de Marguerite Yourcenar&lt;br /&gt;O Castelo, de Franz Kafka&lt;br /&gt;O Coração das Trevas, de Joseph Conrad&lt;br /&gt;Crônica da Casa Assassinada, de Lúcio Cardoso&lt;br /&gt;História da Filosofia, de Julián Marias&lt;br /&gt;O Homem Perante o Infinito, de Mario Ferreira dos Santos&lt;br /&gt;O Século do Nada, de Gustavo Corção&lt;br /&gt;Diário de um Pároco de Aldeia, de George Bernanos&lt;br /&gt;Os Diálogos, de Platão, traduzidos pelo Carlos Alberto Nunes&lt;br /&gt;A Vida dos Doze Césares, de Suetônio&lt;br /&gt;As Idéias e as Formas, de José Guilherme Merquior&lt;br /&gt;A Vida Privada e outras histórias, de Henry James&lt;br /&gt;Vida Independente, do jornalista português João Pereira Coutinho&lt;br /&gt;A Bíblia do Caos, de Millôr Fernandes&lt;br /&gt;A Divina Comédia, de Dante Alighieri&lt;br /&gt;Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes&lt;br /&gt;Doktor Faustus, de Thomas Mann&lt;br /&gt;Confissões, de Santo Agostinho&lt;br /&gt;Sobre o Sermão do Senhor na Montanha, de Santo Agostinho&lt;br /&gt;O Processo Maurizius, de Jakob Wasserman&lt;br /&gt;Etzel Andergast, de Jakob Wasserman&lt;br /&gt;A Terceira Existência de José Kerkhoven, de Jakob Wasserman&lt;br /&gt;Rei Lear, de Shakespeare&lt;br /&gt;O Homem Sem Qualidades, de Robert Musil&lt;br /&gt;Os Princípios Filosóficos do Direito Político Moderno, de Simone Goyard-Fabre&lt;br /&gt;Os Fundamentos da Ordem Jurídica, de Simone Goyard-Fabre&lt;br /&gt;Correio Sul, de Exupéry&lt;br /&gt;Vôo Noturno, de Exupéry&lt;br /&gt;Terra dos Homens, de Exupéry&lt;br /&gt;O Planeta do Sr. Sammler, de Saul Bellow&lt;br /&gt;Serpente, de Rex Stout&lt;br /&gt;Sange Sábio, de Flannery O'Connor&lt;br /&gt;É Díficil Encontrar um Homem Bom, de Flannery O'Connor&lt;br /&gt;Lobo da Estepe, de Herman Hesse&lt;br /&gt;Debaixo das Rodas, de Herman Hesse&lt;br /&gt;O Jogo das Contas de Vidro, de Herman Hesse&lt;br /&gt;Dios Y La Divinidad, de Paul Diel&lt;br /&gt;O Simbolismo na Mitologia Grega, de Paul Diel&lt;br /&gt;As Cartas do Inferno, de C. S. Lewis&lt;br /&gt;O Legado de Humboldt, de Saul Bellow&lt;br /&gt;Lições Preliminares do Direito, de Miguel Reale&lt;br /&gt;Código dos Códigos, de Northrop Frye&lt;br /&gt;Anatomia da Crítica, de Northop Frye&lt;br /&gt;Psicologia Integral, Ken Wilber&lt;br /&gt;Cinco Lecciones de Filosofia, de Xavier Zubiri&lt;br /&gt;Astros e Símbolos, de Olavo de Carvalho&lt;br /&gt;Robinson Crusoé, de Daniel Dafoe&lt;br /&gt;A Prática do Amor a Jesus Cristo, de Santo Afonso de Ligório&lt;br /&gt;Crime e Castigo, de Dostoievski&lt;br /&gt;Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski&lt;br /&gt;O Idiota, de Dostoievski&lt;br /&gt;Os Demônios, de Dostoiévski&lt;br /&gt;Pensar na Idade Média, de Alain de Libera&lt;br /&gt;O Homem que foi Quinta-Feira, de Chesterton&lt;br /&gt;El Amor o la Força del Sino, de G. K. Chesterton&lt;br /&gt;Doze Tipos, de G. K. Chesterton,&lt;br /&gt;Sabedoria Tradicional e Supertições Modernas, de Martin Lings&lt;br /&gt;A Arte Sagrada de Shakespeare, de Martin Lings&lt;br /&gt;A Educação Segundo a Filosofia Perene, organizado pelo prof. Donato, do grupo Pró-Vida&lt;br /&gt;A Vida Intelectual, de Sertillanges&lt;br /&gt;A Inquisição em Seu Mundo, de João Bernadino Gonzaga&lt;br /&gt;A Idéia da Fenomenologia, de Husserl&lt;br /&gt;Deus e a Filosofia, de Étienne Gilson&lt;br /&gt;Que é Filosofia?, de Ortega y Gasset&lt;br /&gt;Escolha e Sobrevivência, de Ângelo Monteiro&lt;br /&gt;A Igreja e o Novo Mundo, de Alceu Amoroso Lima&lt;br /&gt;As Cidades da Idade Média, de Henri Pirenne&lt;br /&gt;Tempos Modernos, de Paul Johnson&lt;br /&gt;A Nova Riqueza das Nações, de Guy Sorman&lt;br /&gt;A Consciência Conservadora no Brasil, de Paulo Mercadante&lt;br /&gt;O Espírito das Revoluções, de J.O. de Meira Penna&lt;br /&gt;Opção Preferencial Pela Riqueza, de J. O. Meira Penna&lt;br /&gt;Em Berço Esplêndido, de J. O. Meira Penna&lt;br /&gt;Um Espectador Engajado, de Raymond Aron&lt;br /&gt;Gramáticas da Criação, de George Steiner&lt;br /&gt;Luz Sobre a Idade Média, de Régine Pernoud&lt;br /&gt;O Espírito do Capitalismo Democrático, de Michael Novak&lt;br /&gt;História da Filosofia Moderna, de Sofia Vanni Rovghi&lt;br /&gt;A Demanda do Santo Graal, de Fabio Ulanin&lt;br /&gt;Impressões e Provas, de John Dunning&lt;br /&gt;Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift&lt;br /&gt;Os Irmãos Corsos, de Alexandre Dumas&lt;br /&gt;O Corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo&lt;br /&gt;Sob o Signo de Jonas, de Thomas Merton&lt;br /&gt;Sallambô, de Flaubert&lt;br /&gt;Trois Contes, de Flaubert&lt;br /&gt;Prosa do Observatório, de Júlio Cortazar&lt;br /&gt;Introdução Geral à Filosofia, de Jacques Maritain&lt;br /&gt;A Igreja de Cristo , de Jacques Maritain&lt;br /&gt;Da Graça e da Humanidade de Jesus, de Jacques Maritain&lt;br /&gt;Caminhos para Deus, de Jacques Maritain&lt;br /&gt;As Grandes Amizades, de Raissa Maritain&lt;br /&gt;S. Bernardo de Claraval, de Albe J. Luddy&lt;br /&gt;Inteligência e Pecado em S. Tomás de Aquino, de Celestino Pires&lt;br /&gt;Auto de Fé, de Canetti&lt;br /&gt;A Rebelião das Massas, de Ortega y Gasset&lt;br /&gt;Dom casmurro, de Machado de Assis&lt;br /&gt;Brás Cubas, de Machado de Assis&lt;br /&gt;A Coleção Particular, de Perec&lt;br /&gt;Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, de Mário de Carvalho&lt;br /&gt;A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, de Mário de Carvalho&lt;br /&gt;Era Bom que Trocássemos umas Idéias sobre o Assunto, de Mário de Carvalho&lt;br /&gt;Os Três Últimos Dias de Fernando Pessoa, de Antonio Tabucchi&lt;br /&gt;Réquiem, de Antonio Tabucchi&lt;br /&gt;Sonhos dos sonhos, de Antonio Tabucchi&lt;br /&gt;Hídrias, de Dora Ferreira da Silva&lt;br /&gt;Sermões, do Padre Antônio Vieira&lt;br /&gt;A Bíblia Sagrada&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* Faltam os livros citados por Alfredo Votta, que estarão completando a lista em breve. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111992172032238759?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111992172032238759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111992172032238759' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111992172032238759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111992172032238759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/06/algumas-dicas-de-livros.html' title='Algumas dicas de livros'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111948478579081659</id><published>2005-06-22T20:53:00.000-03:00</published><updated>2005-06-22T21:14:37.610-03:00</updated><title type='text'>Mistério Divino</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Mauricio Amaral&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;“Tendo chegado rapidamente ao termo, percorreu uma longa carreira. Sua alma era agradável ao Senhor, e é por isso que ele o retirou depressa do meio da perversidade”.&lt;br /&gt;Livro da Sabedoria 4, 13-14.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, é assim que acontece: a onda imensa e devastadora vem em forma de fato banal, como um acidente de carro. Não obstante, o seu rastro é o mesmo da tsunami: desolação, dor e perplexidade. As vidas que ficam perdem parte preciosa da sua substância, algo que lhes modifica a órbita natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luciano possuía qualidades que o tornavam uma pessoa singular. Não há ninguém mais que saiba de cabeça todas as placas de carro dos parentes, amigos e ainda muitas outras de meros conhecidos. Também não é comum encontrar quem saiba calcular os dígitos de controle dos números de CPF. Nem tampouco quem tenha um olfato tão desenvolvido, capaz de identificar, às cegas, quase todos os perfumes existentes em uma importadora qualquer. Não há notícia de pessoa que fosse tão amada, unanimemente. No dizer carinhoso de um amigo, que não cansava de repetir apertando-lhe as bochechas, era o nosso “brigadeiro”, presente em todas as festas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora muito peculiares, entretanto, estas características não eram o fator mais importante na sua distinção de outras tantas pessoas especiais. Havia algo mais grandioso a envolvê-lo, um mistério que ainda hoje permanece selado. Sobre isto, a feliz definição partiu de outro amigo: “ele tinha tempo para todo mundo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como fosse querido, popular e solicitado, possuía vários núcleos de amizade. Cada um com suas preferências e programas específicos: jogar bola, malhar, jantar, viajar, comer caranguejo, ir à praia, festas, carnaval. Como ponto de interseção, ele fazia o absurdo: estava em todos. Não dispensava encontro, nem frustrava ninguém. No máximo, precisava arrumar uma desculpa para eventual atraso, coisa que fazia com um sorriso capaz de destruir qualquer aborrecimento decorrente da sua demora, por maior que tivesse sido ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa centelha de ubiqüidade, Luciano partiu sem explicar nem dividir. Até porque, mesmo arrastado pela onda, certamente, fez questão de devolvê-la intacta Àquele de quem a recebeu: o Pai Eterno, cuja face ele já há de contemplar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111948478579081659?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111948478579081659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111948478579081659' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111948478579081659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111948478579081659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/06/mistrio-divino.html' title='Mistério Divino'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111915225976836325</id><published>2005-06-19T00:33:00.000-03:00</published><updated>2005-06-19T00:37:39.776-03:00</updated><title type='text'>Felizes são os peixes</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Adalberto de Queiroz&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fecho os Sermões de Vieira e abro o jornal diário. Melhor que não o fizesse. É uma troca imposta pelas manchetes da imprensa, um impositivo da realidade diária, pois que nos cobram atualidade nas conversas entre amigos, colegas de trabalho e parentes - esquecidos que somos todos do passado recente. É preciso, pois, que a crônica do cotidiano defina o tom dessas conversas mas não se esqueça do grande rio da história contínuo e caudaloso, que vai arrastando a todos os atores de primeira ou de segunda grandeza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O cronista vê o caso dessas duas cartas que o diário exibe em manchete, após a queda do ministro José Dirceu, como o terreno próprio para que se exerça uma análise imparcial e se compare o episódio com o que deveria ser o comportamento esperado de personagens que fundaram seu discurso político sobre a sagrada palavra ‘esperança’, naturalmente, sem mostrarem entendimento sobre a verdadeira Esperança. O homem que cai é ‘peixe grande’ comenta um amigo. É o ex-guerrilheiro feito primeiro-ministro que fala ao operário feito presidente – movidos ambos pelo desejo de responder às acusações de corrupção que invadem o parlamento e as conversas diárias de toda a gente. O presidente aceita a demissão do ministro também em carta pública. Ambas as cartas viram de pronto material de mídia desde a origem, como se fossem escritas para ser publicadas, como num texto de ópera bufa, peças a conduzir a comunicação de toda a mídia, ansiosa por informação pronta, portátil, mastigada para um público ávido de informação que não exija nterpretação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não é sem razão que pensamos no nome do movimento em que os personagens dessa ópera bufa conduziram em toda a vida político-partidária: articulação. Para o leitor atento tudo está articulado para funcionar como uma grande máquina de marketing, em que se contrói e se descontrói. Lendo as cartas, os leitores encontrarão, aliás, a referência explícita à “tentativa de desconstruir a nossa história”, em que o autor da carta posa de vítima – como se estivéssemos diante de uma tese de marketing (demarketing ou unselling) e não de uma questão ética. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mostra a prática republicana que estes que agora têm a responsabilidade de dirigir nunca estiveram tão desarticulados, em relação a uma série de questões de gestão do estado. Eis que tentam promover uma saída articulada do ministro todo-poderoso (plenipotenciário) em meio às enormes atribulações causadas pelas acusações de corrupção envolvendo “peixes grandes”, tão poderosos na República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E onde estão os que deveriam imprecar contra os vícios e exaltar as virtudes? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Padre Vieira em seu sermão aos Peixes, cansado de tentar falar aos homens, dirige-se aos peixes, com o desconsolo de saber que “gente pode ser peixe que se não há de converter”. O cronista indeciso sobre o que dizer diante da ópera midiática, recorre ao pregador, desolado com a ausência de profetas na mesma terra em que pregava Vieira:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa da corrupção? Ou é porque o sal não salga ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma coisa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permitindo-nos comparar os homens aos peixes, ressaltando que estes são melhores ouvintes, Vieira primeiro exalta suas virtudes, para depois açoitar-nos os vícios, quando deita-lhes repreensão, como deveria este cronista sem inspiração pessoal repetir a seus parcos leitores: “grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior” e citando Santo Agostinho, repetir com Vieira: “os homens, com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes, que se comem uns aos outros”. Ou, ainda numa metáfora zoólogica poderia concluir com o pregador:  ‘são piores os homens que os corvos’. Eis a carnificina que a realidade impõe ao cronista, diante do espetáculo dos atores políticos diante das câmeras de TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como espectador dos atos encenados e a encenar, eis a conclusão: os corvos estão de novo soltos em nossa terra, digladiando por moedas de prata supostamente situadas em bocas de peixes pequenos, médios e grandes. A República se pergunta se alguém morrerá com o “alheio atravessado na garganta” como na história do peixe que São Pedro pesca com a moeda de prata presa à garganta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembremos de Padre Antonio Vieira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mandou Cristo a São Pedro que fosse pescar, e que na boca do primeiro peixe que tomasse, acharia uma moeda, com que pagar certo tributo. Se Pedro havia de tomar mais peixe que este, suposto que ele era o primeiro, do preço dele e dos outros podia fazer o dinheiro com que pagar aquele tributo, que era de uma só moeda de prata, e de pouco peso. Com que mistério manda logo o Senhor que se tire da boca deste peixe, e que seja ele o que morra primeiro que os demais?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estais atentos, diz o pregador, “os peixes não batem moeda no fundo do mar, nem têm contratos com os homens, donde lhes possa vir dinheiro; logo, a moeda que este peixe tinha engolido, era de algum navio que fizera naufrágio naqueles mares...” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Felizes são os peixes, chega aos ouvidos do cronista, emulando a mais funda infância de sua filhinha, que lendo essas linhas mal costuradas, imagina o cronista como lançando as mesmas redes que o pescador inepto tentasse lançar ao mar de conhecimento em que navega. Infelizes são os homens, deveria essas linhas conter, posto que fundadas no mais exato sentimento de revolta e asco diante da realidade de seu país. Sim, revolta, asco que se unem ao sentimento de decepção  e juntos dão a tônica dos dias atuais diante dos brasileiros que se dispõem à leitura do jornal diário... Melhor seria voltar ao velho e sábio Vieira e renunciar à articulação de tão perniciosa realidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111915225976836325?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111915225976836325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111915225976836325' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111915225976836325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111915225976836325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/06/felizes-so-os-peixes.html' title='Felizes são os peixes'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111888180854897745</id><published>2005-06-15T21:24:00.000-03:00</published><updated>2005-06-15T21:31:36.743-03:00</updated><title type='text'>Saudades do bom e velho comunismo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Gustavo Nogy&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O cardápio de ditaduras politicamente corretas anda tão perigosamente variado que ainda hei de preferir, cedo ou tarde, a boa e velha ditadura do proletariado. Saudosismo de quando o mundo estava inexoravelmente dividido entre barbudos e não-barbudos, e isso era bom. Agora, as patrulhas são outras: menos identificáveis, mais sedutoras. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dizem: há o grandíssimo problema do meio-ambiente e há seus paladinos. O mundo caminha a passos largos para a implosão: demográfica, ambiental, econômica, e, segundo novíssima cartilha, moral. Vejamos. Havendo explosão demográfica, deve haver controle demográfico. Aqui se começa a justificar a existência de movimentos abortistas, a urgência de controle estatal de natalidade, e, por fim, a eutanásia dos considerados inválidos de acordo com tais ou quais prescrições. Em convergência com a necessidade de se despovoar o planeta, militantes gays preconizam o sexo livre, livre inclusive da possibilidade de procriação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Curiosamente, juntam-se gays, feministas pró-aborto, especialistas em saúde pública e ambientalistas em nome, respectivamente, de valores cívicos louváveis como a irrelevância de se gerar bebês, a absoluta necessidade de se matar os bebês acidentalmente gerados, a pertinência de se preparar morte rápida e indolor àqueles que eventualmente venham a produzir incômodo para seus familiares e para o Estado e a proteção inalienável de um planeta e seus ilustres habitantes, descontados os humanos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Interesses coincidentes. O que nos resta: em lugar de religião, culto à Gaya. Em detrimento do consumo, ascetismo dietético. Onde havia proteção à vida, aborto e "boa morte". Onde espontaneidade, controle estatal. Antes moralidade, agora cidadania. Sempre suspeitei daqueles aulas de educação moral e cívica. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111888180854897745?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111888180854897745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111888180854897745' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111888180854897745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111888180854897745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/06/saudades-do-bom-e-velho-comunismo.html' title='Saudades do bom e velho comunismo'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111852788325695403</id><published>2005-06-11T19:06:00.000-03:00</published><updated>2005-06-15T21:33:12.146-03:00</updated><title type='text'>Tempo, Memória, Tempo da Memória - Reflexões a respeito das Confissões de Santo Agostinho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Fabio Ulanin&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reflexão a respeito de Santo Agostinho e suas Confissões exige não apenas um olhar puramente literário. O autor, fundador da visão medieval cristã, ao resgatar de Platão e de Plotino os conceitos filosóficos, faz, em sua autobriografia, mais do que a literatura: desenvolve todo um raciocínio de caráter metafísico que imprime em sua reflexão sobre o passado uma série de conceitos fundamentais para a efetiva compreensão de seu discurso. Não pretendemos, contudo, esmiuçar estes conceitos filosóficos, o que escaparia dos moldes de um texto breve como este que hora se apresenta. Pretendemos, apenas, refletir de modo simples, a respeito de alguns poucos conceitos do Bispo de Hipona para, a seguir, compreender melhor o que vem a ser, afinal, a sua autobiografia. Para tanto, utilizar-nos-emos não só de suas Confissões, mas de outros textos que, apesar de não apresentarem o caráter biográfico explícito (visto que sempre há algo do autor, alguma referência pessoal, ainda que não compreendida de imediato pelo leitor, na produção de uma obra), irão fornecer dados fundamentais para a compreensão de nosso texto-base; neste sentido, buscaremos n’A Cidade de Deus o conceito de tempo utilizado pelo Santo, assim como em outras obras de referência que possam nos oferecer dados para a compreensão do Tempo e da Memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito de tempo se caracteriza por um processo que abandona o aspecto de continuidade ou mensurabilidade e relaciona-se a um outro conceito: o de simultaneidade, pois são dois os tempos que existem e interagem de forma absoluta, na visão cristã medieval, da qual Santo Agostinho é o inaugurador — o tempo dos homens, certamente medido pela hora canônica (o tempo dos mosteiros, que regrava e regia o labor humano), e o tempo de Deus, revelado por sua permanência e sua constância na consciência. O primeiro depende absolutamente do segundo; e o inverso não é verdadeiro. Como afirma Schuback:&lt;br /&gt;“A expressão ‘tempo de todos os tempos’ quer indicar, de imediato, que a metafísica cristã da criação assume duas dimensões no tempo: um tempo no singular, único e inteiro e um tempo plural, múltiplo e diverso. O tempo singular, único, inteiro é a eternidade do Deus criador. O tempo plural, múltiplo e diverso é o tempo de toda realidade extradivina, de todas as criaturas.”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto se dá pelo fato de que, sendo o homem fruto de uma ação criadora, ele traz em si todo um passado que determina suas ações; em outras palavras, há uma memória do princípio dos tempos, no qual Deus gera as coisas do nada, e que se projeta para o presente, afinal o homem só pode criar e produzir graças à sua condição de criatura. E, do mesmo modo, todas as suas ânsias e angústias em relação ao futuro são presentificadas – afinal o que acontecerá pode ser mistério para o homem, mas não o é para a suprema consciência divina. Isto se dá no que se refere à História – o que dizer no tocante à propria vida do homem? Em certa medida, o ser humano partilha com Deus esta essência tempora – a mem´ria, assim, é o intrumento capaz de levar o homem a reviver o seu passado, presentificando-o, ou a projetar o seu futuro, antecipando-o. Aliás, este mesmo conceito é percebido no Velho Testamento, seja nos livros históricos (I e II Reis, p.ex.) seja naqueles de caráter profético (Isaías, Oséias etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Deus não há tempo: Ele é o próprio Tempo em sua eternidade, assim como é a própria Bondade, o próprio Amor, a própria Justiça. Ou, como afirma Tomás de Aquino&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;, todos estes caracteres acima elencados não são atributos de Deus, mas a sua própria Essência e, enquanto aspectos essenciais do Criador, fazem parte de uma Verdade superior e suprema ressaltadas pela consciência absoluta que Ele possui. Desta forma, o tempo divino é um encontro radical de todo o tempo em um único momento – paradoxo aparente que ocorre em nossa consciência humana, marcada que está pela seqüencialidade. É, enfim, um eterno presente marcado por Sua consciência – o que significa que é, para nós, um mistério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este duplo aspecto temporal é claramente ressaltado por Santo Agostinho, ao demonstrar a existência simultânea das duas cidades – a terrestre e a celestial, o tempo linear e o tempo eterno – e, também, no momento em que ele explicita a importância da memória:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Dessa riqueza de idéias me vem a possibilidade de confrontar muitas outras realidades, quer experimentadas pessoalmente, quer aceitas pelo testemunho de outros; posso ligá-las aos conceitos do passado, deles inferindo ações, fatos e esperanças para o futuro, e, sempre pensando em todas como estando presentes, ‘farei isto ou aquilo’, digo de mim para mim no imenso interior de minha alma repleto de tantas imagens [...] Assim falo comigo mesmo e, enquanto falo, eis que se tornam presentes, retiradas do tesouro da memória, imagens de tudo o que nomeei.”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que diz o Santo de Hipona é bastante claro: tornamos presentes, pela memória, toda a nossa experiência passada, assim como todo o nosso desejo em relação ao futuro (junto com todas as possibilidades de sua realização). Mas, parece, este raciocínio encontra-se com um outro aspecto que não é só o de uma psicologia meramente humana – é a própria História que está aí incluída, na medida em que, para o pensamento cristão, a vinda de Cristo é a realização de diversas profecias do período vetero-testamentário e da qual todo o futuro também deriva. Nesta medida, a interpretação do texto bíblico encontra lugar no conceito de tempo agostiniano, não mais pela memória individual, mas por uma memória coletiva presente, já, nos desígnios de Deus. O que significa que, na antigüidade hebréia, os profetas previam, para o futuro, a redenção de toda a humanidade por meio daquele que seria considerado o Cristo; e, igualmente, para os homens do período neotestamentário, aquelas profecias passadas, traziam em si uma verdade que acabara de ser revelada. Em outras palavras: o anúncio antigo projetaria, já para os profetas, a sua salvação (e por esta razão há a idéia de que Cristo desce aos Infernos para libertá-los) e, para os contemporâneos do Salvador, uma memória que reforça e justifica o seu caráter messiânico. Mas a projeção do futuro no presente não se encerra aqui: há uma nova profecia no texto bíblico, que marca agudamente a mentalidade do homem medieval – a Segunda Vinda do Apocalipse de João que também presentifica os horrores do fim dos tempos (humanos, notemos bem) assim como a redenção dos justos. É o tempo divino marcando intensamente o tempo humano, afinal “o tempo sucessivo e linear não pode medir a eternidade”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste modo, compreende-se melhor a estrutura de memória que encontramos n’As Confissões. Santo Agostinho pretende relatar a sua história, desde a infância até aos 15 anos (I Livro), passando pelos dramas da adolescência dos 16 anos (II Livro), seu tempo de estudante, quando se envolve com o maniqueísmo e os prazeres do teatro e dos jogos circenses (III Livro), atingindo enfim a posição de professor de retórica (IV Livro), até chegar, a meio termo do volume (Livros V a VIII), no processo de conversão ao catolicismo. A partir deste ponto temos a referência ao presente, e não mais ao passado: é o momento da escrita que se revela, numa perspectiva puramente teológica: a preocupação do Autor já não é a de revelar a sua vida pessoal, mas a Vida atrelada intimamente ao caráter escatológico das escrituras (Livros IX a XIII). No entanto, nesta reflexão sobre o presente encontramos a preocupação com o futuro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Assim é, para que eu ‘alcance aquele por quem já fui alcançado’ e me desprenda da dissipação dos dias antigos, seguindo a Deus uno. Assim, ‘esquecendo o passado’, sem a preocupação das coisas futuras que passarão, e inteiramente ‘voltado para o que é’ eterno, ‘poderei caminhar para o prêmio da vocação do alto’, não na distensão, mas com desejo pleno; lá ‘ouvirei o cântico de teus louvores’ e ‘contemplarei a tua beleza’, que não tem começo nem fim. [...] Mas eu me dispersei nos tempos cuja ordem ignoro, e os meus pensamentos, vísceras da minha alma, são dilacerados por tumultuosas vicissitudes, até que eu purificado pelo fogo do teu amor mergulho em ti.”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação é clara: o presente possibilita a união do passado com o futuro – um passado que deve ser abandonado para quem busca o caminho da Salvação (e as Confissões não têm outro objetivo senão o da conversão do leitor enquanto um testemunho da descoberta de um caminho salvífico) em direção ao futuro onde o tempo não mais existirá, pois ele será toda a eternidade. Impossível desvincular o caráter “engajado” do texto agostiniano de seu caráter literário. Mais do que uma autobiografia, o Santo de Hipona pretende presentificar pela palavra escrita os dois extremos da existência: o terreno, de sofrimentos e de busca e o futuro, da eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências Bibliográficas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGOSTINHO (1984). Confissões. São Paulo: Paulus.&lt;br /&gt;AQUINO, Tomás de (1990). Suma Contra os Gentios. Vol. 1. Porto Alegre: Sulina.SCHUBACK, Márcia Sá Cavalcante (2001). Para Ler os Medievais. Petrópolis: Vozes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; SCHUBACK, Márcia Sá Cavalcante (2001). Para Ler os Medievais. Petrópolis: Vozes, p. 79.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; AQUINO, Tomás de (1990). Suma Contra os Gentios. Vol. 1. Porto Alegre: Sulina, pp. 45-67, passim.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; AGOSTINHO (1984). Confissões. São Paulo: Paulus, pp. 275-276.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; SCHUBACK, Op. cit., p. 89.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; AGOSTINHO. Op. cit., p. 356.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111852788325695403?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111852788325695403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111852788325695403' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111852788325695403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111852788325695403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/06/tempo-memria-tempo-da-memria-reflexes.html' title='Tempo, Memória, Tempo da Memória - Reflexões a respeito das Confissões de Santo Agostinho'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111833214678901762</id><published>2005-06-09T12:45:00.000-03:00</published><updated>2005-06-09T12:52:43.570-03:00</updated><title type='text'>Uma historinha filosófica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por André de Oliveira&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates estava lá, sentado no cantinho dele, quando, de repente, uma maçã atinge sua cabeça. Não, não é nada disso, essa é uma outra história. Como dizia, Sócrates estava lá sentado, pensando na vida, quando lhe veio a idéia : não seria possível a existência de um conhecimento que tivesse o grau de certeza que nos proporciona a matemática mas que se refira a fatos concretos ? Sim, talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então saiu feito um maluco a perguntar às pessoas o que seria a justiça, a coragem, a bondade. E lhe davam exemplos de pessoas justas, corajosas, bondosas. Aí ele citava homens que haviam feito algo bem diferente mas que não deixava de qualificá-los de justos, corajosos e bondosos. O que significava que deveria haver algo de comum em ações tão diferentes que nos fazia considerá-los assim. Os amigos e discípulos propunham isso e aquilo e ele ia eliminando as possibilidades que não se encaixavam. Foi isso, em resumo, que fez o incomensurável Sócrates. E o mataram por tal ousadia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Platão também era um desocupado. Sem ter o que fazer, resolveu seguir Sócrates. E aprofundou a dialética criada pelo professor. Aristóteles foi ainda mais longe, fundando várias ciências. O fato é que todos eles queriam apenas saber mais para poderem ser mais, e ser mais para poderem conhecer mais. E nunca passou disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de todos os desvios, a coisa continuou assim até a Idade Média, quando ser mais tornou-se ser santo. Até então, nenhum filósofo que não se desviou desse caminho se disse sábio. Mas a partir daí, todos se proclamaram sabidos. É isso mesmo : na impossibilidade de se tornarem sábios, os humildes homens modernos se conformaram em ser sabidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito ocupadinhos, não tiveram tempo de estudar as bobagens que haviam escrito os três ultrapassados velhinhos gregos. Além do mais, o conhecimento que eles estavam adquirindo já era prova suficiente de que tudo que se produziu antes nada significava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada um quis começar do início. Os moderninhos são todos originais. Descartes concluiu que só existiam 2 coisas : o Espírito e a extensão, e garantiu que nada os unia. Então como o Espírito poderia conhecer a extensão ? Foi necessário pedir ajuda a Deus. Depois veio Kant. Este jurou sobre o milho que a inteligência e a moral estavam completamente separadas. Conclusão : um mutilou o homem, o outro mutilou a mente. E jamais pediram perdão a ninguém pelo que fizeram. Ao contrário, houve quem rogasse a eles para perdoarem seus pecados. Sentiam-se mal diante de tamanha revelação. Ora, mas quem não se sente mal quando se deixa mutilar sem sentir dor ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Platão comentou com Sócrates, lá de cima : ei, é impressão minha ou esses caras estão separando tudo que a gente conseguiu unir ? E Aristóteles se intrometeu : vocês já ouviram falar em desconstrucionismo ? E um sorriso maroto brotou dos lábios de cada um.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111833214678901762?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111833214678901762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111833214678901762' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111833214678901762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111833214678901762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/06/uma-historinha-filosfica.html' title='Uma historinha filosófica'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111755430966516084</id><published>2005-05-31T12:41:00.000-03:00</published><updated>2005-05-31T12:45:09.690-03:00</updated><title type='text'>IMPRESSÕES DE LEITURA – “A MONTANHA MÁGICA” – Thomas Mann</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Francisco Escorsim&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que honrado com o convite para colaborar com alguns textos por aqui, fiquei numa dúvida atroz sobre o que escreveria. Foi então que lembrei que havia acabado de escrever algumas impressões sobre a leitura do livro "A Montanha Mágica" de Thomas Mann, sem pretensões de "publicação" onde quer que seja. Pensei comigo que talvez fosse uma boa idéia arrumá-las e aqui dispô-las para uma troca de impressões com os demais colaboradores e leitores que por ventura tenham lido referido livro. Com este único "objetivo", deixo as minhas impressões por aqui. E desde já peço desculpas pelo longo texto, que bem melhor ficaria num "papel" do que na tela do computador. Mas ao menos o blog permite a impressão e portanto, a responsabilidade pela melhor forma de leitura passa a ser do leitor e não do autor. Os convido pois, à leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I - Uma Espécie de Preâmbulo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo por uma impressão "profunda", como diria Saul Bellow, que o livro como unidade, me causou. Na orelha da edição que li consta a informação que Thomas Mann o escreveu logo após a Primeira Guerra Mundial. E a história do livro termina exatamente quando esta se iniciaria. A impressão portanto que o livro traz não é outra senão a própria impressão que aquele momento histórico causou em Thomas Mann.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que para ele a “culpa” pela guerra não se encontrava em determinada corrente ideológica, ou numa moda científica ou mesmo apenas nos valores que aquela sociedade humana naquele tempo histórico realizava. Para Thomas Mann, o “buraco” era mais embaixo e tudo isto e mais um pouco formou o caldeirão de causas que desembocou nas grandes guerras do século XX. Thomas Mann não inocenta ninguém. Nem procura dar um sentido para o homem daquela época. Porque ele percebe que é exatamente o sentido da própria humanidade que se perdeu ali, antes de qualquer coisa. Thomas Mann vem a narrar as consequências da perda deste sentido básico e preliminar da própria possibilidade da vida em comum. Ele traz a história do declínio de uma sociedade, cujos sintomas não estão em outra parte senão no próprio homem que compõe aquela sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pórtico do livro, o próprio autor informa seu propósito com a narrativa. E já aqui tem-se a primeira constante do livro. Thomas Mann vai explicar tudo, tim-tim por tim-tim. Ele não acredita mais na capacidade do leitor de ler nas entrelinhas. Ele vai explicando os momentos relevantes, dando significado ao simbolismo por ele próprio usado e quando não explica, a própria narrativa não deixa dúvidas do sentido dado. A obra é “pedagógica” neste sentido, talvez no mesmo intuito daquele dos personagens Naphta e Settembrini, mas com outro sentido e valor. E a explicação disto reside num paradoxo. Na última página Thomas Mann afirma que a história é hermética. Ou seja, confusa, obscura. E não poderia ser clara mesmo pois confusa e obscura é aquela época. Mas também é àquela sociedade que ele se dirige e não vê outro meio de se fazer entender senão ser o mais “didático” possível. É neste paradoxo que se encontra o autor, antes de iniciar a obra: “como me fazer ‘ouvir’ por quem já não sabe mais nem o que é, onde está e para onde vai ?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título dado ao livro não é só sugestivo. Ele é mais do que isto, ele é uma explicação. A simbologia da montanha nos diz que ela é local de morada dos deuses e objetivo da ascensão humana. Portanto, a ascensão à montanha é a evolução espiritual do homem, quando realiza o seu destino humano. É para esta montanha que supostamente nos dirigimos com Hans Castorp, o personagem principal, logo no começo. Portanto, é uma jornada em busca desta ascensão que encontramos ao começar a ler o livro. Mas o próprio título já avisa que isto não ocorrerá. Porque a montanha é mágica e portanto, ilusória. A montanha aqui toma então outro significado. Ela não será o local onde se encontra Deus, onde nos elevamos para adorá-Lo. Ali encontraremos outra coisa. E seja o que for, já sabemos que coisa boa não há de ser. A montanha mágica do título simboliza, portanto, o presságio de um desmoronamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajemos pois, com Hans Castorp, às alturas invertidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II - O Tempo dos Medíocres: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo no início Castorp se espanta com a novidade do local, do sanatório. Surpreende-se com a tosse de um dos doentes. E conclui com acerto: “É como se se descortinasse o interior do homem, e tudo fosse lodo e pântano...” Deveria prestar atenção às suas impressões, principalmente neste início. Essas intuições nada mais são do que a verdade da realidade que ele encontra. Mas a elas não dá ouvidos. E nem a seu primo ele ouve, quando esse, logo no primeiro jantar quando da chegada de Castorp, avisa que ali não há tempo, nem vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo, talvez o elemento mais problemático e peculiar de todo o livro, que é tratado desde o seu início quando o autor expõe seus propósitos, até o seu final. Castorp constantemente tenta entender o que é o tempo, faz elocubrações, chega a algumas certezas provisórias e acaba por fim a se habituar ao tempo ditado pelos médicos. Mas afinal, por que o tempo é tão problemático ali ? O que significa o tempo, para começar a incomodar tanto ? Lê-se no livro que uma das correntes de idéias existentes na época atrela-se ao progresso da humanidade, tornando com isto a perspectiva do tempo algo angustiada, como se fosse o elemento a ser “vencido”. E assim o sentido do tempo parece se perder, parece tomar uma dimensão diversa, oprimente, misteriosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um sinal de alarme, esta falta de compreensão do tempo. Porque o tempo nada mais é do que a própria vida. Uma vida só existe num determinado momento no espaço, como qualquer um sabe. Pode-se perder tudo, menos a noção de que você está aí neste exato instante. Do tempo/espaço você não foge. Santo Agostinho tinha uma imagem do tempo: imagem móvel da imóvel eternidade. Assim, o tempo humano é aquilo que permite ao homem movimentar-se, ser. Ele é uma medida, mas uma medida de vida, daquilo que o homem faz da sua própria vida no tempo a ele destinado “aqui embaixo”. O questionamento que se faz do tempo no livro não é um questionamento filosófico para compreendê-lo, é um sinal de alarme de que algo vai errado. Quando não há tempo, é porque não há vida mesmo, o personagem Joachim tinha razão. Espantar-se que o tempo às vezes corre devagar conforme o seu “conteúdo” é constatar apenas o óbvio de que a vida é quem preenche o tempo e não o contrário. Se este vai se preenchendo por conta própria, é porque da vida já estamos distanciados. Não espanta então que na sequência desta perda inicial, queira-se constantemente “matar o tempo”, fugir do tempo, sair dele. Procura-se cristalizá-lo em hobbies bobos, em passatempos, em marcar-se a vida pela hora de alimentar-se e não pela fome realmente que se sente. Neste sentido do livro, a saída da “noção” do tempo significa a saída completa da ordem cósmica, daquela ordem de espaço/tempo onde a vida deve ser vivida. E se saiu-se desta ordem, para outra certamente entrou-se. Estamos já, mais uma vez portanto, certos de que neste universo do sanatório Berghof, perdeu-se o sentido do tempo porque na verdade perdeu-se o sentido da própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o sanatório, este outro universo, não está desconectado da vida da “planície”. Ao contrário, é por causa da planície que existe aquela mágica montanha. Se o tempo ali é profundamente problemático e alerta a consciência humana para sua falta de sentido, é justamente porque ali o tempo “sobra” para fazer-se apresentar. Na planície, o tempo tem tanto sentido quanto na montanha mágica, mas ocorre que na planície há muito mais opções de passar esse tempo para trás. O problema, pois, não é de local, nem de Hans Castorp, é um problema geral daquela sociedade naquele momento histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas antes de continuarmos com Hans Castorp, vale a pena acompanharmos Thomas Mann quando explica porque razão Castorp é seu personagem, e não outro. E aqui se vê mais uma vez como o próprio autor, no fundo, explica seu próprio livro ao escrevê-lo. Avisa Mann que Castorp nada tem de especial. Não é melhor nem pior do que ninguém, nem mesmo é herói. É até simpático e muito comum. Castorp, na verdade, é um medíocre, porque medíocre é o mundo em que vive e outra coisa ele não poderia deixar de ser. Sua mediocridade não diz respeito a sua inteligência e personalidade, que era singela, mas sim que ela significava a mediocridade do próprio meio de que ele vinha. Era um exemplar apenas. Quando da narrativa de infância e adolescência de Hans Castorp, Thomas Mann bem demonstra que Castorp é filho da sua época. Bem inserido, atendia às exigências escolares e os deveres sociais. Tinha tudo para dar “certo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o problema que Thomas Mann enxergava não era de ordem individual. Porque ele sabe que no geral, todo homem é tão medíocre quanto Hans Castorp e que depende muito do seu meio lhe fornecer valores e mesmo um sentido para a vida. Thomas Mann não escreve para aqueles seres dotados de um algo a mais, um que “heróico”, uma “vitalidade robusta” que consiga um isolamento moral e uma independência do meio e aí sim permita à própria individualidade transcender a época em que vive. Não, Thomas Mann sabe que esses não precisam ser avisados do que ele narra. Ele se dirige ao homem medíocre, àquele que não encontra no seu meio, um sentido para a própria vida. Deixemos que ele mesmo fale:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O indivídio pode visar numerosos objetivos pessoais, finalidades, esperanças, perspectivas, que lhe dêem o impulso para grandes esforços e elevadas atividades; mas quando o elemento impessoal que o rodeia, quando o próprio tempo, não obstante toda a agitação exterior, carece no fundo de esperanças e perspectivas, quando se lhe revela como desesperador, desorientado e falto de saída, e responde com um silêncio vazio à pergunta que se faz consciente ou inconscientemente, mas em todo caso se faz, a pergunta pelo sentido supremo, ultrapessoal e absoluto, de toda atividade e de todo esforço – então se tornará inevitável, justamente entre as natureza mais retas, o efeito paralisador desse estado de coisas, e esse efeito será capaz de ir além do domínio da alma e da moral, e de afetar a própria parte física e orgânica do indivíduo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o tema de fundo do livro, em como este ambiente podre do meio social lesa não só a alma individual como adoece o próprio corpo do homem. O sanatório, nas figuras dos dois médicos, o conselheiro e o psicólogo, dão a exata noção dessas duas doenças do homem. Um cuida do corpo, o outro da alma. O curioso e sensacional é que Thomas Mann tem uma noção exata do tamanho da desgraça do meio em que ele mesmo vive. Porque ele sabe que os médicos da alma cuidam mais de matá-la do que “curá-la”. Daí os evidentes símbolos da vestimenta do psicólogo, do local de seu consultório nas “catacumbas” do sanatório, do seu apego ao inconsciente, ao “paranormal”. Thomas Mann é claro como água. E assim o médico do corpo não consegue fazer mais do que adiar a morte, nunca consegue curá-la. E na maioria das vezes, seu remédio só piora o estado de coisas, pois coloca de vez os doentes fora do tempo da vida. Já o psicólogo “encanta” como um mágico, como palestrante. É o que dá o “sentido” àquela doença, que para ele, vem do inconsciente. É o que retira a responsabilidade de cada doente pela sua própria vida, envolvendo-a com valores invertidos de que é o doente, na verdade, quem tem chances de se curar, de resgatar o “amor perdido”. Thomas Mann não perde muito tempo com esse psicólogo, senão o suficiente para mostrar que ele está sempre por lá, que faz parte da loucura daquela época. Quando ele ganha uma relevância maior, não por acaso é quando Castorp atinge o “fundo do poço”. É o médico que gosta das “trevas”, como dizia Settembrini.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas entremos de uma vez com Castorp neste mundo mágico das alturas. Logo nos primeiros dias, em passagens aqui e ali, percepções de si próprio e conselhos de seu primo e outros pacientes, Hans Castorp já percebe que algo ali é estranho. E percebe isto nele mesmo, quando começa a sentir sintomas esquisitos e sente que seu corpo se “descola” da alma : “eu queria somente dizer que é uma coisa sinistra e penosa ver o corpo levar uma existência própria, independente da alma, e dar-se ares de importância (...)”. Desta percepção, ele tenta encontrar uma resposta, um sentido para esta constatação: “e a gente se esforça por encontrar um sentido nessa coisa; procura-se a emoção indispensável, um sentimento de alegria ou de medo, que as justifique de certo modo(...)”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais além, ele escuta um dos pacientes brincar com um revólver e dizer que se a consciência dele começar a incomodar muito, ele dá um tiro na cabeça e resolve logo o problema. Castorp, portanto, não pode dizer que não sabia onde estava se metendo. Mas ele se entregou a esta coisa sinistra e penosa que ele mesmo percebera e se exalta com as “possibilidades” do local. Chega a dizer que em poucos dias está se sentindo mais inteligente. Ouvindo isto, um dos personagens principais, o escritor Settembrini, também paciente ali, o pede para que se vá embora deste mundo em que se vive na “horizontal”. Castorp desdenha do perigo, não dá ouvidos à sua consciência. Começa então a romantizar a doença e seu estado “humano”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ponto, novamente Settembrini intervém e adverte. Logo mais me aterei a este personagem fascinante e dos mais paradoxais da história, mas por ora, com sua ajuda, estabeleçamos muito claramente como o medíocre Hans Castorp se apresenta e se oferece à degradação. Settembrini percebe esta “tendência a se arraigar no caráter” do jovem e toma para si a tarefa pedagógica de corrigí-lo. Ante a esta tendência de Castorp de ver na doença uma forma de espiritualização (de ascensão à montanha dos deuses), Settembrini avisa: “não me fale da ‘espiritualização’ que pode resultar da enfermidade, por amor de Deus não faça isto ! Uma alma sem corpo é tão desumana e horripilante quanto um corpo sem alma. A primeira é, aliás, uma rara exceção, e o segundo, o mais comum. Via de regra é o corpo que exubera, açambarca a vida e toda a importância, e se emancipa da maneira mais asquerosa. Um homem que vive enfermo é corpo e nada mais, e nisto está o anti-humano, o aviltante...na maioria das vezes não vale mais que um cadáver”. Joachim lembra então que o próprio Castorp disse algo parecido tempos atrás. E isto só confirma a opinião de Settembrini sobre Castorp: “(...)é um diletante do espírito e simplesmente se entrega, à maneira dos jovens talentosos, a experiências com toda espécie de conceitos possíveis.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vimos acima o que diz Thomas Mann quando esses jovens talentosos vivem num meio e num tempo histórico medíocre, que não lhes dá um sentido, não traz esperanças, perspectivas. Isto os paralisa, os adoece a alma e em consequência, a própria vida orgânica. Não havendo um próprio encaminhamento do meio aos jovens para aquilo que os eleva e transcende, que os coloca no rumo de realização da própria missão humana, tais jovens talentosos são como cavaleiros errantes em busca de um reino onde servir. São nômades em busca da sua terra, mas que não sabem onde esta fica. E enquanto isto, quando não se sabe que se tem uma casa, qualquer lugar vira um lar. Numa situação assim, ganha contornos absolutamente imprescindíveis e decisivos, o educador, o pedagogo, alguém que consiga mostrar ao jovem talentoso que nem toda “experiência” é admitida e lhe será benéfica. Concluamos com Settembrini, novamente: “Um jovem de talento não é uma folha em branco, senão uma folha sobre a qual já tudo foi escrito, com tinta simpática, por assim dizer, tudo, tanto o bem como o mal, e cumpre ao educador desenvolver decididamente o bem e apagar, mediante uma influência adequada, o mal que deseje manifestar-se...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Settembrini se arroga o direito de representar esta papel de educador de Hans Castorp, que como já vimos, se entrega à qualquer experiência de conceitos possíveis. É mesmo um diletante do espírito. Mas e Settembrini, seria ele verdadeiramente um educador, um Virgílio a levar Hans Castorp a atravessar o inferno da mediocridade reinante nele próprio ? É claro que não. Se o fosse, não era também um paciente daquele sanatório...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já disse que Thomas Mann não nos esconde nada na narrativa. Não é à toa pois, que no capítulo intitulado “Satã”, Settembrini seja apresentado... mas isto é um paradoxo tremendo no romance, porque Settembrini não é pior do que muitos outros. Se ali havia o dedo do diabo, Settembrini não o encarnava sozinho, nem com a pior parte. Por que então ser chamado de Satã ? Apelo à simbologia, novamente. O símbolo do demônio, do diabo, do satanás, traz inúmeros significados. Cabe ao intérprete, dado o caso concreto, correlacionar a significação correta, dando plenitude de sentido àquele caso. Pois bem, na simbologia cristã, o demônio nem sempre é mau, seja por sua origem ou sua natureza. Mas ele é sempre o anjo que traiu a sua natureza. Me parece que é neste sentido que vemos Settembrini como o Satã da história: aquele que traiu a sua natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que natureza é esta do escritor ? Ora, é ele, mais tarde também “auxiliado” por Naphta, a voz da razão humana contra a degradação do meio social em que vivem. É a voz que conclama a Hans Castorp que não se “entregue” ao seu corpo, dissociando-se de sua alma, de sua consciência. Que não se entregue às “paixões” do corpo e aos desfrutes psicológicos, mas que assuma sua condição de ser racional e cumpra seu dever para com si mesmo. É pela natureza do pedagogo, do guia, do mestre e guru que Settembrini "é" no romance. Nessas alturas, sendo Satã, já sabemos que esta natureza ele traiu. Como e por que ? Deixemos para mais tarde. Por enquanto, basta esta constatação, até porque, Castorp não se deixa influenciar por Settembrini. Melhor dizendo, nem consegue se deixar influenciar. Por que ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor deixarmos Castorp mesmo nos explicar : “no início a gente se escandaliza e experimenta sentimentos de distância, mas de repente ‘intromete-se qualquer coisa completamente diversa’, que ‘nada tem que ver com o juízo’, e logo se acaba a indignação moral, a ponto de as pessoas se tornarem quase inacessíveis a influências pedagógicas de natureza republicana ou eloquente.” O próprio Thomas Mann, no seu caráter pedagogo (mas aqui no verdadeiro sentido desta missão), já nos respondeu naquele trecho inicial o que era essa coisa “diversa”. A falta de sentido, de finalidade no meio em que se vive, paralisa o homem, que fica mediocrizado. E aqui Mann acrescenta de que modo esta falta de sentido se “realiza” no homem, personificado em Castorp. Moralmente, o sujeito deixa de usar o juízo, a razão. E aos poucos, começa a experimentar exatamente aquele tipo de vida que o preocupava antes, de que ele se escandalizava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este paradoxo, este dilema, assim se configura internamente em Castorp, nas suas palavras:“(...)escutava o senhor Settembrini com a finalidade exclusiva de obter da sua consciência plenos poderes que primitivamente não lhe quisera outorgar. Mas, que ou quem é que encontrava do lado oposto ao patriotismo, à dignidade humana e às belas letras, desse lado onde Hans Castorp pensava ter reconquistado o direito de dirigir seus pensamentos e atos ?” Ou seja, Castorp ainda não estava completamente enfermo, para prescindir do juízo. Contudo, dando clara visão de que perdia a luta para o “lado oposto”, que mais tarde trataremos, transferia a função da sua consciência e de seu juízo para Settembrini. Fosse Settembrini um legítimo pedagogo ou não, certamente pouca culpa ele tem em relação a Castorp, pois em nenhum momento este poderia transferir a outrém o seu dever humano de dirigir seus pensamentos e atos conforme a sua consciência racional. E tornando-se cada vez mais medíocre, tinha consciência disto: “eu mesmo deveria, talvez, formar com mais frequência uma opinião própria, em vez de aceitar as coisas como se apresentam”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, é evidente que o tal “outro lado” venceria esta disputa, ficando a razão do sr. Settembrini apenas como adorno “cultural” suficiente para dar uma aparência de vida ao que já estava como um cadáver. E este outro lado personificava-se na figura de Clawdia Chauchat, por quem nosso “herói” se apaixona perdidamente. Thomas Mann deixa claro desde o princípio o quanto esta paixão nada tem de nobre, de edificante. Começa por Hans Castorp odiar Clawdia, que é vulgar, mal educada, o irritando mesmo. Aos poucos, quando Castorp vai “experimentando” aquele tipo de vida, mostra-se bem que quando a ela se habitua e se entrega, o que acontece realmente: invertem-se seus valores. O que ele mantinha distância e o escandalizava, torna-se agora sua razão de viver, aquilo que o irritava, agora o apaixona. O “amor” por Clawdia nada mais é do que o símbolo desta inversão e imersão de Hans Castorp. Não espanta, nessas alturas, que nas suas elucubrações sobre o Tempo, ele confesse que um único aspecto deste, sempre lhe escapava: sua duração real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ponto, Thomas Mann não resiste e reafirma o que vem dizendo desde sempre: “Hans Castorp não teria ultrapassado o prazo preestabelecido para a sua estada ali em cima e nem sequer teria alcançado, nesse ambiente, o dia em que paramos, se a sua alma singela houvesse encontrado, nas profundezas do tempo, uma informação satisfatória quanto ao sentido e à finalidade desse serviço que é a vida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui confesso meu desejo de desistir de Hans Castorp. Não me interessa o mergulho no irreal, no mágico mundo dos prazeres sensoriais e nas enfermidades “dignificantes” do corpo e da busca de respostas no inconsciente. Não me agrada falar de um “amor” corrompido, indigno, símbolo da derrota humana ante o dever da vida. De que adianta trazermos aos nossos olhos, os esforços inúteis de Settembrini, que embora corretos no princípio, não escondem o perigo da semente da “traição” à natureza humana ? Para que dissecarmos o corpo humano, mostrando-nos nele o efeito do veneno da falta de sentido que corrompe a alma ? De que valem aduzirmos à irrealidade do tempo naquelas alturas ? Lembrarmos dos estudos “científicos” de Castorp e do breve desejo de conhecimento que se lhe surgiu ? Para que falar disto, quando o sentido que se dá a tudo isto, a esta busca, está perdido e falto na consciência ? Para que fugirmos do tempo com Castorp, e da nossa própria vida para entendermos como funcionam os enfermos dela ? Não, poupo-me desse sacrifício. Não fico mais um minuto neste sanatório e nesta companhia. Fico por fim, com as palavras do médico Behrens sobre Castorp, as quais assino embaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O senhor sempre quer que tudo seja inofensivo, Castorp. É essa a sua índole. Às vezes não se mostra avesso ao contato com coisas nada inofensivas, mas então as trata como se fossem perfeitamente inocentes, e com isso pensa agradar a Deus e aos homens. O senhor é uma espécie de covarde e de hipócrita, meu caro(...). O senhor quer me importunar e maçar, para que eu o confirme na sua maldita hipocrisia e para que o senhor possa dormir o sono dos justos, enquanto outras pessoas velam e se expõem à tempestade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III - Meu Nome É Legião:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei por demais do homem medíocre, mas é a ele que Thomas Mann se dirigia. Me interessa então, alguém que enfrente a mediocridade reinante, vencendo-a ou não. Chamou-me a atenção assim, três personagens, tão diferentes entre si e tão próximos quanto à derrota de si mesmos. Tratei ainda que preliminarmente, de Settembrini e Naphta, duas faces de uma mesma moeda, a encarnação dos ideais de uma época, de um tempo histórico. Formam os “frutos” da razão do século XX, plantados já há mais tempo do que quando este nascia. O terceiro personagem é o ambíguo Peeperkorn. Comecemos pelo último.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O holândes Peeperkorn, já idoso, aparece no livro unicamente como dotado de uma forte personalidade, que se irradia por onde se encontra, encantando e envolvendo. Sabedor hoje que ser detentor de uma personalidade já é significar muita coisa, interesso-me pelo tipo. Uma verdadeira personalidade é aquela que transcende, de certa maneira, a própria individualidade. É quem, “vencendo” as etapas de vida, se aproxima do verdadeiro destino humano. Ter personalidade é a senha de entrada para o mundo espiritual, para aquilo que transcende e abarca o indivíduo. É o degrau absolutamente necessário para se realmente ser em Deus. Teria realmente Peeperkorn uma personalidade ? Sua ambiguidade deriva exatamente da falta desta resposta. Se Peeperkorn tinha uma personalidade, certamente a estava “perdendo”. Afinal, estava ali tão enfermo quanto os outros. Aliás, nunca nos esqueçamos que tratamos aqui, sempre, de perdedores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltemos ao holandês. Certa altura Thomas Mann adverte que este é um tipo “esfumaçado”, “nebuloso”, e portanto, não nos podemos fiar nem nele, nem em Castorp sobre sua personalidade. Mas é evidente que algo ele tinha. Arrisco o palpite que estamos diante de um daqueles “heróis” que Thomas Mann nos falou logo no início deste texto. De alguém que sabia a falta de sentido da vida vivida pela sociedade em que estava, pela falta de perspectiva do seu meio. Um daqueles que resolveu enfrentar a mediocridade, tornar-se maior do que o seu tempo. Sua entrada na história me demonstra que parcialmente ele assim estava vencendo, mas que algo o retirou de seu bom caminho. Peeperkorn perdeu-se. Neste sentido, me parece que seja um dos personagens mais simbólicos de todo o livro. Três símbolos fornecem todo o arcabouço do significado de Peeperkorn. Primeiro, a águia, que num passeio com alguns de nossos personagens, ele chama a atenção destes para ela, pedindo a ela que descesse e cravasse suas garras na cabeça e nos olhos do homem. No meio tempo, uma cachoeira que visitaram, diante da qual ele faz um discurso inaudível pelos outros. Por fim, o suicídio com veneno de uma das serpentes mais mortíferas, a naja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que modo esses símbolos condensam Peeperkorn ? A águia é a rainha das aves, coroa ela assim toda a simbologia dos estados espirituais superiores, onde se encontram os anjos. Aqui, ela é um símbolo íntegro da força do Espírito Superior, da Divindade. O pedido de Peeperkorn para que ela crave suas garras, aplique sua punição na cabeça do homem, é símbolo claro da falta do homem perante o Espírito. A cabeça tem simbologia deste Espírito manifestado, manifestado no corpo, na matéria. A cabeça do homem de então não tem mais a autoridade de governar o homem, pois não pôde conter a exaltação do corpo diante do Espírito. Eis seu crime. Já os olhos, é símbolo claro da percepção intelectual, da intuição da verdade do mundo e das coisas. Vimos exaustivamente o quanto Hans Castorp não deu ouvidos às suas intuições. Já não tem mais o olho humano o direito de ser o receptor da Luz. Que o Espírito puna o homem, na cabeça e nos olhos. Vê-se pois, que Peeperkorn tem consciência da falta do homem daquela época e da falta dele próprio. Sabe que não é digno do Espírito, aceita e suplica pela punição que o redima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cachoeira em que ele faz seu discurso de “despedida”, tem uma simbologia na história emparceirada com a simbologia da montanha. A montanha é o movimento ascendente ao espírito. A cachoeira é o movimento descendente da atividade celeste, que manifesta suas infinitas possibilidades ao homem. Mas ela vem como símbolo dinâmico, já que uma cachoeira nunca é a mesma, pois o movimento da água sempre a modifica, o que vale dizer que representa ela também a corrente das forças que o homem precisa dominar com vistas a um aproveitamento espiritual. Temos conhecimento suficiente da história para sabermos que tais forças nem de longe foram dominadas por ninguém ali. Peeperkorn novamente parece saber delas e da sua falta para com o Espírito. Seu discurso é de despedida mesmo. Despedida de quem perdeu. Ninguém consegue ouvi-lo e isto é significativo, pois isto tanto pode significar que ali ninguém era digno deste discurso, como também significar uma nova manifestação das forças celestes, impedindo que um indigno fale em seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, a serpente. Não é por acaso que temos a águia e a serpente juntas aqui. Isto porque elas significam inimigos simbólicos. Significam a dualidade entre o Céu e a Terra, a luta entre o anjo e o demônio. A serpente aqui encarna o lado do homem em que a sua razão não tem o menor controle. Pode ela significar os vícios do corpo, do prazer, como vários outros vícios da vaidade. É um símbolo riquíssimo, quase inesgotável. Me basta, nesta história, vê-la como o símbolo da desintegração do homem por ele mesmo, entregue ao seu próprio corpo e suas paixões, em desperdício da sua alma e do Espírito purificador. O vício, enfim, do alcoólatra Peeperkorn. Me parece que ele tinha consciência exata da sua falta, o que demonstra que realmente tivera uma personalidade, no exato rigor do termo. Não por outra razão quis morrer pelo seu vício, simbolizado no veneno da serpente Naja, como se, indigno da morte redentora do corpo humano, abraçasse sua falta inclusive para o além deste mundo. Uma honra às avessas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restam as duas faces da mesma moeda: Settembrini e Naphta. A mesma moeda da razão que imperou durante todo o século XX e ainda hoje. O primeiro com seu amor pelo progresso humano, no sentido material, de progresso das nações, do avanço tecnológico. Um individualista ferrenho, liberal e burguês. Positivista, acredita no poder do homem de comandar todas as coisas. Chama-se a si mesmo de um humanista. Acredita na salvação do homem pelo homem. Condensa Settembrini boa parte das idéias em voga no início do século XX e mesmo depois. Positivismo, liberalismo, capitalismo, industrialização, nacionalismo, O Progresso da Ciência, da técnica, etc.. Nem tudo é coerente, nem tudo é certo, nem tudo é errado. Naphta, um padre jesuíta, é apresentado no capítulo intitulado “Mais Alguém”, em clara valoração por Thomas Mann. A princípio, ele surge como o defensor da tradição judaico-cristã contra o progressismo e materialismo do novo século que desalojando Deus de seu lugar, colocou em seu altar o próprio homem. No fundo, é isto o que defende Settembrini. Mas não demora muito e os reais valores de Naphta aparecem também. O surrado discurso comunista, socialista, travestido com uma roupagem interpretativa das Escrituras suficientemente distorcida, mostram bem quem é Naphta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thomas Mann é brilhante no mostrar quem é na verdade, um verdadeiro comunista. Deturpando os ensinamentos cristãos, antecipando e muito a tal da “teologia da libertação”, vê Naphta que o mundo é dos “pobres”, do proletariado e que a única saída é a revolução, a guerra. Maniqueísta, escolhe o lado do “bem”, com o proletariado, contra o do “mal” com a burguesia. Justifica dizendo que Jesus foi o primeiro desses revolucionários. Não é diferente de Settembrini e desaloja Deus de seu lugar, também colocando o homem no altar. Ainda que ele tenha que ser pobre. Mas a contradição intrínseca do comunista aparece na própria forma de ser de Naphta, que mora em um elegante quarto, com vários luxos. A quem quer tanto louvar a pobreza, a luxúria burguesa em que vive revela muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos se arrogam pedagogos e disputam a alma de Hans Castorp. Nesse ínterim, travam inúmeros debates retóricos, onde na maioria das vezes se confundem as vozes, não se sabendo quem está defendendo o que. Mas ambos perderam a parada para o desleixo de Hans Castorp. Porque ambos só tem uma chance de conquistar Castorp, através do discurso racional, ainda que somente pela retórica e não pela demonstração da verdade. Mas Castorp já havia desistido de pensar, de comandar-se. Entregou-se àquela “enfermidade” da vida. Isto o “salvou” dos pedagogos e ele próprio percebia que ambos tinham seus defeitos. Aqui é Castorp que acaba sendo o lúcido: “esses dois levavam tudo ao extremo, como talvez fosse necessário, quando se queria discutir. Disputavam encarniçadamente em torno das alternativas irreconciliáveis, ao passo que a ele próprio parecia patente que em alguma parte entre essas posições incompatíveis, entre o humanismo retórico e a barbárie analfabeta, devia encontrar-se aquilo que ele, pela sua pessoa, podia reputar de humano.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez Castorp tenha razão e em algum lugar daquele palavreado vazio, encontrássemos o verdadeiro sentido do humano. Mas Thomas Mann, além de expor brilhantemente as contradições internas de cada “partido”, deixa claro que nenhum tem razão. Nenhuma dessas idéias trazia consigo o verdadeiro valor do ser humano. E aqui a simbologia da montanha mágica ganha todo seu significado. Porque quando o homem sobe ao cume, ele o faz para louvar e adorar a Deus. No caso, a humanidade, “refém” dessas idéias nada humanas, se elevava à montanha não para adorar a Deus, mas adorar o próprio homem e seus ídolos (progresso, pobreza, etc...). Neste caso, o símbolo da montanha ganha o contorno de um presságio de um desmoronamento pela soberba do homem. O mundo assim, está prestes a ruir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, a montanha mágica de Thomas Mann nos remete à bíblica Torre de Babel. Esta torre simboliza a confusão. Lá como aqui, o homem presunçoso eleva-se desmesuradamente. Mas é impossível ao homem ultrapassar sua própria condição humana. E é isto que tanto Settembrini quanto Naphta gostariam de ver. Ambos, neste afã de libertar o homem da sua condição humana, que sempre foi precária e continuará sendo até o final dos tempos, acabam transformando o homem num deusinho pedante e orgulhoso, que acredita ser capaz de “salvar” o próprio homem da sua imperfeição. Não é por acaso que a torre de Babel foi construída após um período de progresso da humanidade, no sentido da criação de impérios e grandes cidades. O fenômeno da torre é um fenômeno social. O homem enquanto coletividade se crê capaz de chegar aos céus e transcender sua própria condição. Mas não pela humildade de coração e temor a Deus, e sim pelo orgulho e pela soberba de se crer capaz de ser melhor do que Deus. Mas uma coletividade não é algo de concreto. Quanto mais o homem “sobe” pela própria força, mais cada um tende a se sentir um Absoluto. A coletividade assim, não tendo a Unidade própria de Deus, evidentemente transforma-se em confusão. Os homens já não se entendem, não falam mais a mesma língua. Uns apontam uma direção, outros outra. Tornam-se irreconciliáveis. A tirania do coletivo explode assim em grupos e facções hostis entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sociedade déspota de si mesma, mal percebe que não possui alma e que está fadada à dispersão. Settembrini e Naphta são modelos desta confusão reinante entre os homens. Não é à toa que ambos só conseguem “resolver” suas diferenças através do duelo mortal para Naphta. É um equívoco pensar-se que a contrafação dessas idéias umas contra as outras levaria-nos a um lugar comum onde encontraríamos o verdadeiro sentido do humano. Não. É pela noção principial de que ambas partem da soberba do homem em relação a Deus que ambas devem ser recolhidas à sua (in)significância e analisadas desde outro entendimento e significado. Só existe o humano pelo e no Divino. Fora disto, estamos diante da maledicência demoníaca. Não custa lembrar que no paraíso, a serpente seduziu Adão e Eva pela vaidade, colocando-os contra Deus, induzindo-os a acreditar que poderiam ser mais do que Ele. Chamar settembrini de Satã já não é mais um exagero. E com ele, o “mais alguém” Naphta também lhe faz companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São esses os três “grandes” personagens, ao lado dos medíocres. Com eles, Thomas Mann faz o completo mapeamento da sociedade e das idéias e valores em voga naquele período pré-1ª Guerra Mundial. Tudo que ele viu foi degradação e desesperança. Àqueles que tinham por missão acordar os homens de seu sono vaidoso, não estavam mais acordados do que os próprios medíocres. No fundo, todos estavam no lugar certo: na montanha mágica, onde cada qual dava sua medida para ser mais “humano” do que o seu próximo. O sentido da vida estava ausente, a confusão instalada, mesmo nos círculos “racionais”, cuja missão era o guiamento dos homens. Babel se repetia, mas a torre humana já não queria “chegar” a Deus, e sim “curar-se” dele. Lá como cá, o declínio e a dispersão ocorreram. A 1a, Grande Guerra não foi mais do que a consequência inevitável deste estado de coisas, e com ela fecha-se o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV - Quem Dera Fosse O Fim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Thomas Mann, no fundo, é um esperançoso. Simbolizou a guerra como a um trovão. O Trovão simboliza o poder de Deus, sua justiça e sua cólera. Pode ele representar a ameaça divina da destruição ou o anúncio de uma revelação. A escolha do símbolo não deixa dúvida acerca da esperança e da fé de Thomas Mann na possibilidade de que se revele aos homens os erros que cometeram. Ainda que em consequência da destruição da guerra. Unem-se assim os significados. O trovão que vem para destruir, mas quem sabe também revelar o verdadeiro sentido do humano. É uma esperança. A esperança de Thomas Man: "será que também da festa universal da morte, da perniciosa febre que ao nosso redor inflama o céu desta noite chuvosa, surgirá um dia o amor ?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Viramos o século já, mas essa festa universal da morte só fez se inflamar. A febre nunca foi tão presente quanto agora. Já não se pode dizer que existam Settembrinis, Naphtas ou mesmo Peeperkorns. Inclusive essas grandezas ao avesso se mediocrizaram. O mundo, muito mais agora do que antes, é todo dos medíocres. E a montanha nem mesmo é necessária. Instalou-se na planície e o que era passível de se enxergar como “mágico” e “ilusório”, hoje é o que se apresenta como a “realidade”. Nunca o sanatório Berghof teve tantos pacientes como hoje. Infelizmente.           &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111755430966516084?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111755430966516084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111755430966516084' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111755430966516084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111755430966516084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/05/impresses-de-leitura-montanha-mgica.html' title='IMPRESSÕES DE LEITURA – “A MONTANHA MÁGICA” – Thomas Mann'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111715879769235652</id><published>2005-05-26T22:44:00.000-03:00</published><updated>2005-05-26T22:53:17.710-03:00</updated><title type='text'>Primeiro artigo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Alfredo Votta&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesta minha primeira contribuição para o Oito Colunas, motivada pelo convite que me honra muito, eu gostaria de colocar algumas opiniões pessoais que não costumo expressar no meu blog. Desta forma eu escrevo um texto cuja publicação aqui faz sentido, por ter algo de especial, de diferente, em relação ao que escrevo habitualmente no &lt;a href="http://alfredovotta.outonos.com/"&gt;Imperador da Svolonésia&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim, escolhi um tema que me agrada muito; vem sendo abordado em vários blogs e sites (inclusive neste) e ao qual nunca fiz em meu blog senão raríssimas e brevíssimas menções: a Igreja Católica e o seu atual Papa, eleito recentemente. Prossegui mesmo sabendo que muitos não se interessam, e mesmo que este assunto já tenha sido muito, muito comentado por bastante gente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por coincidência o texto mais recente do André de Oliveira também fala sobre isto, e toca inclusive num assunto que eu gostaria de comentar. Trata-se da parte em que ele diz “Bento XVI admite explicitamente que a verdade não se encontra unicamente no cristianismo”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta visão não se opõe à ortodoxia, a meu ver. A Igreja não se opõe ao que existe de santo e verdadeiro nas outras religiões, para utilizar termos do Concílio Vaticano II, citados na Declaração Dominus Iesus do ano de 2000, assinada pelo então Cardeal Ratzinger e aprovada por João Paulo II. Assim a Igreja afirma que existem coisas santas e verdadeiras nas outras religiões, e que tais coisas não se rejeitam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A revelação de Jesus Cristo, entretanto, é completa e definitiva. As coisas santas e verdadeiras das outras religiões não são coisas novas, alheias ou complementares à Fé; são lampejos da Verdade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não acredito, portanto, ser motivo de apreensão entre os fiéis o fato de os papas recentes andarem se aproximando de outras religiões. É uma aproximação pessoal e de caridade; se João Paulo II beijou o Alcorão, muito bem se observou que nenhum decreto foi emitido obrigando os católicos do mundo inteiro a fazê-lo; tampouco se introduziram doutrinas islâmicas na Igreja. Para ser direto: é necessário confiar no Papa e na sua infalibilidade para assuntos de Fé e Moral.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Além do mais, vejo poucas pessoas mais indicadas do que o próprio Papa para a aproximação caridosa com outras religiões. Se Pedro conduz a Igreja, não é natural que seja ele a ir ao encontro de quem não está nela? Justamente ele, que não falhará, conforme a promessa divina, é que pode se aproximar dos outros; e não eu, que não tenho infalibilidade nenhuma e preciso lutar mil vezes por dia para me manter no caminho correto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É importante lembrar também que João Paulo II e Bento XVI têm falado duramente contra o relativismo, e não há dificuldade em entender, a partir disso, que não se está igualando a Igreja a religião outra nenhuma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Da minha parte, eu insisto na confiança no Papa. E é conclusão óbvia da inteligência que confiar no Papa não é compartilhar seus gostos pessoais, mas segui-lo na Fé.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É fundamental tomar cuidado com as pessoas, tomando emprestada a expressão do André, que “se consideram mais católicas que o próprio Papa”. Eu arriscaria dizer que isto é um sinal quase certo de pessoas que não merecem confiança ou ouvidos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acredito ainda que vivemos numa época feliz no que se refere às pessoas escolhidas para o trono de São Pedro. Não se esqueça de que o Papa seria o Papa ainda que fosse de pouca inteligência, de fraca liderança, pouco piedoso; entretanto, temos visto pontífices que são de grande inteligência, grandes líderes e muito piedosos. Isto torna mais inspiradora a submissão ao chefe da Igreja, e estou certo de que isto é a vontade de Deus; e a gratidão dos fiéis a Ele deve ser ainda maior, porque isto nem sempre foi verdade, não é a regra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Traz alegria e felicidade, no caso de Bento XVI, ver uma pessoa modesta, tímida (como ele próprio diz), amante de livros, afeita a recolher-se a bibliotecas, chegar a uma posição tão importante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O próximo ponto que desejo comentar eu nem precisaria mencionar para muitos leitores; mas a insistência da imprensa é o que me faz não o ignorar. Leio coisas como “Bento XVI terá que dar respostas aos católicos no que se refere a contracepção, casamento homossexual, preservativos” etc., sempre aquela mesma lista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro, acho engraçado uma revista dizer “Bento XVI terá”, como se estivesse passando o dever de casa para ele, colocando obrigações. Nem os fiéis fariam isto (a não ser com muita caridade e humildade, e em situações um tanto extremas), imaginem uma revista laica. Em segundo, as respostas àquelas coisas já estão dadas. A Igreja tem seu posicionamento sobre cada um daqueles itens, e não o mudará.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Poucos dias depois da morte de João Paulo II, vi na CNN (ou na BBC? Já me esqueci) uma jornalista entrevistando um arcebispo (católico) da Inglaterra, se não me engano. Bastante feroz, ela insistia muito com ele em coisas como casamento gay e outras atualidades. Era constrangedor, e uns dias depois eu me lembrei disso ao ler o &lt;a href="http://soaressilva.wunderblogs.com"&gt;Alexandre Soares Silva&lt;/a&gt;, perguntando: como é que essa gente deixa de lado os santos, os mártires, os mistérios da Santíssima Trindade, e só pensa em casamento gay quando vê o Papa?... O tal arcebispo lhe respondia com serenidade e santa elegância. A Igreja não é um clube com estatuto que se mude á vontade, nem que tome medidas para atrair mais sócios. E é um pouco triste ter que dizer coisas desse tipo, óbvias até não mais poder, porque existe gente demais que não sabe, ou pior: ignora isto de modo consciente e premeditado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111715879769235652?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111715879769235652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111715879769235652' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111715879769235652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111715879769235652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/05/primeiro-artigo.html' title='Primeiro artigo'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111689248938161971</id><published>2005-05-23T20:40:00.000-03:00</published><updated>2005-05-23T21:02:45.946-03:00</updated><title type='text'>Verdade, Liberdade e Tradição</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por André de Oliveira&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria muito difícil disfarçar, por isso desisti da tarefa antes de tentar empreendê-la. A verdade é que minha predileção por Bento XVI é notória. Se ainda não é, ficaria evidente neste artigo. Apesar de ter gostado do papado de João Paulo II e considerá-lo como imprescindível para o momento em que vivíamos e em que ainda vivemos, nenhum de seus livros ou encíclicas me empolgaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que foi eleito papa, passei a ler vários artigos, ensaios e homilias do ex-cardeal Joseph Ratzinger. Que maravilha! Em meu &lt;a href="http://andredeoliveira.blogspot.com/2005/05/o-matuto-volta-cidade-grande.html"&gt;blog&lt;/a&gt;, comentei a respeito da primeira homilia oficial, em que ele começa criticando o poder e não o dinheiro, ao contrário do que vinha fazendo a Igreja até então, e de total acordo com o meu texto &lt;a href="http://oitocolunas.blogs.sapo.pt/arquivo/423136.html"&gt;&lt;em&gt;A Igreja em Xeque&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;. Num outro momento – não consegui localizar o artigo -, Ratzinger chega a concordar com a visão que expus de Barrabás, a de um reformador político, para o qual o dinheiro representou apenas o impulso final que desencadeou seu ato de traição, mas que teve como fator motivador, durante todo o tempo, a tentativa de mudar o mundo pela via do poder, opondo-se à visão de Jesus Cristo de transformar o coração dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ensaio &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.arvo.net/documento.asp?doc=20060301d"&gt;Verdade e Liberdade&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, o ex-cardeal explica, de uma maneira simples e inteligente, que a liberdade está ligada à responsabilidade e que somente a verdade pode servir de guia tanto para uma quanto para outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis como considera a visão marxista da liberdade: "o marxismo parte do princípio segundo o qual a liberdade é indivisível, quer dizer, existe como tal somente quando é de todos. A liberdade está unida à igualdade. A existência da liberdade exige, antes de tudo, o estabelecimento da igualdade. Por conseguinte, é necessário renunciar à liberdade com o fim de alcançar a meta da total liberdade. A solidariedade de quem luta pela liberdade de todos é anterior à reivindicação das liberdades individuais. A citação de Marx que serviu de ponto de partida para nossas reflexões nos mostra que a idéia de liberdade sem limites do indivíduo volta a reaparecer no final do processo. Contudo, no presente, a norma é o caráter prioritário da comunidade, a subordinação da liberdade à igualdade e, portanto, a preponderância do direito comunitário em oposição ao indivíduo. Está ligada a esta noção a suposição de que a liberdade do indivíduo depende da estrutura da totalidade e que a luta pela liberdade não deve ser travada para assegurar os direitos do indivíduo mas para modificar a estrutura do mundo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é fácil perceber, é a mesma idéia de Barrabás, apenas um pouco mais sofisticada: usar o poder para estabelecer uma igualdade que criaria um homem novo, o qual seria livre porque não se relacionaria com os demais como o homem antigo, para os quais a realidade fazia com que a liberdade de um limitasse a liberdade do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por incrível que pareça, a idéia de liberdade do iluminismo não é muito diferente. Para este, a liberdade não está ligada à responsabilidade nem à verdade, até porque considera a verdade relativa, opondo-se, quando considerada absoluta, à liberdade. Sobre isto, o atual papa Bento XVI comenta: "na nova sociedade, as dependências que restringem o eu e a necessidade de altruísmo não teriam direito a seguir existindo. &lt;em&gt;Sereis como deuses&lt;/em&gt;. É possível visualizar com bastante claridade esta promessa detrás da radical exigência de liberdade da modernidade. (...) O desejo de ser totalmente livre, sem a liberdade competitiva de outros, sem um &lt;em&gt;a partir de&lt;/em&gt; nem um &lt;em&gt;para&lt;/em&gt; não pressupõe uma imagem de Deus, mas de um ídolo. O erro fundamental de semelhante desejo radical de liberdade reside na idéia de uma divindade concebida como puro egoísmo. O deus concebido desta maneira não é um Deus, mas um ídolo. Certamente é o que a tradição cristã chamará de demônio, o anti-Deus, porque contém exatamente a antítese radical do verdadeiro Deus. O verdadeiro Deus é, por sua própria natureza, um &lt;em&gt;ser-para&lt;/em&gt; (Padre), um ser &lt;em&gt;a partir de&lt;/em&gt; (Filho) e um &lt;em&gt;ser-com&lt;/em&gt; (Espírito-Santo). O homem, por sua vez, é precisamente a imagem de Deus na medida em que o &lt;em&gt;a partir de&lt;/em&gt;, o &lt;em&gt;com&lt;/em&gt; e o &lt;em&gt;para&lt;/em&gt; constituem o padrão antropológico fundamental. Cada tentativa de fugir deste padrão não é um caminho para a divindade, mas para a desumanização, para a destruição do próprio ser mediante a destruição da verdade." E cita exemplos atualíssimos: "a liberdade de destruir a si mesmo ou destruir o outro não é liberdade, mas paródia demoníaca."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que mais me impressionou em todo o ensaio foi o fato do autor ter enfatizado em vários momentos onde se encontra a fonte da verdade: "a razão deve escutar as &lt;strong&gt;grandes tradições religiosas&lt;/strong&gt; se não quiser ser surda, muda e cega precisamente perante o essencial da existência humana." E nesse outro trecho: "quando a verdade deixa de visualizar-se no contexto da apropriação inteligente das &lt;strong&gt;grandes tradições da fé&lt;/strong&gt;, substitui-se pelo consenso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário da moda atual de vários blogs católicos e ortodoxos, o atual papa Bento XVI admite explicitamente que a verdade não se encontra unicamente no cristianismo, mas nas grandes tradições da fé. É claro que ele não considera o cristianismo uma religião como as outras, porque foi fundada pelo próprio Filho de Deus, mas consegue entender que é preciso conservar as outras tradições e protegê-las das deturpações políticas das quais também o cristianismo é vítima. É preciso frisar este ponto porque muitos que se consideram mais católicos que o próprio Bento XVI não compreendem este posicionamento e acabam por fechar os olhos a tudo que não sai diretamente do centro do cristianismo. Serei enfático e insistente: ouçam Bento XVI e abram a razão para as grandes tradições da fé.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111689248938161971?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111689248938161971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111689248938161971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111689248938161971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111689248938161971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/05/verdade-liberdade-e-tradio.html' title='Verdade, Liberdade e Tradição'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111651690031890231</id><published>2005-05-19T12:33:00.000-03:00</published><updated>2005-05-19T12:35:00.336-03:00</updated><title type='text'>Quando o bom caráter não compensa</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Diogo Costa&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberais dizem que “a direita quer ser seu papai e a esquerda quer ser sua mamãe, o liberalismo quer que você assuma a responsabilidade de um adulto”. Concordo. Os conservadores tentam moralizar a sociedade dizendo o que cada um pode e não pode fazer com a própria vida. E os progressistas insistem em proteger os filhinhos das incertezas do mundo. Ambos comungam da completa falta de fé que os indivíduos consigam, sozinhos, acertar as escolhas para a própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que diferente da família, que age por amor, os pais governamentais, por mais bonzinhos que pareçam, definem-se por aplicar coerção legal com o propósito de satisfazer objetivos coletivos. Cada grau de expansão de seu poder corresponde a um aumento proporcional da dependência da sociedade. Os liberais não acreditam nessa expansão compulsória e advogam que os indivíduos sejam emancipados, respondendo pelos seus atos como adultos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os estatistas, tanto de direita como de esquerda, também querem emancipar os indivíduos. Não do Estado, mas da sociedade civil. Pretendem substituir as relações voluntárias que emergem naturalmente por imposições artificiais. A competição do mercado pelo jogo de interesse dos lobistas, os investimentos pessoais pela previdência social, a cooperação pelos programas assistencialistas, a responsabilidade individual pela servidão coletivista. E criam toneladas legislativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa dependência paternal dos indivíduos pelo Estado não consegue atingir nem mesmo as metas originais do Estado. A moralização conservadora falha porque tenta impor valores que apenas seriam legítimos caso as pessoas os aceitassem voluntariamente. E o assistencialismo progressista não faz muito além de atrofiar a economia e impedir a ascensão social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de fracassar nos objetivos tentados, a expansão política ainda produz outros resultados indesejáveis. Para evitá-los, antes de sair expelindo leis por todos os poros, o legislador deveria compreender o funcionamento da realidade. Se os físicos tivessem o mesmo ímpeto e animação dos políticos, teríamos tantas fórmulas inúteis quanto temos leis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como uma teoria científica, a legislação deve estar de acordo com as leis da natureza. É necessário identificar a intenção divina na natureza se quisermos criar um ordenamento jurídico justo e benéfico. A criação possui suas próprias normas que, quando constatadas, permitem ao homem a viver da forma que escolhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor americano David Frum explica em “Dead Right” que aprendemos a agir conforme a restrições naturais: a limitação dos nossos recursos, a observância religiosa, as tradições comunitárias e os riscos de doenças e desastres. E diz que a expansão do Estado, privando os indivíduos de sofrerem os efeitos de sua irresponsabilidade, serve para impedir que a sociedade seja recompensada pelo comportamento virtuoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A natureza ensinou Robinson Crusoe a ser disciplinado, esforçado e prudente se quisesse sobreviver e progredir. São qualidades valiosas para o desenvolvimento de uma sociedade. O homem observa a realidade e com ela aprende como deve se comportar para satisfazer suas vontades. Aprende que precisa ser trabalhador se quiser descansar, estudioso se quiser aprender, frugal se quiser enriquecer, honesto se quiser a confiança e o respeito de seus próximos. A ordem criada por Deus recompensa aquele que age virtuosamente e pune o hábito vicioso. Assim, a formação do caráter depende do bom entendimento da ordem natural, o que não ocorre quando se substitui a ordem natural divina pelas ordens arbitrárias do governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O marxismo é um ideal exemplo de inversão da ordem natural, por tentar anular o interesse individual humano através da coerção estatal. Mas não precisamos nos aproximar do radicalismo comunista para identificar as distorções causadas pela inobservância da política às leis naturais e sua constante interferência na ordem espontânea característica da sociedade civil. David Frum exemplifica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Por que ser frugal quando os cuidados da sua velhice e saúde são providenciados, não importa o quão prodigamente você agiu na sua juventude? Por que ser prudente quando o Estado assegura seus depósitos bancários, substitui sua casa inundada, compra todo o trigo que você conseguir plantar e lhe resgata quando você vagueia numa zona de combate estrangeira? Por que ser diligente quando tomam metade do que você ganha para dar aos desocupados? Por que ser sóbrio quando os contribuintes sustentam clínicas para curar seu vício quando a droga não lhe diverte mais?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A acumulação de virtudes necessárias para o avanço social, como a parcimônia, a honra, a cooperação, a educação, a honestidade e a prudência, torna-se desnecessária quando as recompensas criadas por Deus são substituídas por arranjos artificiais do Estado. Se o governo altera as conseqüências da ação virtuosa, a recompensa não vai para o homem que se preocupa com a formação de seu caráter, mas para aquele que se envolve nos esquemas políticos de seu interesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história mostra que, quando livres, somos ensinados pelos estímulos da ordem natural. Como resultado, a humanidade tornou-se rica e digna. Mas essa mestra sempre esteve duelada pela rebeldia juvenil que acreditava ser mais sábia que a natureza e imune à realidade. Quando os indivíduos são emancipados da responsabilidade de suas ações, permitimos que a sociedade se torne cada vez mais dependente, covarde, deseducada e perdulária. Tornamo-nos crianças sem a desculpa da inocência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111651690031890231?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111651690031890231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111651690031890231' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111651690031890231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111651690031890231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/05/quando-o-bom-carter-no-compensa.html' title='Quando o bom caráter não compensa'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111618593626524473</id><published>2005-05-15T16:31:00.000-03:00</published><updated>2005-05-15T16:38:58.530-03:00</updated><title type='text'>Ceticismo e pensamento crítico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Octavio Motta&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma distorção acerca da natureza do ceticismo, que a da dúvida, não da afirmação negativa. Descrença, não de crença em algo. Parece claro, mas fica confuso. Céticos não podem negar algo sem ter provas. Por exemplo, você pode duvidar a hippie do 303 raspe as pernas sempre escondidas por saias compridas. Mas, salvo levantar as saias para fazer uma, digamos, verificação direta, isso é mera suposição da sua parte. O mesmo vale para quem quiser provar que a moça raspe as pernas. Que prove.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando diante de questões metafísicas, a única posição cética é o agnosticismo. Em outras palavras, não sabe, não conhece. Nem acredita nem deixa de acreditar. Ou qualquer coisa, praticamente. Ceticismo não é propriamente posicionamento absoluto, mas uma posição que a maioria tem em maior ou menor grau em relação a diversos assuntos. Portanto pessoas com diversas crenças e idéias podem ser cético de inúmeras maneiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que todo mundo quer puxar a sardinha para o próprio lado. Então, um grupo resolve se outorgar o monopólio do pensamento crítico. Só quem subscreve sem questionamento as regras faz parte da turma. A aderência sem questionamentos a um rígido sistema de crenças é pré-requisito para se qualificar como pensador crítico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se notar facilmente esse tipo de comportamento, que em geral produz espasmos como esse, enquanto escorre baba pelo canto da boca: “É publico e notório que desde sempre todos sabem com absoluta certeza que todos os religiosos sempre são intolerantes que apelam para autoridade do que outros escreveram, e este fato foi escrito em vários livros.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então você chega, educadamente, aponta alguns erros de lógica. Logo vem a resposta: “Isso é ignorância de quem  não tem pensamento crítico, pessoas como você sempre inventam histórias e fazem afirmações sem provas, vocês são todos iguais e sempre generalizam!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, fica assim. Essas palavras se tornam elogios, sinais de virtude, mas só podem ser aplicadas quem pensa de uma maneira pré-determinada. Em maior ou menor grau, assim também age muita gente que diz ter mente aberta. Quem pensa de modo diferente, tem mente fechada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todo mundo que incorre neste erro, obviamente, o faz de maneira grosseira. Mas freqüentemente jogam coisa que é filosófica, dogmática e não-científica como se ciência o fosse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111618593626524473?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111618593626524473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111618593626524473' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111618593626524473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111618593626524473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/05/ceticismo-e-pensamento-crtico.html' title='Ceticismo e pensamento crítico'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111517546357243662</id><published>2005-05-03T23:55:00.000-03:00</published><updated>2005-05-04T11:41:31.210-03:00</updated><title type='text'>O caminho de volta</title><content type='html'>por Adalberto de Queiroz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu te conhecesse, prezado leitor , poderia dizer-te em alto e bom som: desculpe-me pela ausência, mas como não sei quem és, devo trabalhar como num diálogo interior e escrever aqui o que me vai no íntimo, como se estivesse pensando em voz alta. E se a alguém servir essas linhas para aplainar o caminho, estaria completo o propósito dessa croniqueta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me perguntasse o porquê do meu silêncio, não saberia responder senão com uma palavra: aridez. Quando nos sentimos em momentos de aridez, temos a tendência de achar que Deus nos abandonou. Se você já passou por isso, provou tal desconforto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que não me senti sozinho nessa estação espiritual que, por vezes nos assalta, como viajantes em plena caminhada, justo quando pensamos ter feito os maiores avanços. Há o afeto da amizade e das famílias espiritual e biológica que não deixam sós. Há a leitura e a meditação que torna menos dolorosa a experiência. E foi na leitura que encontrei, nesse período, o místico poeta espanhol San Juan de la Cruz, resume em versos este estado de espírito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Onde é que te escondeste,&lt;br /&gt;Amado, e me deixaste com gemido?&lt;br /&gt;Como o cervo fugiste,&lt;br /&gt;havendo-me machucado.&lt;br /&gt;Saí, por ti chamando, e já&lt;br /&gt;tinhas te ausentado" (1)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na explicação do poema, dada pelo próprio poeta, entendemos que: "se a alma sentir grande comunicação, ou sentimento, ou notícia espiritual, não é isso razão para persuardir-se de que aquela experiência consiste em possuir ou contemplar a Deus, clara e essencialmente; ou para crer que recebe mais de Deus, ou está mais unida a Ele, por mais fortes que sejam tais experiências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Do mesmo modo, não há de pensar que Deus lhe falta, em faltando todas essas comunicações espirituais sensíveis, permanecendo ela na secura, treva e desamparo mais do que na consolação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem usada pelos que descrevem esse estado de espírito ganha sentido quando o poeta expande a secura para a treva e o desamparo. Sujeito a esse estado o homem sente como se lhe faltasse água ou luz, como a um filho a quem faltou o pai, ou como à esposa a quem faltou o amado. Daí, a sensação de abandono de desamparo e de desolação, para a qual a advertência explícita do poeta-místico é de enorme validez: “não há de pensar que Deus lhe falta...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuamente deve o que está se sentido seco, buscar água, no que tratará de exercer o “amar a si mesmo” como de questão de sobrevivência. E assim a Oração tem para o sedento um papel insubstituível. Alceu Amoroso Lima elaborou há 50 anos, nas “Dimensões da vida interior” a definição para meditação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Meditar é aprofundar, pela análise e pela síntese, pela observação e pela comparação, pela aplicação da inteligência e também pela descida ao subconsciente, pelo isolamento e pelo silêncio, pela marcha ou pela imobilidade. Meditar é entrar em si. É deixar que o trabalho misterioso da Graça, em nós, se faça por si, como que independente de nossa vontade e de nossa atenção...Eis porque a meditação exige certas condições exteriores, de silêncio e imobilidade... e certas condições interiores de paz e de despreocupação. (2)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No silêncio se desenvolve com mais fluidez a meditação, porque ao calar ouvimos a voz interior, em busca do oculto no que se leu, no que se vive. Segundo Hugo de São Vítor, a meditação baseia-se no pensamento, sendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"um assíduo e sagaz reconduzir do pensamento,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esforçando-se para explicar algo obscuro,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou procurando penetrar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no que ainda nos é oculto". (3)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hugo de São Vítor, citado em “A Educação Segundo a Filosofia Perene”(III-12) afirma que há três operações básicas da alma racional, as quais constituem entre si uma hierarquia, e que devem, portanto, ser desenvolvidas uma em seqüência à outra. A primeira ele denomina de pensamento. A segunda, de meditação; a terceira, de contemplação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pressuposto de tudo nesse mundo conturbado parece ser mesmo o silêncio, uma das chaves para entrar no castelo interior pela oração. O silêncio prepara o caminho possível que nos leve de volta à Fonte capaz de nos dessedentar. É sábia a conclusão de Josef Pieper sobre o viver em silêncio: “o que se ganha nesse Silêncio profundo é talvez a investidura, a autorização para usar a palavra (...), mas pode acontecer também que o homem que se abre à verdade até o fundo de sua alma perca a palavra...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma dileta amiga cristã encontrou em suas leituras a melhor definição: meditar é como “voltar para casa". Citando Eclesiastes 3:11: "...Também Deus pôs a eternidade no coração do homem sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim", ela prossegue: “o ser humano tem saudades dessa eternidade que Deus pôs em seu coração; o ser humano, por mais ímpio que seja, por mais materialista que se afirme, é uma criatura espiritual, quer o reconheça conscientemente, quer o negue. Mas o seu interior, feito por Deus , sabe: existe um Céu, um 'mundo' diverso deste que nós vemos, e Deus colocou a 'sensação' disto em cada ser humano...Todo ser humano anela por essa eternidade - esse 'algo mais' que muitos, querendo ser modernos e cínicos e sofisticados, negam com os lábios que exista...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo concordar com minha amiga que um dos propósitos do silêncio interior que pode nos conduzir à meditação é “nos levar, ainda que por breves períodos, a essa eternidade que em nós habita. Nos fazer 'retornar' a ela, porque é à ela que pertencemos em verdade - nossa verdadeira casa... o lar do nosso espírito”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido e de forma conclusiva, a carta apostólica sobre a meditação cristã, da Congregação para a Doutrina da Fé, datada de 1989, continua atual quando afirma que “a oração é dom de Deus” e requer “a mobilização das faculdades do homem, o silêncio, o recolhimento, a leitura dos livros sagrados...”. E assim procedendo, como filho na presença do Pai (ou como a esposa diante de seu Amado), o(a) caminhante poderá alegrar-se com a conquista de maravilhas, e estará no caminho de volta pra casa do Pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;+++++&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Fontes:&lt;br /&gt;(1) "Doze místicos cristãos: experiência de Fé e Oração", J.M. Velasco, p.147/8, Ed.Vozes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) “Meditação sobre o Mundo Interior”, Alceu Amoroso Lima, Agir, 1955, p.129.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) “A Educação Segundo a Filosofia Perene” (s/autor), Edição de Cristianismo.org.br.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111517546357243662?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111517546357243662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111517546357243662' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111517546357243662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111517546357243662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/05/o-caminho-de-volta.html' title='O caminho de volta'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111473613370171969</id><published>2005-04-28T21:41:00.000-03:00</published><updated>2005-04-28T21:55:33.713-03:00</updated><title type='text'>Gerardo Melo Mourão: o clássico anti-clássico</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Fabio Ulanin&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discute-se muito as novas diretrizes que deveriam reger nossa literatura. Discussão que tem origens na França da década de 70, pela obra de supostos pensadores como Lyotard e Baudrillard, que trouxeram à tona a chamada produção “pós-moderna”. Da França, espalhou-se pelo mundo a nova façanha intelectual, criando um rótulo cômodo a acomodado para os nossos intelectuais: no “pós-moderno” tudo cabe, tudo é valorado, tudo é possível, como um gigantesco saco de gatos do qual extraímos estéticas e teorias e no qual encontramos justificativa para qualquer absurdo &lt;em&gt;non-sense&lt;/em&gt; que se passa por arte. Claro, não podemos nos esquecer que este movimento apresenta uma faceta que não se ousa revelar: esta discussão filosófica é um modismo como foi o existencialismo de Sartre, como foi o Construtivismo, como foi o próprio marxismo e, enquanto movimento modal, serve para, pelo menos, uma coisa: vender livros e mais livros, em toda e qualquer área de atuação humana - da física quântica à poesia, da sociologia à informática, passando pela lingüística, pelo direito, pela história e pela defesa politicamente correta das chamadas minorias - que existem, mas calma! não é pelo fato de que um escritor é negro, gay ou mulher que ele se torna melhor que qualquer outro. Machado de Assis era mulato, epiléptico, feio e grande escritor, como também o era Cruz e Souza, que perdeu todos os seus filhos e viu a esposa mergulhar tragicamente na loucura; porém a crítica politicamente correta, seguindo o policiamento ideológico do Movimento Negro, afirma que estes dois escritores “negavam” suas origens pelo simples fato de escreverem como europeus brancos! Valora-se assim o escritor pelo seu adjetivo, não pelo substantivo, gerando desta forma uma inversão de valores: algo é bom pelas suas qualidades, e não pelo que &lt;em&gt;de fato é&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixemos o aprofundamento desta discussão para outra oportunidade. O que é apresentado brevemente aqui já se mostra suficiente para tentar, em linhas gerais, analisar o caso de um poeta brasileiro de alto valor: Gerardo Mello Mourão. Nascido em Ipueiras, Ceará, em 1917, este poeta engajou-se no Integralismo de Plínio Salgado, tido como a versão tupiniquim do fascismo italiano; foi professor, jornalista, deputado federal, viveu na Europa, passou pelos Estados Unidos da América, viajou pela China comunista em pleno regime militar brasileiro e apresenta um posicionamento político e ideológico que vai radicalmente contra todo o status intelectual de nossa &lt;em&gt;intelligenzia&lt;/em&gt; política e universitária pautadas no esquema desgastado das esquerdas. Enfim, é um homem rotulado de “direitista” e “reacionário”. É o que basta para ser alvo da maldição que emana dos sarcófagos acadêmicos “pós-modernos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta que cabe é: basta um posicionamento político para fazer um bom escritor? Segundo nossos intelectuais, sim, afinal arte deve(ria) seguir modelos “progressistas” (seja lá o que significa isto) e não pautar-se em valores ultrapassados há muito. Desta maneira, Gerardo Mello Mourão não passa(ria) de um versejador de quinta categoria, não merecendo o menor destaque pelo fato de ter recebido, no ano de 1999, um dos principais prêmios literários brasileiros: o Jabuti, pelo seu poema épico &lt;em&gt;Invenção do Mar&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a verdade, aquela Verdade parte da tríade grega (o Bom, o Belo e o Verdadeiro), é outra: Mello Mourão é poeta, e grande poeta, que resgata os valores clássicos da literatura, na busca incessante de criar poemas que revelem mais do que um modismo: a Poesia na mais alta acepção da palavra, no recorte sensível de uma realidade da qual fazemos parte e não temos olhos para ver. Em outras palavras, o resgate da poíesis, do fazer poético, em confronto imediato com a &lt;em&gt;techné&lt;/em&gt;, a técnica que reproduz este fazer. Basta um pequeno trecho do poema “O que as sereias diziam a Ulisses na noite do mar” &lt;em&gt;(in Cânon e Fuga&lt;/em&gt;, Rio de Janeiro: Record, 1999, p. 9) para notarmos que o alto índice de erotismo existente no poema foge de toda e qualquer pretensão pós-qualquer-coisa da gratuidade sexual encontrada mídia afora:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ninguém jamais ouviu canto igual&lt;br /&gt;ao canto que te canto&lt;br /&gt;escuta: as ondas e os ventos se calaram e a noite e o mar&lt;br /&gt;só ouvem minha voz - a noite e o mar e tu&lt;br /&gt;marinheiro do mar de rosas verdes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;virás: é um leito de rosas e lençóis de jasmim - e ao ritmo&lt;br /&gt;de teu corpo entre a cintura e as ancas&lt;br /&gt;mais o lençol de aromas de meu corpo&lt;br /&gt;em monte de pétalas desfeito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as deusas se entregam&lt;br /&gt;ao amante que um dia possuiu uma deusa&lt;br /&gt;e então todas as fêmeas dos homens&lt;br /&gt;Helenas, Briseidas e a Penélope tua&lt;br /&gt;hão de implorar às Musas - e as Musas e Eros e Afrodite&lt;br /&gt;a volúpia de uma noite contigo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que Mello Mourão nos revela é mais do que o puro erotismo: é a leitura musical do canto da sereia, revisto da &lt;em&gt;Odisséia&lt;/em&gt;, explorado não só como palavra, mas como música pura (o próprio poeta nos afirma que escreve sobre a frase musical “&lt;em&gt;Was sagen die Sirenen als Odysseus vorbei segelte&lt;/em&gt;”, de Ivar Frounberg). Intertextualidade, diriam  os mais afoitos representantes de nossa atual crítica. Poesia pura e verdadeira, diz este obscuro escrivinhador. Se o valor deste poema estivesse apenas no fator intertextual nele encontrado, então poderíamos apenas cogitar uma criatividade mediana. Mas o poema nos propõe um valor além deste: é uma leitura clara do próprio ritmo do verso grego, somado à música (como era a poesia em suas origens) e à oralidade: é um poema para ser cantado, não apenas lido. A recorrência das palavras, através do recurso da repetição (“&lt;strong&gt;as&lt;/strong&gt; ond&lt;strong&gt;as&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;e os&lt;/strong&gt; vent&lt;strong&gt;os&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;se&lt;/strong&gt; calaram &lt;strong&gt;e a&lt;/strong&gt; noite &lt;strong&gt;e o&lt;/strong&gt; mar/&lt;strong&gt;só&lt;/strong&gt; ouvem minha v&lt;strong&gt;oz&lt;/strong&gt; - &lt;strong&gt;a&lt;/strong&gt; noite &lt;strong&gt;e o&lt;/strong&gt; mar &lt;strong&gt;e&lt;/strong&gt; tu”), nos oferece o ritmo adequado do próprio movimento do mar e do mesmo movimento das “ancas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao selecionar a Sereia como voz do poema, Mello Mourão universaliza a sua fala. Nestes tempos de valorização individual, o resgate do universal é um choque que não é admitido pela crítica. O rótulo de “antiquado” é facilmente utilizado pela &lt;em&gt;intelligenzia&lt;/em&gt;, na vã tentativa de desmerecer toda uma cultura, fonte da nossa: a grega, com a visão aristotélica da literatura, tão esquecida e relegada ao segundo plano como algo “ultrapassado” e sem aplicabilidade. Este, talvez, o grande problema: esquecemos as nossas origens e passamos a valorizar apenas o que é “novo”, moldado pelo modismo fácil e digestivo que se volta à mera literatura de consumo. Mas o poeta vai mais além, resgatando o terceto como forma poética apropriada, levando o leitor a um outro universo: o do início da renascença, como no poema IX do Canto III de sua &lt;em&gt;Invenção do Mar&lt;/em&gt; (Rio de Janeiro: Record, 1998, p.117):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E da nau capitânia de Pedrálvares&lt;br /&gt;vamos às armas, às capitanias&lt;br /&gt;hereditárias com seus donatários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terra se amadura em sangues vivos&lt;br /&gt;de visigodos, celtas, celtiberos&lt;br /&gt;portugueses das cepas henriquinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tupis e tapuias e aimorés,&lt;br /&gt;timbiras, tabajaras, potiguaras,&lt;br /&gt;guaicurus, guaranis e goitacazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os negros arrastados dos Benins,&lt;br /&gt;das Angolas, Guinés e Moçambiques&lt;br /&gt;temperam com seu riso e sua dor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a beleza do rosto das mulheres&lt;br /&gt;o braço varonil de seus varões&lt;br /&gt;a alma auroral da raça da esperança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os negros, Abdias - Abdias Nascimento, os negros!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não por acaso o poeta escolhe o terceto renascentista (com &lt;em&gt;terza rima&lt;/em&gt; aproximada): este foi o período de revaloração da épica (com Dante e sua &lt;em&gt;Divina Comédia&lt;/em&gt;; com Camões e &lt;em&gt;Os Lusíadas&lt;/em&gt; - também resgatado em outros cantos do poema, enquanto referência formal -, com a &lt;em&gt;Jerusalém Libertada&lt;/em&gt;, de Tasso, dentre outros) nos moldes clássicos. Assim, soma-se a referência puramente formal com outra, conteudística: a construção do Brasil, fruto das navegações portuguesas, misto de uma série de culturas diferentes mas concordantes. “Visigodos, celtas, celtiberos” são “portugueses” (basta lembrarmos dos textos de Rainer Reihnhardt que tratam das origens do povo luso para comprovarmos o que nos traz o poema) que, somados aos índios da nova terra (“tupis e tapuias e aimorés,/timbiras, tabajaras, potiguaras,/guaicurus, guaranis e goitacazes”) e aos negros vindos das nações africanas (notemos o uso do plural em “Angolas, Guinés, Moçambiques”) irão construir a “alma auroral da raça da esperança” - o brasileiro. Esta miscigenação de raças e culturas gera um Renascimento - o da esperança, o do verdadeiro valor de uma nação, o da Raça como fonte única para a construção do novo mundo, revestido de todo o misticismo profético sebastianista português que vai encontrar continuidade no nordeste brasileiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sebastião! Sebastião! - depois do mar&lt;br /&gt;Sebastião! Sebastião! - no mato adentro&lt;br /&gt;a noite e o dia levam ao destino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e este destino é vê-lo de repente&lt;br /&gt;com seu rosto de Arcanjo e sua espada&lt;br /&gt;a armadura de prata ao sol do trópico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na menina dos olhos sua imagem&lt;br /&gt;no coração - presente o grande ausente&lt;br /&gt;seu nome na garganta e flor da boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raça do mar, gerados pelas ondas&lt;br /&gt;com as raças da terra e de outras terras&lt;br /&gt;iam gerando sua nova raça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sebastião! em todas as partidas&lt;br /&gt;Sebastião! Em todas as chegadas&lt;br /&gt;onde o sertão for mar e o mar sertão.”&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Invenção do mar&lt;/em&gt;, Canto III, poema VIII, pp. 115-116)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova raça é formada, assim, para o cumprimento da Profecia, inevitável como a transformação, também profética segundo Padre Cícero, do mar em sertão e do sertão em mar. Podemos afirmar que este é o poema épico sobre a formação do Brasil no cumprimento do destino de Portugal: a construção da &lt;em&gt;Ilha Brasil&lt;/em&gt; mítica, paraíso na terra, de onde surgirá a nova humanidade. Como épico e resgate dos valores clássicos, não poderia de deixar de explorar a musicalidade do verso - mais uma vez o canto que se abre e se valoriza sobre a palavra poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exatamente por estes dois fatores: o formal clássico e o conteudístico nacionalista, é que a atual crítica rejeita Gerardo Mello Mourão. É mais fácil dar louvores à mediocridade na arte contemporânea - que não coloca em risco nossos juízos de valores acomodados na enfadonha repetição de lugares-comuns na forma de rótulos - do que ter de fazer o esforço intelectivo de encontrar a Beleza, a Bondade e a Verdade, sempre mais exigentes. Além disso, Mello Mourão não compartilha com a “nova onda” da crítica dominada pelas esquerdas, segundo a qual todo e qualquer nacionalismo cheira a comportamento reacionário e manutenção de &lt;em&gt;status&lt;/em&gt; aristocráticos. As esquerdas ainda seguem sua cartilha para cumprir seu objetivo: a destruição dos verdadeiros valores que formam a humanidade. A tentativa da&lt;em&gt; intelligenzia&lt;/em&gt; em destruir um poeta como Mello Mourão através de rótulos fáceis e frágeis é compreensível, pois compreendê-lo significaria ter de assumir um posicionamento frente à realidade despido de dogmas e, desta forma, partir em busca das verdades histórica, estética e filosófica. O que, digamos, não é nada fácil para as mentalidades “pós-modernas” obscurecidas pela retórica politicamente correta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111473613370171969?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111473613370171969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111473613370171969' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111473613370171969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111473613370171969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/04/gerardo-melo-mouro-o-clssico-anti.html' title='Gerardo Melo Mourão: o clássico anti-clássico'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111446769792719057</id><published>2005-04-25T19:20:00.000-03:00</published><updated>2005-04-25T19:21:37.930-03:00</updated><title type='text'>Projeto Pagode</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Maurício Amaral&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Das muitas razões pelas quais eu detesto o pagode talvez uma pudesse ter sido superada. Um grupo de pagode geralmente possui apenas um, no máximo dois cantores que se alternam. Apesar disto, o conjunto conta sempre com mais seis ou oito elementos ridículos que permanecem no fundo do palco fazendo coreografias que consistem, basicamente, em dar dois passos para um lado, uma meia-volta e dois passos para o outro. Costumam usar roupinhas iguais, às vezes fazem que tocam um pandeiro ou uma maraca, e mantêm sempre um sorriso típico de quem ganha dinheiro no mole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia fiquei imaginando que este abuso poderia ser transformado em algo de útil para a sociedade. Pensei, pensei e resolvi procurar um amigo que é produtor de um grupo pagodeiro. Expliquei para ele que o pai de outro amigo meu estava desempregado e pedi para ele um lugar no conjunto, exatamente entre aqueles que não se esforçam muito, já que, afinal, o sujeito já tem sessenta e oito anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo ele não me levou a sério, mas caprichei na argumentação. Mostrei para ele que o velho não teria muita dificuldade em executar as coreografias e, nesta parte, ele até concordou comigo. Em seguida avancei de maneira mais arriscada. Disse que a inclusão de um velhinho poderia atrair uma fatia de público ainda pouco explorada: as velhinhas solteiras, viúvas... e até as casadas insatisfeitas. Aí a conversa começou a degringolar: meu amigo achou um absurdo pensar nas velhinhas babando por um pagodeiro, pensou em sua própria mãe, e até na avó. Ficou bravo comigo e quase era o fim de uma amizade, mas, percebendo o problema, mudei rapidamente de estratégia. Divaguei sobre o assunto, apelei para o gesto social... disse que ele poderia até ir ao governo pedir um incentivo, qualquer coisa como redução de impostos, afinal de contas seria uma iniciativa pioneira na área social, etc. Ele pareceu gostar desta parte, até pensou em voz alta que poderíamos inventar que o velho era abandonado, e eu completei que se a moda pegasse, o governo economizaria com o esvaziamento dos asilos e a novidade poderia interessar à mídia, programas tipo Fantástico, Faustão, Gugu, etc., e até as pessoas que não gostam de pagode, como eu, poderiam passar a se interessar por questões humanitárias. Foi quando estraguei tudo. Não sei por que, mas esta última frase fez com que ele duvidasse de mim. Não consegui mais convencê-lo de que não era uma gozação e, assim, um grande projeto social se perdeu. No final, o velho continua desempregado e eu odiando mais e mais o pagode.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111446769792719057?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111446769792719057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111446769792719057' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111446769792719057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111446769792719057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/04/projeto-pagode.html' title='Projeto Pagode'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111413157358047432</id><published>2005-04-21T21:57:00.000-03:00</published><updated>2005-04-21T21:59:33.586-03:00</updated><title type='text'>Lúcia e Agnes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Flamarion Daia Júnior&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há dor maior do que perder um ente querido. E mais dolorosa será a perda se for definitiva - com a morte de quem amamos. E se este morre em terríveis agonias padecemos duplamente, por um lado por nós mesmos, por outro pelo que suportar mil dores desesperadas na transformação assustadora, embora em si mesma vulgar e muito natural, da carne viva em carne inanimada, através do bem conhecido fenômeno da natureza que chamamos morte. Terrível morte, quase tão ruim para quem a testemunha quanto para quem a sofre, pois tira do sobrevivente uma pessoa amada e em troca dá a certeza de que o homem é um pobre animal frágil e desamparado em um mundo bruto e indiferente às nossas esperanças tanto quanto às nossas angustias. A dor de perder um ente querido para a morte, e de forma dolorosa, é ainda pior que a dor de ter sido abandonado. Afinal o abandonado pode sonhar, mesmo sem muitas esperanças, com a volta daquele que o deixou. Ou pode acreditar que o abandono, no fundo, é melhor para todos os envolvidos, o que não acontece com quem testemunha a morte dolorosa de uma pessoa querida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estes pensamentos, e a dor associada a estes pensamentos, atormentavam Lúcia, que enterrava Agnes. A morte passara a fazer parte da vida delas muito cedo, e Agnes se juntaria ao pai e aos irmãos, deixando Lúcia só naquela aldeia. O Padre que cuidava daquele cemitério a tinha ajudado a cavar, mas Lúcia devia enterrar sozinha a irmã. Isso não exigia muito esforço físico, uma vez que a terra estava ao lado da cova aberta. Mas doía no coração de Lúcia cada pá de terra que jogava sobre o cadáver da irmã. Uma dor angustiada e desesperada, onde se juntavam as lembranças da doença dolorosa da irmã, o medo da solidão a que estava condenada e a certeza de levar uma vida vazia e sem alegria, sem ternura e sem prazer, até que a própria Lúcia fosse depositada em uma cova, como Agnes tinha sido. Lúcia não teria nem mesmo uma companhia ao seu lado, ninguém que pudesse lhe amparar e se esforçar para que sua morte fosse a menos sofrida possível, como ela tinha feito por Agnes. Estava enterrando sua ultima parente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O enterro não foi rápido. Ela teve que parar várias vezes para enxugar suas lágrimas. E, além disso, ela estava fraca. Passara os últimos dias cuidando da irmã, negligenciando sua própria alimentação e deixando de dormir, inutilmente se enfraquecendo na luta vã para tentar salvá-la.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seu choro era quieto, sentido. Não gemia, suspirava, até mesmo por causa de sua fraqueza. Tinha dificuldades para respirar, dificuldades que aumentavam cada vez mais. Talvez estivesse com a mesma doença que Agnes...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não, ela não queria pensar nisso. Não queria morrer como a irmã, cuspido sangue e depois cuspindo cada pedaço de seus órgãos internos, e a cada tosse, junto com o sangue, deixando escapar dolorosas lagrimas de dor... Agnes chorava diferente de Lúcia: Suas lágrimas eram abundantes e gemia alto. Padecera por dez dias. Por dez dias na casa delas só o choro de Agnes pode ser ouvido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agora, a casa estava silenciosa. Estaria silenciosa quando Lúcia voltasse para lá. Seria para sempre silenciosa.&lt;br /&gt;Em certo momento Lúcia olhou para a cova. Percebeu que a irmã já não era visível. A terra já a tinha coberto. Agnes agora era um monte de carne podre, ossos e pelos coberto por terra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um monte de carne podre, ossos e pelos coberto por terra...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lúcia, de repente, sentiu que duas grandes lágrimas rolavam por suas faces.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enxugou o rosto com a manga da camisa. Assoou o nariz com os dedos. Respirou fundo. Chorara já muito na vida. Chorou quando seus pais morreram. Chorou quando seus irmãos e seu noivo se foram daquela aldeia, e chorou mais ainda quando soube que eles estavam mortos. Mas sempre havia a irmã para chorar com ela. As duas se uniam mais e mais em cada momento doloroso, as lágrimas de uma eram também da outra. Agora Lúcia chorava sozinha. Ela parara de jogar terra em volta e agora olhava em volta. Procurava por algo que não sabia definir. Sentia dificuldade em respirar. Ainda estava com a pá na mão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Lúcia, você precisa de ajuda?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela se virou em direção da voz. Era o Padre, o octogenário pároco da aldeia, um respeitável senhor de cabelos completamente brancos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E vendo-o Lúcia descobriu o que sentia: Vontade de ser abraçada. Vontade de ter alguém para enxugar suas lágrimas e limpar seu rosto, como ela e Agnes fizeram uma com a outra em tantos momentos tristes. Mas a irmã estava morta...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Padre se aproximou, preocupado com Lúcia. Não perguntou o que ela tinha. Ele sabia. Agnes tinha sido mais uma vitima das doenças que matavam tantas moças na aldeia. Essas doenças, mais do que do corpo, eram da alma. O que as moças sentiam era a dor da falta de esperanças, a tristeza pela ausência dos pais, dos irmãos, dos noivos e dos namorados. E embora condenasse tanto apego dessas moças às coisas desse mundo, nem por isso podia deixar de sentir pena delas. Lúcia (e Agnes) deveria estar casada, com filhos. Mas seu noivo estava morto...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela devolveu a pá ao padre, se despediu e rumou até sua casa, onde agora morava só. Onde teria o resto da vida para chorar e se lamentar, em sua solidão desesperada. Em perpétuo silêncio. Com suas dolorosas lembranças.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Padre contemplava Lúcia com tristeza. Ele pensava na Lúcia, em Agnes e nas outras moças que morreram ou enterraram suas irmãs mortas durante a semana. A aldeia, vazia de homens, estava cheia de gente fraca: velhos, como o próprio Padre; meninos, que logo seriam chamados para se juntar aos seus pais e seus irmãos mais velhos na guerra, os que ainda tinham pais e irmãos vivos; e moças, como Lúcia, cada vez mais solitárias.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nas arvores do cemitério havia muitos ninhos de passarinhos, e o Padre se sentia triste também quando os olhava. Mas era uma tristeza serena, pois os pássaros faziam o Padre meditar sobre a condição humana. Os ninhos eram uma prova que os pássaros da aldeia eram mais felizes que os seres humanos, pois ainda podiam se casar e constituir família. Por vezes o Padre se sentia desesperado e quase perdia a fé. Afinal, porque Deus negara a pobres moças, como Agnes e Lúcia, o que concedia a passarinhos? Mas logo o Padre chegava a conclusão de que não era realmente culpa de Deus. O problema era que os pássaros eram mais sábios que os seres humanos. Eles não organizavam nações para fazer a guerra contra seus semelhantes, não enterravam seus mortos entre lágrimas angustiadas, não se apartavam do mundo para se dedicarem exclusivamente a suas lembranças e não sabiam o que é a tristeza, este mal n'alma dos homens que enfraqueciam sua saúde e os tornavam vulneráveis às doenças mais dolorosas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111413157358047432?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111413157358047432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111413157358047432' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111413157358047432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111413157358047432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/04/lcia-e-agnes.html' title='Lúcia e Agnes'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111392370140646758</id><published>2005-04-19T12:13:00.000-03:00</published><updated>2005-04-19T12:15:01.410-03:00</updated><title type='text'>Causas e Conseqüências da Perda de Sentido da Vida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por André de Oliveira&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;                       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um dos seus inúmeros livros, Viktor Frankl nos diz : “Hoje a frustração existencial desempenha um papel mais importante do que nunca. Pensemos simplesmente  o quanto o homem de hoje sofre não só com a perda progressiva do instinto mas também com a perda da tradição : na dimensão vital, as missões da vida são determinadas por instintos, e na dimensão social por tradições. Mas, ao homem que foi expulso do paraíso, onde havia abrigo e segurança proporcionados pelos instintos, e especialmente ao homem atual, que além da perda de instintos ficou entregue a si mesmo depois da perda da tradição, não é indicado pelos instintos o que ele tem que fazer nem pelas tradições o que ele deve fazer : a sua busca de sentido ainda lhe diz que ele quer o dever. Mas ele freqüentemente não sabe mais nada o que deva querer. É o vácuo existencial, o vazio interior e a falta de conteúdo, o sentimento de perda do sentido da existência e do conteúdo da vida.”  Aqui se encontram as causas, sendo a primeira a perda dos instintos. Em verdade, esta não é bem uma causa, mas algo intrínseco ao ser humano, que o diferencia dos outros animais. Estes são  guiados pelos instintos, e tudo que fazem depende deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O homem, sendo um animal racional e espiritual, não pode se guiar exclusivamente pelos instintos, pois ele é capaz de julgar e entender as conseqüências dos seus atos. Ou seja, para  o ser humano a pura inocência do animal não pode mais ser aplicada devido a sua própria estrutura ontológica. O próprio Frankl, citando Novalis, explica-nos melhor isso : “no caminho de seu desenvolvimento ascendente, a escada pela qual o homem subiu veio abaixo – já não há volta para a existência puramente animal. Em outras palavras : o puramente natural seria para  o homem o menos natural.” Mais adiante, ele encerra a questão : “a natureza do homem é completamente espiritual, e quando não o é decaiu ao nível do não espiritual, que não pode ser confundida com a não-espiritualidade do animal.” Em síntese : a perda dos instintos é própria do ser humano, e não um defeito. Ela  retira dele a inocência pura dos animais, mas injeta-lhe responsabilidade  e possibilita que ele penetre no campo espiritual e encontre a Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é aí que entra a verdadeira causa do vácuo existencial que assola a modernidade : a perda das tradições. O homem moderno perdeu seu principal guia. Quando separou a inteligência da moral, o homem também separou o espírito da razão. Eles se encontravam unidos nas tradições. Hoje o homem se guia unicamente pela razão, sem entender que ela sozinha, sem uma base onde se sustentar, é  o puro caos.  E essa base é  o espírito.  É ele que faz  o homem perceber a eternidade e a imutabilidade que sustenta a transitoriedade da vida. Enfim, é ele que nos possibilita ter fé em Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A negação da existência de Deus é autocontraditória, ou seja, não crer em Deus é de uma burrice infinita. É fácil provar isso. Sem a imutabilidade e a eternidade para sustentar a temporalidade e o espaço em que vivemos, teríamos de crer que o guia maior do homem é  o próprio homem. Sendo reconhecidamente um ser volúvel e cheio de defeitos, o que um guia desses poderia nos proporcionar ? É por acreditar nele próprio como orientador que o ser humano de hoje resolve tudo em convenções : convenciona-se o que é moral e o que é imoral, o que é certo e  o que é errado, baseando-se nas opiniões de um ser reconhecidamente defeituoso. Não é de admirar que essas convenções mudem constantemente e que a imoralidade de hoje se torne a moralidade de amanhã. Um ser que pretende ter como guia a transitoriedade e  o defeito é um ser que abdica de encontrar a verdade.  Eu não quero dizer que aquele que se guia pelo espírito seja perfeito. O que quero enfatizar é  o óbvio : a busca da verdade tem que tomar por pressuposto a própria existência da verdade. E acreditar na verdade é acreditar numa única verdade, ou seja, não podem existir duas ou mais verdades, pois uma anularia a outra, nem pode a verdade mudar de uma hora para outra, pois também deixaria de ser a verdade. Portanto, a existência de Deus, Verdade única e imutável, não é apenas lógica e necessária, ela é essencial para que o homem acredite nele próprio. Não foi de brincadeira, nem para fazer joguinho de palavras que Henri Muller sentenciou : “o homem que não crê em Deus não existe”. Não há nada mais certo nesse mundo. Só espero que os historiadores do futuro não tenham que descrever uma sociedade que , em  verdade, nunca existiu : a nossa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; Portanto, a perda das tradições, ou seja, a impossibilidade de se guiar pelo espírito, tornou o homem um nada. Não podendo voltar a se guiar pelos instintos, pois a sua condição de ser humano o impossibilita disso, nem podendo ter a Verdade como orientadora, o homem moderno se perde num labirinto de contradições, tendo que buscar consolo na própria transitoriedade da vida. A conseqüência natural disso é a procura contumaz de prazer : o álcool, as drogas, o sexo, a violência, enfim, todas as fontes de prazer passageiras, que fazem do homem um ser inexistente ontologicamente.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111392370140646758?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111392370140646758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111392370140646758' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111392370140646758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111392370140646758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/04/causas-e-conseqncias-da-perda-de.html' title='Causas e Conseqüências da Perda de Sentido da Vida'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111343677788499040</id><published>2005-04-13T20:43:00.000-03:00</published><updated>2005-04-13T21:02:52.536-03:00</updated><title type='text'>Homero e os Pré-Socráticos</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por André de Oliveira&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No livro “ Corpo, Alma e Saúde ”, Giovanni Reale demonstra como era entendido o conceito de alma na Grécia na época de Homero. Deixemos que o próprio autor fale: “ A psyche nos poemas homéricos é a imagem do morto privada de consciência e de iteligência ”, ou seja, “ a psyche não é a idéia da vida enquanto tal, mas a idéia da vida-que-se-vai e particularmente a idéia do morto ”. Não havia a idéia da imortalidade da alma, pois ela não era o eu do indivíduo, mas o que restava dele depois da morte, representando apenas o que ele foi. Por isso a imortalidade só era possível pela lembrança das realizações humanas, dos gestos heróicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois ele nos ensina que os gregos daqueles tempos não tinham a idéia de corpo como algo unitário que representasse o indivíduo. Enquanto vivo, o corpo só era compreendido na sua multiplicidade, ou seja, cada função vital designada na narrativa homérica simbolizava o todo do homem naquele momento. O bater do coração ou o golpe dado com o braço faziam esses órgãos representarem, no momento em que eram enfatizados, o homem por inteiro, isto é, cada parte simbolizava o todo em determinado momento. No dizer de Fränkel : “ O homem identifica-se, portanto, com a sua ação, e se deixa compreender de modo completo e válido pela sua ação; ele não tem profundidades escondidas. [...] O homem homérico compreende-se muito mais no seu agir do que no seu ser. ” O termo “soma” era usado para designar o organismo depois de morto, e só aí era visto de forma unitária, mas justamente por deixar de ter qualquer função. Por isso é que a idéia de corpo como algo único que representasse a imagem do indivíduo só foi possível depois que a alma passou a designar a personalidade de cada um, ou seja, “o ser”, o que só ocorre com Sócrates. Isto significa que a idéia física do homem como um todo só surgiu depois da idéia de alma como, no dizer de Havelock, “ espírito que pensa, isto é, capaz tanto de decisão moral quanto de conhecimento científico, e a sede da responsabilidade moral, algo infinitamente precioso, uma essência única no reino da natureza ”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é uma fase belíssima da história humana, pois precede as conquistas fundamentais de Sócrates, Platão e Aristóteles. É uma época de transição. Os filósofos naturalistas exprimiam muito bem esse aspecto do seu tempo ao tentarem encontrar um elemento que fosse a origem de tudo. Esse empreendimento demonstra que eles já tinham uma visão unificada da natureza, ou seja, já concebiam a multiplicidade do mundo numa unidade, simbolizada como origem. Apesar disso, ainda não possuíam a idéia de consciência, ou seja, não eram conscientes de serem conscientes, por isso não poderia ainda haver conhecimento do tipo científico. Como bem enfatizou Olavo de Carvalho na sua aula 5 - Os Pré Socráticos - , não era bem filosofia o que se fazia naquela época, pois o tipo de conhecimento era mito-poético, mesmo que sua forma de apresentação houvesse passado da narrativa para a de lei geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num determinado instante, essa vontade de ver a unidade na multiplicidade atinge o ápice em Parmênides, quando este enuncia que só existe o Um, negando o múltiplo. Só é possível superar a contradição intrínseca ao pensamento parmenídico quando o Um é visto comO transcendente, o que só ocorre depois da idéia do homem também como ser transcendente, depois de Sócrates e, principalmente, Platão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é incrível nisso tudo é a constante necessidade de conquistas espirituais antes que se pudesse realizar as conquistas físicas, pois o homem não apenas só consegue conceber a idéia de corpo vivo unitário após se compreender como alma transcendente, como não é capaz de alcançar um conhecimento científico antes de se libertar da visão materialista dos pré-socráticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso, o homem moderno despreza todas essas conquistas e avança no conhecimento científico sem compreender que ele só foi possível devido à visão espiritual e transcendente do mundo dos 3 primeiros filósofos gregos. Relegando-os ao esquecimento, arvora-se a elaborar hipóteses para explicar a origem do universo que se aproximam cada vez mais da visão mito-poética dos pré-socráticos. Contentando-se com os resultados tecnológicos propiciados por suas teorias, o ser humano acredita estar no caminho certo, esquecendo-se desta máxima : “ de que servirá ao homem ganhar o mundo inteiro se isso redunda em detrimento da sua alma ? ”. É a verdadeira barbárie dos tempos modernos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111343677788499040?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111343677788499040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111343677788499040' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111343677788499040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111343677788499040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/04/homero-e-os-pr-socrticos.html' title='Homero e os Pré-Socráticos'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111274149619700769</id><published>2005-04-05T19:48:00.000-03:00</published><updated>2005-04-05T19:51:36.200-03:00</updated><title type='text'>Pequenos diabinhos</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por André de Oliveira&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aristóteles definiu o homem magnânimo como aquele que é grande e sabe que é grande, o que corresponderia proporcionalmente ao conceito comum de humilde: aquele que é pequeno e sabe que é pequeno. Mas Santo Tomás foi além e definiu o homem verdadeiramente humilde como aquele que é grande e sabe que é pequeno. É importante frisar que não se trata de inconsciência, ou seja, de não reconhecer o bem que se faz ao mundo e ao próximo, mas de saber que, por mais que se faça, é sempre muito pouco diante da grandeza de Deus. Daí a necessidade da graça. Sem reconhecer esta necessidade, nenhum homem é verdadeiramente humilde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria de nós não se encaixa em nenhum dos dois conceitos. Não somos magnânimos nem tão pouco verdadeiramente humildes. Há os que são pequenos e acham que são grandes e os que são grandes e fingem ser pequenos. Os primeiros são os famosos metidos a bestas e os segundos hipócritas. Mas os piores são os que são pequenos e fingem ser pequenos. São o próprio demônio em pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para estes últimos, qualquer demonstração de conhecimento é sinal orgulho. Pensam que o único objetivo dos que estudam é humilhar o próximo. Gostam de dar palpite sobre tudo, mas quando você prova a deficiência de seus conhecimentos, desistem da discussão, passam a agredi-lo e comparam-no a um tirano que não admite a pluralidade de opiniões. São estes tipinhos que estão destruindo o mundo, conduzindo-o consciente ou inconscientemente às trevas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um deles pode chegar para você e dizer: “Já leu o Código Da Vinci? Vai abrir sua cabeça e mudar sua vida”. Nem experimente perguntar se, antes de ler o tal livro, recém-escrito, ele tentou ler a Bíblia, os escritos de Santo Agostinho, de Santa Tereza, de Santo Tomás. Vai se dar mal. Ele vai achar que você também nunca os leu e está citando-os apenas para humilhá-lo. Ou então vai dizer que nada tão antigo pode conter mais verdades que páginas saídas quentinhas do forno. É do tipo de gente que se orgulha da superficialidade de seu conhecimento e ainda se arvora a dar conselhos. Acham que todos os católicos são  bobinhos que nunca experimentaram tomar novalgina para dor de cabeça nem ponstam para cólica menstrual e, por isso, resolveram recorrer a Deus. Aliás, deve ser por isso que os antigos eram mais religiosos: havia poucos analgésicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ele, que aprendeu cristianismo com Dan Brown, é impossível entender como algo tão fácil de refutar, ainda permanece intacto há mais de dois mil anos. Se ele, que é tão pequeno e tão humilde, pôde perceber isso, como autores renomados foram se deixar levar por tão excelsa bobagem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única forma de sair ileso de uma discussão com um sujeito desses é se fingir de cretino e dizer que tudo tem seu valor, mas que o aconselharia a ler uns livrinhos diferentes, quem sabe alguma coisa de Felipe de Aquino ou do padre Léo. Mas aí já terá vendido a alma ao diabo e não poderá mais se diferenciar dele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111274149619700769?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111274149619700769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111274149619700769' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111274149619700769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111274149619700769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/04/pequenos-diabinhos.html' title='Pequenos diabinhos'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111232119404483649</id><published>2005-03-31T23:01:00.000-03:00</published><updated>2005-03-31T23:09:30.636-03:00</updated><title type='text'>Mundo Escravocrata</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Fabio Ulanin&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estas são as considerações que eu faço, e era bem que fizessem todos, sobre os juízos ocultos desta tão notável transmigração e seus efeitos. Não há escravo no Brasil - e mais quando vejo os mais miseráveis - que não seja matéria para mim de uma profunda meditação. Comparo o presente com o futuro, o tempo com a eternidade, o que vejo com o que Creio, e não posso entender que Deus que criou estes homens tanto à sua imagem e semelhança como os demais, os predestinasse para dois infernos, um nesta vida, outro na outra (Pe. António Vieira, Sermão XXVII da série "Maria, Rosa Mística")&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos em plena escravidão. O mais terrível, o mais absurdo, o mais absoluto terror escravocrata nos ronda e nos cerca, sussurrando palavras doces para fazer-nos dóceis. Somos Schiavos em potência, prontos para que se nos retirem os tubos de alimentação que nos mantém vivos. Somos dominados pelo mais terrível senhor de engenhos que já se teve notícia: a argumentação cientificista que se pretende detentora de um saber absoluto. O que, cá entre nós, é uma contradição: estes mesmos senhores afirmam com todas as letras a relatividade de todas as coisas, já que tudo, absolutamente tudo, depende apenas do meu, nosso, ponto de vista individual e intransferível. Somo Schiavos presos a camas, um tubo enfiado não em nossa barriga, mas em nossos cérebros – e um tubo não para nos alimentar, mas para extirpar aquela parcela que nos faz melhores que alfaces: a alma. Um Schiavo não é humano. Isso já era fato conhecido lá pelos idos do século XVI e arrastou-se até o século XIX, pelo menos, como verdade apoiada por todos os que se consideravam inteligentes e doutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser Schiavo é estar à margem, sem poder de argumentação. É não poder, não conseguir, por não lhes ser permitido, pensar livremente. É ter de obedecer às regras e às normas impostas pela simples vontade de outrem. Ser Schiavo é ter a vida dominada pela vontade alheia – e ser colocado num tronco erístico para apanhar com chicotes conceituais: e sangrar sangue verdadeiro sob os golpes de falsos argumentos. É banal: um Schiavo pode fugir de seu algoz, esconder-se embrenhando-se na mata, fundar uma comunidade de Schiavos seus irmãos – e ainda assim, será, sempre, um escravo. Será caçado, nunca banido; será preso, nunca liberto; será morto, nunca respeitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Schiavo é o menor dos seres, por isso o maior dos entes. O Schiavo atravessa o deserto em busca de sua terra prometida – mas a promessa da vida, e da vida abundante, foi calada pela voz dos senhores, dos novos detentores do poder sobre a vida. Nietszche tinha razão: Deus morreu e fomos nós que o matamos – e quando matamos a Deus, temos a liberdade imoral de imolar nosso semelhante sem sentimento de culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lemos e ouvimos e pronunciamos todos os argumentos do mundo em favor da morte do nosso irmão. Um embrião não tem vida – logo, arranquemo-la com nossas mãos; uma mulher depende de aparelhos para se alimentar – logo decidimos que aquilo que ali vemos não é uma vida digna, e desligamos os aparelhos e deixamo-la morrer aos poucos, de fome, definhando. Quem argumenta dessa forma só pode ter uma atitude coerente: ser favorável aos horrores de Hitler, já que a vida de um judeu vale menos que a de um ariano. Quem defende o aborto e a eutanásia deve, por coerência moral, apoiar os campos de concentração e os fornos crematórios. Não há meio termo. Quem vê no ser um Schiavo não pode se chocar com o assassinato puro e simples sobre os quais temos notícias todos os dias na tv: matar é uma decisão válida, porque individual e relativa; não pode sequer criticar os donos das terras que matam líderes sindicais ou os membros do eme-esse-tê; não pode lamentar os famintos de África nem os fuzilados por Saddam; não tem o direito de erguer sua voz contra a guerra; não pode exigir justiça quando seu filho for assassinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não percebem o mais óbvio, o mais simples, a mais reles das verdades – aliás a única Verdade: somos todos Schiavos à espera de que se nos retirem os tubos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o verdadeiro Schiavo é aquele que, mesmo sem dizer nada, apela, silencioso, pela Vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111232119404483649?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111232119404483649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111232119404483649' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111232119404483649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111232119404483649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/03/mundo-escravocrata.html' title='Mundo Escravocrata'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111202628023576904</id><published>2005-03-28T13:09:00.000-03:00</published><updated>2005-03-28T13:13:27.270-03:00</updated><title type='text'>Arquiteto de bobagens</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Maurício Amaral&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma piadinha acadêmica que diz que o arquiteto é o sujeito que não foi homem o suficiente para ser engenheiro nem veado o suficiente para ser decorador. Lembrei disto, por associação, esta semana enquanto esperava o meu carro ficar pronto na oficina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como de costume, lancei mão das revistas à disposição na sala de espera, várias Contigos e Caras. Eis que em uma delas estava lá uma frase de Arnaldo Jabor, afirmando que o homem não conhece o verdadeiro amor, a não ser quando o perde, de forma que, segundo ele, “só os cornos amam de verdade”. Levando em consideração a quantidade e qualidade das asneiras já proferidas pelo autor, não cheguei a ficar chocado. Ao contrário, a idéia só poderia mesmo ter saído dele ou de um Gerald Thomas da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a existência televisiva do Jabor, aliás, nunca entendi a justificativa. Sim, porque o seu papel de palpiteiro catedrático no Jornal Nacional, Manhattan e toda sorte de programa de entrevistas, deveria estar pretensamente respaldado por algum feito artístico ou acadêmico. Não que isto seja algo positivo, na maioria das vezes é o contrário. Mas é assim que funciona. Por exemplo: atualmente, uma das grandes autoridades em moral, segurança pública, política internacional e direito penal (além de outros temas) é o Adriano. Não sei o sobrenome, mas é o Adriano. Aquele que participou de um Big Broder qualquer e, por isto, tornou-se uma voz a ser ouvida (ainda outro dia ele opinava sobre o julgamento de Michael Jackson em um programa na Bandeirantes). No caso do Jabor, a única coisa que se levanta em sua defesa e por causa da qual ele é denominado “cineasta” é “eu sei que vou te amar” um filme tão ordinário que provavelmente até o Adriano se negaria a comentar. Conta a lenda que há outros filmes, tenho cá minhas dúvidas. E, a julgar pelo mais famoso, não perderia meu tempo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mal sabia eu que pior do que a leitura na sala de espera seria a conta a ser paga pela troca da bomba de combustível. Por isto ainda tive tempo de lembrar dos trejeitos na fala do Jabor, e a sua ridícula tentativa de imprimir ao seu texto (o sujeito ainda escreve!) um estilo sarcástico. Então compreendi o seu segredo: ele não foi homem o suficiente para ser Paulo Francis nem veado o suficiente para ser Glauber Rocha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111202628023576904?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111202628023576904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111202628023576904' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111202628023576904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111202628023576904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/03/arquiteto-de-bobagens.html' title='Arquiteto de bobagens'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111153886207196233</id><published>2005-03-22T20:25:00.001-03:00</published><updated>2005-03-22T21:52:06.186-03:00</updated><title type='text'>O satanismo democrático de Janer Cristaldo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por André de Oliveira&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O senhor Janer Cristaldo, ateu convicto desde os 17 anos, resolveu aprofundar seu ateísmo: tornou-se &lt;a href="http://www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=3465"&gt;ateísta&lt;/a&gt; militante e &lt;a href="http://www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=3391"&gt;anticristão&lt;/a&gt;. Imagino que tamanho progresso tenha sido fruto de uma demorada reflexão, que deve ter consumido todos os seus neurônios e colocado as sinapses em curto-circuito, porque, depois disso, não é mais capaz de distinguir uma maçã de um quiabo. Seu único mérito é conseguir publicar toda essa baboseira num site que faz questão de se gabar de ser um dos poucos a denunciar perseguições a cristãos no mundo inteiro. É realmente um assombro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como dizia, o jornalista já não distingue uma maçã de um quiabo. E provo: confunde as declarações do papa com as de um imperador mundial, que deseja impor sua vontade ao mundo inteiro. E mais, advoga para o sumo pontífice um tribunal civil com punições escritas no Código Penal. O interessante é que, antes de redigir este brilhantíssimo argumento, refutava os católicos que lhe escreveram alegando que aborto é crime, ressaltando que só é crime o que está no Código Penal – e está! – sem se ater ao fato de que o papa não cometeu um único delito previsto na lei em seus pronunciamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como todo bom anticristão, não esqueceu da Inquisição. Colocando-a no ponto mais alto da doutrina católica, identificou como sentimento cristão todo e qualquer desejo de que o inimigo queime no fogo do inferno, para parecer engraçadinho. Declarou que prefere o demônio a Deus, porque este humilha enquanto aquele apenas seduz. Pelo jeito, nunca leu o Novo Testamento, porque ninguém diria isso após triscar os olhos nas descrições das humilhações que o próprio Deus feito carne aceitou sofrer para salvar os homens, inclusive o senhor Cristaldo. Quanta gratidão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos pontos mais fortes do teatrinho é quando o supremo guru do Anticristo se irrita profundamente com a afirmação do papa de que a democracia não pode ser entendida como um valor em si, desligada da lei de Deus. Ora, por que tanta irritação com quem está tão distante? Por que não direciona sua cusparada ao editor do site que publicou suas tolices, já que, não é de agora, concorda com o papa neste ponto, deixando sua posição bem clara, tanto em seus artigos de jornal quanto no livro O Jardim das Aflições?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria porque é mais fácil criticar quem não pode responder? Seria porque sua filosofia chinfrim não daria nem para o começo num debate aberto com Olavo de Carvalho? Não sei e nada posso afirmar. O que sei é que é preciso muito pouco conhecimento histórico para não saber que a moral é um legado religioso. Sem religião, perde-se a moral e, sem moral, a democracia é apenas nominal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há os que afirmam que o Janer é bom nisto e naquilo e que discordam dele apenas neste ou naquele ponto. Não penso assim. Suas críticas à esquerda poderiam ser escritas por qualquer outro liberal. Não fazem falta. E sua visão de mundo em tudo o mais é tão ridícula quanto seus últimos escritos para o Mídia Sem Máscara, incluindo sua indevida &lt;a href="http://www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=3446"&gt;intromissão&lt;/a&gt; na discussão sobre Einstein e Poincaré, risível para quem quer que já tenha estudado o assunto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim como o Janer não simpatiza com o papa, também nunca simpatizei com ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111153886207196233?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111153886207196233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111153886207196233' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111153886207196233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111153886207196233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/03/o-satanismo-democrtico-de-janer_22.html' title='O satanismo democrático de Janer Cristaldo'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111119660807287699</id><published>2005-03-18T22:38:00.000-03:00</published><updated>2005-03-18T22:49:06.853-03:00</updated><title type='text'>O Presente de Saul Gonzaga</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Conto Fantástico &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Flamarion Daia Júnior&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Em minha casa tenho uma bela pintura de um cemitério durante o dia. Esse quadro me foi presenteado por meu amigo Saul Gonzaga, que o herdara de seu pai - e eu não sei de quem o pai de Saul o obteve, mas não há duvida de que o quadro foi pintado séculos atrás, provavelmente no tempo de Rembrandt, ou um pouco antes. O céu é bem azul, a grama é bem verde e as cores foram trabalhadas com maestria, de modo que, no horizonte, como é exibido no quadro, o encontro imaginário entre a relva e o céu parece ser o encontro desse mundo com o outro. Entre os túmulos há algumas árvores retorcidas, sem folhas, negras e sinistras, como guardas em posições ameaçadoras. No céu há uma pequena nuvem cinzenta que se destaca no fundo azul claro, ameaçando chuva – e para mim a nuvem simboliza, justamente, uma espécie de ameaça. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eu coloquei este quadro em minha parede, em um canto obscuro, para não ter muito destaque. Entre muitos quadros, ele quase não aparece para um observador desatento. Prefiro assim. Eu o contemplo às vezes, encantado com sua beleza e também tentando decifrar os mistérios que estão por trás dele. Em tais ocasiões a contemplação dura horas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Em minha casa, desde que o quadro está lá, eu vejo também, em certas ocasiões, uma bela mulher, que também me assusta. Em certas ocasiões, ela presta atenção em meus traços, como se eu estivesse posando para ela. Outras vezes, ela está examinando para os quadros da minha pinacoteca, com seu olhar de especialista. Às vezes ela balança a cabeça em sinal de desaprovação. Quando isso acontece vendo o quadro examinado por ela logo que possível. Folgo em dizer que tais ocasiões são raras e que ela deve se sentir muito feliz com meus quadros por companhia.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Também em certas ocasiões e desde que tenho o quadro eu sinto uma estranha corrente de ar, fria, gelada mesmo, que não pode vir das janelas de minha casa. Hesitei muito antes de admitir a possibilidade de tal corrente vir do quadro, o que só fiz depois de alguns eventos que em si mesmo podem ser inexplicáveis, mas que devo aceitar como reais por serem a explicação de fenômenos maiores. Eu não sei se isso é um bom sinal, um mau presságio, ou algo que acontece, como uma tempestade de neve pode muito bem acontecer no pólo norte, e sem maior influência no meu destino do que essa hipotética tempestade de neve no pólo norte possa ter, por exemplo. Mas talvez seja melhor deixar o leitor julgar e seguir com a narrativa, explicando, ou tentando explicar, as origens de tais fenômenos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Saul Gonzaga era um muito querido amigo, o único que eu considerava capaz de conversar comigo sobre arte. Assim como eu ele tinha uma pinacoteca com muitas pinturas, e nosso maior prazer era admirar e comparar os quadros um do outro, sempre falando de arte. Não havia entre nós nenhum tipo de rivalidade, como acontece com outros colecionadores, não só devido a nossa grande amizade como também porque nossas preferências dentro da pintura eram diferentes, de modo que colecionávamos obras de escolas e estilos distintos, e assim o acervo de um complementava o do outro. Ele era pelo menos 15 anos mais velho do que eu, o que em grande parte explica porque ele tinha, na época, muito mais experiência com leiloeiros e vendedores. Suas lições muito me ajudaram, e ainda ajudam, pois afinal continuo a comprar bons quadros.&lt;br /&gt;Eu não me lembro exatamente quando foi que vi o quadro com que depois meu amigo me presenteou, mas deve ter sido quando eu conheci a pinacoteca do Saul ou logo depois. Por vezes, ao visitá-lo, e me encaminhar para a pinacoteca, eu o via absorto, concentrado no belo mas um tanto sinistro quadro. Sempre tive essa opinião, que atribuía ao fato do quadro representar um cemitério e, mais tarde, à expressão aflita de meu amigo ao contemplar a obra. Provavelmente Saul percebia isso, quando interrompia sua contemplação e notava minha presença, e então ele logo se punha a falar dos outros quadros e outros assuntos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A mulher que eu mencionei anteriormente eu também conheci na casa de Saul Gonzaga: Uma bela mulher a contemplar os quadros de Saul. Loira e de belo porte, delgada e altiva, eu a via um segundo e ela desaparecia no segundo seguinte, me deixando confuso, curioso e assustado. Eu cria, na época, que ela fosse mero produto da minha imaginação demasiada fértil, uma alucinação provocada provavelmente pelas belas imagens daqueles quadros, e não comentava isso com ninguém. Mas devo dizer que junto com o quadro isso contribuía para que eu por vezes me sentisse um tanto assustado e aflito, sem motivo aparente, na pinacoteca de Saul.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A relação entre eu, Saul e o quadro se manteve assim por vários anos. Ele já estava velho e eu já era um homem maduro quando ele me deu o quadro. Saul me explicou que, sendo aquele quadro era um objeto pessoal e não um imóvel ou um investimento, ele poderia dá-lo a mim sem maiores problemas, o que não seria o caso dos demais, pois eles estavam catalogados como peças de sua valiosa pinacoteca e muito incomodaria seus herdeiros se Saul me desse alguns deles. Haveria então uma ação judicial que eu, provavelmente, perderia. Mas aquele quadro não estava catalogado como parte da coleção e, além disso, era uma herança que nunca tinha sido avaliada por um perito, de forma que ele poderia presentear-me com ele sem a ameaça de qualquer tipo de processo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A principio eu nada vi além de amizade naquele gesto. Considerei apenas um presente, sem maior significado, e me senti sinceramente agradecido. Mas eu estranhei quando, respondendo a uma pergunta que já não me lembro qual mas que era uma pergunta relacionada com o quadro, Saul me disse num sussurro onde eu não reconheci sua voz:&lt;br /&gt;- Estou envelhecendo...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;E, mais do que o sussurro, a expressão de Saul me preocupou. Era uma expressão difícil de definir, meio triste e meio assustada. Talvez também um pouco resignada. Mas era óbvio que ele não esperava nada de bom. Claro que perguntei se ele estava bem, e essas bobagens que nos ocorre perguntar quando sentimos que um amigo tem seus problemas e não sabemos de que natureza tais problemas podem ser, mas Saul foi muito evasivo e lacônico. Senti que o aborrecia e não insisti mais.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O quadro do cemitério entrou, assim, em minha casa, passando a ser parte da minha pinacoteca, mas eu não o coloquei de imediato em minha parede. Minha intenção era que o quadro tivesse um lugar de honra, pois um quadro era muito belo, malgrado as sinistras e indefinidas impressões que ele me despertava. Eu o deixei a parte, portanto, decidido a procurar o melhor lugar para ele na primeira oportunidade.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Também foi aquele o primeiro dia em que vi a mulher em minha casa, ou talvez fosse melhor dizer o seu espectro. Ela me apareceu sentada em uma de minhas poltronas, e como sempre desapareceu no instante seguinte, como se alucinação fosse. Assustei-me a princípio, mas logo recobrei a serenidade e, rindo de mim mesmo, pus-me a pensar no que a mulher poderia estar fazendo. A resposta que me ocorreu foi que ela estaria analisando minhas feições e meu corpo. Mas não pude realmente imaginar porque ela estaria fazendo isso. Eu nem mesmo poderia explicar a existência ou não dela. Mas intui que ela deveria ter alguma coisa a ver com o quadro. Só não conseguia imaginar o que.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eu não me lembro se foi no mesmo dia ou no seguinte, mas eu tive um horrível pesadelo. Sonhei que eu estava no cemitério que o quadro mostrava, em um cortejo triste e silencioso que acompanhava um caixão. Todos estavam de preto e eu não reconheci ninguém. Eu senti vontade de chorar, pois me sentia triste por estar naquele cemitério, naquela hora, e pensava na fragilidade do ser humano, e em como é fácil perder a própria vida. Pensava também em como o cortejo apareceria se um artista de talento o retratasse, e lamentei que eu mesmo não tivesse condições de pintar nada que não fosse ridículas aquarelas amadorísticas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Segui o cortejo até a tumba preparada para o caixão. Havia um pastor protestante, totalmente vestido de preto, e várias pessoas estavam a chorar. Alguns dos presentes me olhavam com simpatia, mas eu continuei sem reconhecer ninguém. Então eu me aproximei da tumba e li o que estava escrito: SAUL GONZAGA - PAX. Nesse instante, acordei, agitado e nervoso. E ainda deitado na cama eu vi a mulher de minhas alucinações a pintar e retocar o quadro que Saul Gonzaga tinha me dado. Ela estava concentrada, com um pincel na mão. Sem olhar para mim, se confundia com as pinturas que enfeitavam a parede, e eu não saberia dizer realmente, naquele momento, se ela era ou não uma figura real ou imaginária. Quando forcei a vista para perceber os detalhes da visão, ela tinha desaparecido. “Mas o quadro está na caixa”, eu pensei, e realmente, ao abrir a caixa, eu vi que o quadro ainda estava lá. Mas isso não diminuiu a certeza absoluta de que a mulher tinha realmente acrescentado ao quadro um detalhe, e eu o larguei, com medo de fitá-lo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eu abri uma garrafa de conhaque, pois precisava de alguma coisa que me desse coragem e só havia a disposição a bebida. Minha curiosidade era imensa, mas meu medo era maior e assim permaneceu enquanto eu não bebi metade da garrafa. Estava pálido, e tremia. Mas era necessário que eu examinasse o quadro, o que eu não teria feito sem a ajuda da bebida. Peguei o quadro do chão e, para ter uma visão melhor, acendi todas as velas de um candelabro e coloquei o quadro na parede, em lugar de outro. Mirei-o por várias horas. Examinei cada detalhe, como se fosse a primeira vez que via o quadro. Contei cada galho ressecado de suas árvores negras, e contei cada tumba novamente, concentrando-me na visão como se pudesse ler os nomes indecifráveis escritos naquelas lápides, e poucos minutos depois eu sofri um abalo, que me obrigou a sentar numa cadeira, e logo depois me fez procurar mais bebida, até que esvaziei as duas garrafas de conhaque que tinha em casa. Naquele momento, como até hoje, passei a ter absoluta certeza que surgira uma lapide a mais no cemitério. Sim, eu tinha certeza disso: uma lapide a mais, em um canto um tanto afastado, junto a uma das árvores ressecadas do cemitério, exatamente como eu vira em meu sonho.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A impressão que me causou esta descoberta, somada aos efeitos da bebida, me deixou totalmente alucinado e impressionável, a ponto de me acometer uma grande crise de choro. Creio que tanto chorei que cheguei a beber minhas lágrimas junto com o conhaque, pois passei a ter certeza, sem nenhuma base racional, que meu amigo Saul Gonzaga estava morto. Certamente poderia me consolar, considerando que o que tinha visto era uma base muito fraca. Eu poderia ter me enganado, até por estar bêbedo e por ter acordado depois de um sonho ruim, e por ser uma pessoa de natureza neurótica e impressionável. No entanto, eu não pensei em nada disso e se me fosse possível ouvir uma pessoa argumentar assim eu a repeliria, pois eu tinha certeza absoluta que meu amigo Saul Gonzaga estava morto, tão certo quanto se em vez de uma visão distorcida e um pesadelo eu tivesse sido informado por todas as pessoas confiáveis do mundo, e só me restava, então, chorar, e chorar como um bêbedo louco, o alucinado em que me transformara.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Passei o resto da madrugada e todo o dia seguinte bebendo (pois tinha comprado mais bebida, além das que já tinha em casa) e chorando, a ponto de preocupar algumas pessoas de minha intimidade. Eu só vim a desfalecer depois de um dia e algumas horas. Eu não conseguia articular palavras racionais, pelo que depois me contaram, e ninguém entendia o transe em que me encontrava. Felizmente, pois temo que me achariam louco, ou então tremeriam por sua vez de terror, sobretudo depois de terem a confirmação da notícia da morte de meu amigo, que tive naquela mesma semana. Ele morrera em uma viagem. Aparentemente teve um infarto depois de um jantar. Morrera no mesmo dia em que eu tive o maldito e profético pesadelo, antes que eu dormisse e sonhasse com seu enterro. Minha angustia era correta e acertada, portanto, e meu sonho não me enganara, e eu estava certo em acreditar em sua morte, como eu sempre soube, mesmo quando não havia para isso nenhuma base lógica. Mas eu não podia pedir que ninguém confiasse em mim se mostrasse a mudança no quadro, com uma lapide a mais no cemitério, o que provaria a existência de fenômenos inexplicáveis, porque eu era o único que sabia como era o quadro antes da alteração que o fantasma da mulher loira fizera nele, já que eu era o único que conhecera o quadro antes que dentro dele acontecesse o enterro do meu querido amigo. Todos os que tinham examinado o quadro além de mim estavam mortos, a começar pelo próprio Saul Gonzaga.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Recebi por essa época uma carta póstuma de meu amigo. Ele a tinha escrito, com instruções de só me entregarem depois de morto, e tinha especificado bem que só eu poderia ler a missiva. Nesta carta, em resumo, ele me contava o que sabia do quadro: Que este fora pintado séculos atrás, representando um cemitério vazio. Mas seus donos, uma vez mortos, eram simbolicamente enterrados lá. O pai de Saul o tinha recebido de um amigo cujo nome Saul desconhecia. Mas como poderiam ser enterrados, mesmo simbolicamente, os donos do quadro dentro do próprio quadro? Saul, ao fazer algumas pesquisas, descobrira uma estranha lenda que dizia ser o autor do quadro uma mulher desconhecida. Essa mulher, muito bela, teria sido condenada por feitiçaria no século XVI ou XVII, e aparecera como um espectro na casa do juiz que a mandara para fogueira. O fantasma enlouqueceu o juiz, que terminou sua vida como prisioneiro de um asilo, amarrado junto a uma parede, alternando gritos medonhos com crises de choro.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O quadro deveria ter sido destruído, mas foi roubado por um colecionador, impressionado por sua beleza estranha. Este colecionador foi o primeiro homem a ser enterrado simbolicamente no cemitério. Deixou a seus herdeiros uma rica e bela pinacoteca, que criara, aparentemente, com a assistência do fantasma que por vezes aparecia para retocar o quadro. Sempre houve, entre os homens, pessoas que se consolam das misérias deste mundo e das angústias do outro através da arte. E sempre houve obras de arte que podem ser adquiridas por pouco dinheiro por pessoas com sensibilidade bastante para reconhecê-las.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Esta sensibilidade, aliás, é condição para que alguém tenha o quadro. Um espírito tacanho e indiferente à beleza certamente o destruiria, assustado com suas qualidades sobrenaturais, e o resultado seria que suas angustias piorariam e muito, levando o filisteu à loucura, pois a pintora, obcecada pela obra mesmo depois de morta, não hesitaria em se vingar desse ultraje. Por isso os donos do quadro sempre evitaram que este caísse em mãos erradas antes de morrerem, como Saul Gonzaga tinha feito, ao me presenteá-lo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Felizmente, e isso talvez se deva a influência do fantasma, os donos do quadro sempre encontram pessoas capazes de admirar a profunda ainda que sinistra beleza da pintura, o que não só é tranqüilizante como ainda é oportunidade de um convívio muito agradável. Eu tenho tido a sorte de ser muito amigo de meu futuro genro, namorado de minha filha, uma mocinha muito prendada e disciplinada, ainda que sem sensibilidade para a arte, o que não considero obrigatório para todas as pessoas. Só para àquelas com quem desejo travar amizade, como é o caso de meu genro. Ele inclusive tem uma pequena e bela pinacoteca, e a diferença entre nossas idades é só um pouco maior da que havia entre mim e Saul.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eu sonho eventualmente com o cemitério retratado pelo quadro. Lá está a tumba de Saul Gonzaga, ao lado de várias lápides de nomes indecifráveis. A tumba de Saul Gonzaga é a mais bem cuidada do cemitério, pois eu comprei para o quadro uma rica e bem feita moldura. E quando coloquei o quadro na moldura o efeito foi tão satisfatório que me atrevi a exigir, em pensamento, que o fantasma da bela pintora retribuísse o favor e pintasse para meu amigo a melhor tumba que pudesse. Em meus sonhos tenho tido ao menos o prazer de ver que, apesar do terror que o quadro possa provocar-me eventualmente, esse meu desejo é atendido.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111119660807287699?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111119660807287699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111119660807287699' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111119660807287699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111119660807287699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/03/o-presente-de-saul-gonzaga.html' title='O Presente de Saul Gonzaga'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111084820986586137</id><published>2005-03-14T21:53:00.000-03:00</published><updated>2005-03-14T21:59:31.970-03:00</updated><title type='text'>Estoicismo e Cristianismo: um conflito em Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, de Mário de Carvalho (breve esboço) - segunda e última parte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;por Fabio Ulanin&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A morte é outro aspecto central no romance, também pautada no comportamento estóico. Pôncio Velútio Módio suicida-se entre escombros de sua casa, demolida para a construção de uma muralha de proteção para a cidade; Clélia morre queimada pelo mouros que cercam Tarcisis; Máximo Cantaber morre ao tentar resgatar o corpo de Clélia; Iunia é condenada à morte. Todos morrem, de alguma forma, pelas ações – ou ausência de ações – tomadas por Lúcio Valério: as suas decisões são as que desencadeiam o fim. Mas, levando em consideração o que acabamos de dizer a respeito do conceito de espiritualidade estóico, a morte não representa grande drama – apenas o fim do sofrimento de uma vida; e, se não há, na filosofia acima descrita, preocupação com a alma após a morte corporal, igualmente ela é vista de forma natural, pertencente ao desenvolvimento e às mudanças naturais. A única personagem de quem “não se tem mais notícias”, já ao final do romance e pelas próprias palavras do narrador Lúcio, é Iunia, que teria seu julgamento confirmado em Roma. Não se ter notícias pode ser, aqui, uma representação simbólica deste futuro incerto para a alma cristã.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este breve esboço do conflito entre a visão estóica romana e o cristianismo que surge não estaria completa se deixássemos de discorrer, ainda que brevemente, sobre os frutos destas formas de ver o mundo. Para o estóico, o afastamento dos bens materiais é necessário, na medida em que eles não representam o verdadeiro valor da vida. A matéria é apenas um mal necessário para a racionalização e, neste sentido, comer pouco, beber o suficiente, dormir apenas o necessário, são comportamentos que servem para que o homem olhe para aquilo que realmente interessa: a filosofia, a razão do mundo e da natureza. O estoicismo é uma filosofia da não-ação: não agir é a melhor forma de se conquistar a sabedoria e o conhecimento. Esta uma posição defendida pelo estóico Sêneca: abandona o Senado do Império, retira-se para sua vila afastada de Roma, e ocupa o seu tempo com a única função digna de um homem: pensar&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;. Pensar e ler, afastado das preocupações cotidianas, da esfera política, dos jogos de favores; em poucas palavras: aproveitar o tempo, que é incerto, sem planos futuros, sem esperanças alimentadas. Lúcio Valério, neste sentido, encontra-se numa encruzilhada: por um lado alimenta a admiração por Marco Aurélio, tenta seguir seus passos e seus conselhos; deseja, igualmente, tratar com justiça as questões políticas de Tarcisis, cedendo a cada um o que é considerado correto (mas acaba por ser aclamado tirano da cidade, envolvido numa trama política da qual não quer fazer parte). No entanto, todas as suas ações, tudo o que acontece sob a sua gestão no duunvirato, é resultado de sua incapacidade de firmar sua vontade – ou afirmá-la, o que é o mesmo; assim, Lúcia acaba como vítima se sua própria inação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O cristianismo, centrado em Iunia, apresenta o comportamento oposto. Ao cristão não é dada a permanência, mas a ação e a decisão constantes, a luta pela conversão do outro, seguindo o preceito evangélico de ir a todas as terras levar a palavra. O cristão é móbil por excelência. E seu saber pauta-se essencialmente em um único livro – na revelação da Palavra Divina. Esta ação, esta extrema mobilidade, esta obrigação que o cristão carrega é, para o estóico, uma perturbação da ordem natural das coisas – e, como vimos, se a natureza é a própria razão de ser, perturbar esta ordem significa agir contra a razão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Outros elementos poderiam – e deveriam – ser tratados neste breve esboço. A questão política, igualmente fundamentada no estoicismo, com seus conflitos específicos, nos encaminharia por um novo rumo analítico – Rufo, trabalhador braçal que ascende a alta posição política em Tarcisis, e seu confronto com Lúcio é representativo deste fim de império. A interferência militar dos “bárbaros” mouros e a presença de uma comunidade judaica na cidade nos oferece outro caminho possível. A visão estritamente religiosa dos rituais romanos e cristãos poderia nos elucidar outras tantas questões. Por ora, no entanto, permaneceremos com a questão estóica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Questão que, aliás, tem pleno sentido no romance: se para o pensamento de Lúcio tudo flui interminavelmente, tudo se transforma de modo natural, o que mais esperar senão a mudança definitiva de Tarcisis? A destruição da cidade e a implantação do cristianismo. Este o confronto essencial que encontramos: entre estóicos, romanos da plebe, mouros, lusitanos e cristãos é gerada a identidade de um povo: o povo que virá a ser, dali a séculos, o português.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-----------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Em suas Cartas a Lucílio (Lisboa : Calouste Gulbenkian, 1991), Sêneca escreve ao amigo, antigo companheiro de articulações políticas no Senado: «Reclama o direito de dispores de ti, concentra e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugia das mãos » (p.1) e, ais adiante, «Como é estúpido fazer planos para uma longa vida quando não se é sequer senhor do dia seguinte ! Como são insensatos todos quantos formulam esperanças a longo prazo : hei-de comprar, hei-de construir, hei-de emprestar dinheiro e cobrá-lo com juros, hei-0de fazer carreira na política (...)» (p.554). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Referências Bibliográficas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AURÉLIO, Marco (2001). Meditações. São Paulo: Martim Claret.&lt;br /&gt;CARVALHO, Mário de (1994). Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde. Lisboa: Caminho.&lt;br /&gt;MORA, J. Ferrater (2001). Dicionário de Filosofia. São Paulo: Loyola.&lt;br /&gt;REALE, Giovanni (1994). História da Filosofia Antiga – Volume 4. São Paulo: Loyola.&lt;br /&gt;SÊNECA, Lúcio Aneu (1991). Cartas a Lucílio. Lisboa: Calouste-Gulbenkian.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111084820986586137?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111084820986586137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111084820986586137' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111084820986586137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111084820986586137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/03/estoicismo-e-cristianismo-um-conflito_14.html' title='Estoicismo e Cristianismo: um conflito em Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, de Mário de Carvalho (breve esboço) - segunda e última parte'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-111056366148627999</id><published>2005-03-11T14:40:00.000-03:00</published><updated>2005-03-11T14:58:33.363-03:00</updated><title type='text'>Estoicismo e Cristianismo: um conflito em Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, de Mário de Carvalho (breve esboço) - primeira parte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Fabio Ulanin&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que faz um romance histórico? Pergunta melhor: quais os aspectos principais que compõem a narrativa para que esta seja considerada histórica? A resposta pode parecer óbvia: o romance histórico é aquele que retrata com a maior fidelidade possível uma determinada época, seus costumes, sua forma de expressão, seus movimentos sociais, políticos, religiosos – em uma palavra, é aquele que torna claro o movimento cultural íntimo de uma determinada época. Assim, romances como O Nome da Rosa, de Umberto Eco, que retrata a Idade Média do século XIII, por exemplo, ou qualquer desses inúmeros best-sellers cujo enredo transcorre em terras brasileiras de séculos passados – O xangô de Baker Street, de Jô Soares, ou Boca do Inferno, de Ana Miranda. Não discutimos, por ora, a qualidade dos textos, mas apenas a sua aparente caracterização histórica – e aparente porque acreditamos que a inserção da narrativa, a sua ambientação, o modo pelo qual se expressam as personagens, não são dados suficientes para que possamos definir tal obra como eminentemente histórica. Na maior parte das vezes, na verdade, o fato histórico permanece apenas como pano de fundo para uma narrativa que pouco tem a ver com a época. E, se tem, é de menor importância. No caso do romance de Umberto Eco, a ambientação serve, antes dos crimes misteriosos que ocorrem na abadia, para que o autor crie relações internas do texto com outros textos, num exercício metalingüístico constante; no caso de O Xangô..., ainda que a metalinguagem também seja encontrada, em menor grau, as referências históricas ao Imperador e à corte carioca funcionam muito bem para a brincadeira jocosa que o escritor pretende: a sátira; já em Ana Miranda, as personagens é que oferecem o tom de veracidade do romance, ao encontrarmos, cruzando-se e dialogando pelas ruas de Salvador, Gregório de Matos e Padre António Vieira – e mais uma vez, o exercício metalingüístico, as abundantes citações dos poemas e trechos dos sermões. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Voltemos à pergunta, agora reformulada: estas referências metalingüísticas se mostram suficientes para que classifiquemos determinada obra como histórica? Medidas as proporções de qualidade entre os três exemplos citados, encontramos um ponto comum – e a metalinguagem é um fato casual, no sentido que pretendo dar a esta mínima investigação. Casual, pois que encontramos outros romances, obras diversas, igualmente classificadas sob o rótulo “históricas”, mas que não apresentam este exercício de linguagem: mantêm-se no âmbito das referências à época que retrata de melhor ou pior forma, como Eu, Claudius, Imperador, de Robert Graves, ou Os Demônios de Ludlum, de Huxley. Mas uma coisa todas as obras citadas têm em comum: seja pela linguagem, seja pelo ambiente, seja pela caracterização das personagens, todas partilham da verossimilhança externa à própria obra, seguindo de perto a definição de Aristóteles na sua Poética. A verossimilhança externa é a armadilha que o autor prepara com vistas a seduzir o leitor, capturá-lo em sua trama, mergulhá-lo no tempo passado, fazendo com que ele se sinta inserido e um contexto no qual não viveu, mas alimentando a impressão de que lhe é familiar e conhecido. Há o reconhecimento das referências – e se estas faltam, ou falham, ou simplesmente inexistem, a obra histórica perde a sua força e seu poder de sedução. Ainda assim, o arcabouço referencial, seja qual for, que cria esta armadilha, não passa de um pano de fundo, restringindo-se àqueles dados essenciais para que o leitor recrie, e sua mente, os movimentos, as cidades, as vestimentas, os modos de fala.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta introdução ao que pretendemos desenvolver aqui pode ser longa demais, mas é necessária para que possamos centrar o olhar no romance Um Deus Passeando na Brisa da Tarde, do escritor português Mário de Carvalho. Ainda que o autor afirme que seu romance não é histórico, na medida em que a cidade na qual se desenvolve a trama, Tarcisis, jamais existiu, encontramos as referências, a verossimilhança externa, tanto pelo nomes das personagens (Lúcio Valério é o duúnviro da imaginária cidade de Tarcisis, na Lusitânia do século III; Prosepino, Apito, Iunia, Rufo Cardílio – todos nomes de caráter eminentemente romano), quanto pelas referências às localidades geográficas da península (Ébora é cidade próxima a Tarcisis e, se esta é imaginária, existiu mesmo uma Ébora – hoje Évora; ou ao Estreito de Gibraltar), e pelas referências aos deuses, romanos, lusitanos e de outras culturas (Baco, Apolo, Endovélico, Mitra), sem esquecer do período histórico no qual se desenvolve a narrativa (o século II d.C., durante o governo do Imperador estóico Marco Aurélio). Tudo contribui para que o leitor sinta-se completamente imerso no ambiente e, por conseguinte, acredite em Tarcisis e suas personagens. No entanto, há uma referência que guia toda a narrativa – e que vai além das simples referências exteriores à obra: a filosofia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O pensamento filosófico do período da decadência de Roma preenche toda a narrativa, a cada página. Não é apenas um pano de fundo, mas arriscamos a afirmação de que é ela, a filosofia estóica, marcada pelo comportamento de Lúcio Valério e pela presença constante do Imperador Marco Aurélio (seja na forma do busto presente na repartição pública de Tarcisis, ao qual o duúnviro se abraça, seja pela presença física, na rememoração de um passado ainda mais distante, quando do diálogo entre Lúcio e o Imperador, em Roma), último representante do estoicismo e autor das Meditações, um guia de comportamento moral para os homens – públicos, principalmente –, afirmamos que é esta filosofia, como dizíamos, que conduz a narrativa e seus conflitos. Conflitos que se expandem para uma esfera muito além da cultural, já que os confrontos entre romanos, mouros, judeus e cristãos são marcados fundamentalmente pela questão religiosa – ou teológica, que parece ser um conceito mais apropriado para o contexto da obra. Para melhor percebermos este encaminhamento estóico, devemos nos recordar o que afirma esta filosofia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Segundo Ferrater Mora, em seu Dicionário de Filosofia&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;, o período conhecido como estoicismo novo ou imperial, característico dos séculos finais do Império Romano, apresentava uma índole marcadamente moral e religiosa, apresentando, também, um caráter enciclopédico. Sua visão é materialista, racional e determinista, fundamentando-se, sua concepção de mundo, na realidade física. Em outras palavras, “para o estóico o mundo é essencialmente corporal”, e o universo é “um composto de elementos reais e racionais – logoi –; suas diversas partes se mantêm unidas graças à tensão produzida pela alma universal que tudo penetra e vivifca”. Esta alma é, também, material, assim como a concepção de Deus. Impossível, para um estóico, imaginar a transcendência da matéria – e daqui um dos motivos, senão o motivo principal, para os conflitos com a cosmovisão cristã, pautada principalmente na idéia transcendental de imortalidade da alma – puramente espiritual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O elogio à racionalidade do cosmo se revela no caráter enciclopédico do conhecimento humano. Saber mais significa aproximar-se de uma natureza divina – e divina por ser, ela também, racional. Este o motivo das referências constantes a livros e a autores no decorrer da narrativa, assim como ao ato de leitura: Lúcio afirma que lê e rele seus livros (p.13); que, ao se propor uma determinada obra, a persegue até o fim (“Propus-me um livro? Há que lê-lo”, p. 15); cita Hesíodo, Virgílio, Magão e seu tratado sobre a lavoura, Demóstenes, uma obra intitulada Tyrrenika – todo um universo de leituras que forma o seu universo de conhecimento, a sua visão do mundo e da natureza. O enciclopedismo é mais do que o gosto pela erudição – é o conceito de que os livros podem explicar, como explicam para a mentalidade estóica, o mundo e seu funcionamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O materialismo, o realismo e o determinismo afetam diretamente a compreensão do comportamento humano. A ética estóica pretende que o homem deva viver conforme a natureza, isto é, conforme o natural, na medida em que a natureza é racional em si. Deixemos a palavra com Mora:&lt;br /&gt;“A felicidade radica na aceitação do destino, no combate contra as forças da paixão que produzem a intranqüilidade. Ao resignar-se com o destino, o homem também se resigna com a justiça, pois o mundo é, enquanto racional, justo. [...] O mal consiste no que é contrário à vontade da razão do mundo, no vício, nas paixões, na medida em que destrói e perturba o equilíbrio.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Notamos aqui o cerne do conflito entre Lúcio Valério e Iunia. O governador da cidade não pode – não consegue – aceitar uma doutrina religiosa que vá além do natural. A vontade do mundo, afinal, é, para esta filosofia, a do contínuo dinamismo de todas as coisas, e não da permanência eterna. O conceito, filosófico, torna-se religioso: para o pensamento romano, assim como o foi para o grego, os deuses assumem formas diversas – e todos os deuses, por mais móveis que sejam em suas formas e em suas vontades, têm lugar no panteão sempre crescente. Aliás, este um fato que garantiu, por mil anos, a supremacia do Império: os deuses locais eram facilmente reconhecíveis e adaptáveis para as necessidades da romanização. Não esqueçamos que a irmã mais nova de Iunia, Clélia, visita o templo de Endovélico, o deus-javali dos lusitanos. Os deuses apresentam, inclusive, suas próprias vontades, muitas vezes intransigentes – e, neste sentido, o homem é, simplesmente, dominado. Não se tem o conceito de livre-arbítrio, apenas o do destino a ser cumprido, de modo inexorável. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para o cristão, por outro lado, o conceito de Deus, mesmo neste princípio de cristianismo, é o da imobilidade e da eternidade. Um Deus, único, que dá, em princípio, a liberdade de escolha do fiel. Um Deus, inclusive, que promete a eternidade espiritual do homem, fato que se choca com a idéia materialista (e pessimista) do estoicismo romano. O homem pode escolher o seu destino, na medida em que age com seu livre-arbítrio – a salvação ou a condenação independem da vontade divina, o que é o mesmo que afirmar que não há um destino traçado desde o princípio da vida humana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, não há uma preocupação, para o estóico – e de modo fundamental para Marco Aurélio – com o destino da alma humana após a morte. O Imperador romano mantém-se rigorosamente preso à doutrina de seus antecessores: “a sorte da alma depois da morte não entra na decisão acerca do sentido da nossa vida; o dever moral se impõe por si, absolutamente, e tem em si mesmo o próprio telos”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;. Ainda que Marco Aurélio se aproxime do pensamento cristão no que respeita ao modo pelo qual o homem deve dirigir a sua vida (caridade, amar ao próximo, agradecer a Deus, reconhecer que depende de Deus etc.), sua postura para com os cristãos é de puro estranhamento. Não compreende, de modo algum, a razão pela qual o fiel se entrega à morte com alegria, julgando, inclusive tal comportamento como teimoso, ou, como ele mesmo escreve em suas Meditações:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Que alma está preparada para, a qualquer momento, desligar-se do corpo, extinguir-se, dissipar-se ou entrar noutra existência? E ao dizer ‘preparada’, entendo que o seja por juízo próprio, não por pura teimosia, como os cristãos, e sem fazer tragédia, porém com dignidade, para que seja convincente o exemplo dado”.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;Este, inclusive, o comportamento de Lúcio frente a Iunia. Não compreende como uma mulher, representante da alta aristocracia romana, pode escolher ser presa com seus companheiros cristãos e, ainda por cima, entoar os cânticos de louvor enquanto todos caminham, de braços dados, em direção à prisão e à posterior condenação à morte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; MORA, J.Ferrater (2001). Dicionário de Filosofia. São Paulo : Loyola, pp. 913-915.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; REALE, Giovanni (1994). História da Filosofia Antiga, Vol. IV. São Paulo : Loyola, p. 120.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=10509539#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; AURÉLIO, Marco (2001). Meditações. São Paulo : Martim Claret, p. 108. &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-111056366148627999?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/111056366148627999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=111056366148627999' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111056366148627999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/111056366148627999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/03/estoicismo-e-cristianismo-um-conflito.html' title='Estoicismo e Cristianismo: um conflito em Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, de Mário de Carvalho (breve esboço) - primeira parte'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-110997673817792252</id><published>2005-03-04T19:50:00.000-03:00</published><updated>2005-03-04T19:54:36.316-03:00</updated><title type='text'>Pegando no pé do Papa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Rodrigo R. Pedroso&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz algumas semanas, meu estimado amigo André de Oliveira publicou, aqui no Oito Colunas, o artigo "A Igreja em xeque", e pediu-me que eu fizesse algumas considerações. Na verdade, eu mesmo queria muito emitir alguma opinião sobre o texto, e disso fui impedido, não apenas por uma vida anormalmente assoberbada de ocupações, quanto pela espera do momento oportuno e, em especial, das palavras oportunas, dado o receio que eu tinha de dizer algo que pudesse desagradar um amigo que tenho em tão alta conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No artigo a que me refiro, o autor parte do filme "Jesus de Nazaré", de Franco Zefirelli, para distinguir, entre os judeus da época de Jesus, três diferentes posicionamentos: aqueles que se acumpliciam com a dominação romana, os que pretendem libertar o povo de Israel através de uma revolução violenta e da tomada do poder político, e aqueles que seguem a via de transformação interior e espiritual ensinada por Jesus. O autor do texto entende que o mundo continua dividido nesses três grupos, e que a Igreja é chamada a decidir se quer pertencer ao terceiro ou ao segundo. Deplora, ainda, o fato da Igreja aparentemente estar mais preocupada com a cobiça do ter, do que com a ambição do poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo dizer, todavia, que a riqueza e o poder não se contrapõem, mas pertencem ao mesmo gênero. Ter muito dinheiro não deixa de ser uma forma de ter poder -- "O rico manda os pobres, e o que toma emprestado torna-se escravo do que lhe empresta" (Prov 22,7). Desculpem-me pela indelicadeza da expressão, mas o fulano que é rico só não tem poder quando é muito burro. E se o fulano é rico, mas é burro, logo um mais esperto (não necessariamente um mais forte) poderá lhe tirar toda a riqueza. Ademais, não há como organizar qualquer movimento revolucionário, sem ter dinheiro para financiá-lo -- o que mostra a falácia de todas as revoluções promovidas em nome dos "pobres". O poder acompanha a riqueza, assim como a riqueza acompanha o poder. E, acima deles, está a inteligência. O fulano pode ser rico e poderoso, mas, se for burro, isso nada lhe adianta e, a curto ou longo prazo, perderá tanto o poder e a riqueza: "Às vezes sai um do cárcere e dos ferros para ser rei, e outro que nasceu rei acaba na miséria" (Ecl 4,14).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De modo que não considero distintas a cobiça do ter e a do poder. Ambas, na verdade, tendem ao mesmo objeto: o avarento acumula dinheiro porque isso lhe dá poder; quem cobiça o poder muitas vezes o faz para controlar a riqueza alheia. Não se pode dizer, portanto, que o desejo de poder seja pior ou melhor que o desejo da riqueza. Vale lembrar, também, que Judas não traiu Jesus por poder, mas por dinheiro, e que ele já tinha há muito um pendor especial pelo vil metal nos é informado pelos Evangelhos, que contam que ele "era ladrão e, tendo a bolsa, roubava o que se lançava nela." (Jo 12,6)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o problema não está no poder nem na riqueza, mas no seu desejo imoderado e desordenado, que nasce, penso eu, da falta da humildade. Os leitores provavelmente não sabem, mas o autor destas linhas já militou na esquerda, no final da adolescência e no começo da juventude. Talvez o tenha feito por contraposição ao meu pai, que sempre foi um homem de posições bastante conservadoras. O fato é que sair da esquerda e libertar-me de seus preconceitos foi um processo relativamente longo e doloroso, que passou pela leitura das obras de Olavo de Carvalho, pelo aprofundamento no estudo do Magistério da Igreja e pela experiência concreta e decepcionante no movimento estudantil. Todavia, a ruptura definitiva com o socialismo me veio mesmo quando ouvi, numa aula sobre Sto. Tomás de Aquino, uma frase do Angélico Doutor: "É sinal de presunção, e não de sabedoria cristã, querer colocar-se acima dos outros para lhes fazer o bem". Esta frase foi, para mim, como uma sentença condenatória, um soco na alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam bem que o Aquinatense não reprova nem o poder, nem a riqueza, mas a presunção de que somos melhores que aqueles que os detém. Afinal de contas, se o fulano quer mesmo fazer o bem, ele não precisa ter poder sobre ninguém, nem tampouco de riquezas -- "Ninguém é tão rico que não careça dos outros, ninguém é tão pobre que não possa, em alguma coisa, ser útil a outrem", dizia o Papa Leão XIII (Encíclica Graves de Communi, 22). O Evangelho não coloca óbice algum contra quem queira trabalhar para um mundo melhor, só impõe a condição de que, se o fulano quer mesmo melhorar o mundo, que comece de onde ele está, na posição social em que ele se encontra, com os meios de que ele atualmente dispõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir da frase de Sto. Tomás, gostaria de tecer alguns comentários também ao artigo de Armando Valladares, "João Paulo II, Cuba e um dilema de consciência", publicado no portal Mídia sem Máscara, em 17 de janeiro deste ano (http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=3220). Para quem não conhece, Valladares é o autor do livro "Contra toda Esperança", em que narra os 22 anos que passou como preso político do regime cubano, e cuja leitura a todos recomendo. Todavia, no artigo citado, Valladares lamentavelmente deu um exemplo daquilo que, segundo Sto. Tomás, não se deve querer fazer: colocar-se acima dos outros para fazer o bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No artigo a que me refiro, Valladares procura fazer crer que o reconhecimento de aspectos positivos do regime cubano, por parte do Papa, levaria os católicos cubanos a um suposto "dilema de consciência". Trata-se, evidentemente, de uma tempestade em copo d'água, uma vez que a Igreja não mudou seus ensinamentos a respeito do comunismo, nem o Papa negou aos católicos cubanos o direito de se opor ao regime. Não cabe ao Papa derrubar governos, e se os cubanos não o fazem, o Papa deve procurar manter relações amistosas com o governo estabelecido, seja ele qual for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fico imaginando o que Valladares quer que o Papa faça. Convocar todos os cubanos para uma guerra santa contra Fidel? É, por acaso, esse o papel do Papa? Que consequências acarretaria, para o povo cubano e a Igreja em Cuba, um pronunciamento imprudente e mais atrevido do Papa contra o regime? O Papa está fazendo o que ele pode: já que o Valladares não consegue tirar o barbudo de lá, vamos pelo menos tentar fazer amizade com o homem, para ver se conseguimos salvar alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, é muito fácil para o Sr. Armando Valladares fazer-se crítico e juiz dos atos do Papa, estando bem seguro em seu exílio norte-americano. O difícil é estar na pele do Romano Pontífice, responsável pela Igreja no mundo inteiro, e não somente em Cuba. Na verdade, é difícil exercer o poder. Como dizia Platão, "se surgisse uma cidade de homens bons, é provável que nela se lutasse para fugir do poder, como agora se luta para obtê-lo" (A República, Livro I, p. 30. São Paulo, Nova Cultural, 1997). Esta é uma das razões pelas quais devemos ser extremamente prudentes em julgar nossos superiores, ainda mais quando se trata do Chefe visível da Igreja. Eu poderia até criticar o Papa, mas quem garante que, se eu estivesse lá, faria algo melhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por essa razão que, de minha parte, resolvi seguir este preceito: jamais criticar alguém quando eu não tenho absoluta certeza de que faria algo melhor em seu lugar. Trata-se de simples consequência lógica da constatação de Sto. Tomás: "É sinal de presunção, e não de sabedoria cristã, colocar-se acima dos outros para lhes fazer o bem". Não se pode negar que criticar e julgar uma pessoa é colocar-se acima dela. E o cristão preocupa-se antes do mais com a própria vida, com os seus próprios deveres, e não com os alheios. Não é sinal de sabedoria cristã ficar pensando: "Se eu fosse o Papa, se eu fosse o Bush, se eu fosse o Lula, faria isto ou aquilo..." Eu não sou o Papa, eu não sou o Bush, eu não sou o Lula. Eu sou o Rodrigo. E, estando o mundo como está, o que o Rodrigo, estando onde ele está, tem a obrigação de fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas que constróem não são aquelas que estão preocupadas com o que os outros fizeram ou deixaram de fazer. São aquelas que, utilizando todos os meios lícitos que têm à mão, procuram remediar as carências da humanidade de seu tempo, na posição e no lugar em que a Providência as colocou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-110997673817792252?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/110997673817792252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=110997673817792252' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110997673817792252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110997673817792252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/03/pegando-no-p-do-papa.html' title='Pegando no pé do Papa'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-110935640458168038</id><published>2005-02-25T15:29:00.000-03:00</published><updated>2005-02-25T15:33:24.586-03:00</updated><title type='text'>Um motorista nas mãos do Estado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por André de Oliveira&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acabo de chegar do &lt;em&gt;Serviço de Atendimento ao Consumidor&lt;/em&gt;. Fui renovar minha carteira de motorista. Cheguei às cinco e meia da madrugada e saí de lá às onze e meia. Tudo graças ao anúncio da nova lei que obrigará o indivíduo, a partir de meados de março, a assistir a aulas e ser aprovado num teste teórico para conseguir sua nova habilitação, o que impedirá o sujeito de trabalhar por pelo menos uma semana. Para evitar tamanho transtorno, todos querem a renovação já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por essas e outras que eu adoro a burocracia estatal e as inúmeras leis constitucionais, que se contradizem mutuamente, possibilitando um número infinito de interpretações. Uma verdadeira maravilha. Talvez Lula ficasse satisfeito se me visse lá sentado, com meu livrinho do Meira Penna, escondido entre as pernas – já que poderia ser linchado se exibisse o título &lt;em&gt;Opção Preferencial pela Riqueza&lt;/em&gt; em público – e rezando de tempos em tempos para que aceitassem minha carteira de identidade desatualizada. Um quadro realmente patético e melancólico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À minha direita, as seis primeiras pessoas da fila conversavam sobre educação. Eram humildes, a maioria guardava lugar para seus patrões. Queixavam-se da falta de respeito dos filhos para com os pais. Diziam que os deles ainda eram criados à moda antiga, mas que já não aceitavam suas ordens e chegavam inclusive a ameaçar dar queixa na polícia por terem levado uma simples surra de chinelo. Gostei da reposta de um deles: “Se quiser ir, eu mesmo o levo, mas vou lhe batendo até lá para não deixar dúvida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À minha esquerda, pessoas de um nível social mais alto criticavam a lei que estava causando todo aquele tumulto. Mas, como sempre fazem os brasileiros, erraram o alvo: livraram a cara do presidente, acusando algum possível deputado, que provavelmente estaria se enriquecendo com aquela medida. Jamais passou pela cabeça deles que aquilo poderia ter nascido do simples desejo de mandar, de interferir e controlar a vida dos outros, como se faz em todo país de característica paternalista. Um deles começou a se queixar que uma coca-cola custa três reais em Porto-Seguro, um roubo! Imediatamente um outro lembrou que, na mesma cidade, por outro lado, há frutas e sobremesas deliciosas baratíssimas. Comecei a delirar. Imaginei que Meira Penna não estivesse apenas impresso no meu livro, mas vivo e ensinando-lhes que é exatamente por isso que a economia de mercado é tão boa e é tão difícil existir um verdadeiro monopólio quando não há interferência do Estado. Quem não tem dinheiro para comprar refrigerante, pode tomar um delicioso suco de manga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele exato momento, li um trecho em que o autor cita Mises: “Os amigos da paz consideram nossas guerras como conseqüência do imperialismo capitalista. Mas os tenazes promotores de guerra da Alemanha e da Itália denunciaram o capitalismo pelo seu pacifismo burguês. Os pregadores de sermões acusam o capitalismo de desintegrar a família e incentivar a licenciosidade. Mas os progressistas põem sobre o capitalismo a culpa pela preservação de alegadas regras obsoletas de repressão sexual. Quase todas as pessoas concordam que a pobreza é resultante do capitalismo. Mas, por outro lado, muitos deploram o capitalismo por satisfazer prodigamente  os desejos dos homens que querem maiores amenidades e uma vida melhor, acusando-o de um materialismo grosseiro. Essas acusações contraditórias contra o capitalismo se anulam mutuamente.” Lembrei de Chesterton, que, em &lt;em&gt;Ortodoxia&lt;/em&gt;, diz exatamente o mesmo do Cristianismo, e das acusações contraditórias que fizeram contra Jesus Cristo antes de ser levado a Pôncio Pilatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O brasileiro precisa aprender que altruísmo imposto pela polícia não é altruísmo. E as únicas outras duas alternativas são: promover a liberdade individual ou o controle das consciências alheias. A intervenção estatal não compromete apenas o desenvolvimento material, mas também o espiritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença básica entre socialismo e capitalismo não está no fato do primeiro lutar pela justiça e o segundo promover a injustiça – porque ocorre exatamente o oposto -, mas sim no fato do primeiro exigir, para o seu devido funcionamento, que todos os homens sejam perfeitos, tanto quem manda quanto quem obedece, tanto governantes quanto governados, enquanto o segundo considera os defeitos humanos como uma realidade e até se aproveita deles para promover o bem comum, sem, com isso, impedir que surjam virtudes em lugar dos vícios, ou seja, mesmo que todos os homens se tornassem altruístas não haveria nenhum obstáculo para a manutenção da ordem capitalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, antes que eu esqueça: aceitaram minha certeira de identidade desatualizada. Ufa!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-110935640458168038?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/110935640458168038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=110935640458168038' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110935640458168038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110935640458168038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/02/um-motorista-nas-mos-do-estado.html' title='Um motorista nas mãos do Estado'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-110902145075491101</id><published>2005-02-21T18:27:00.000-03:00</published><updated>2005-02-21T18:32:47.010-03:00</updated><title type='text'>Ao vencedor, as batatas (ou: “O Carnaval na Bahia”)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Mauricio Amaral&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;“Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor as montanhas e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, neste caso, é a destruição; a guerra, a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. (...) Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto, naturalmente, é de Machado de Assis, que fala através de Quincas Borba para o atento mas limitado interlocutor Rubião, que chega ao fim da história enlouquecido pelos acontecimentos que se desenrolam. No fim, da boca de um Rubião enfermo, moribundo, o que se ouve é a reprodução insistente daquele postulado metafórico: ao vencedor, as batatas. As batatas são a premiação pela vitória, ou a garantia da sobrevivência mesma, depende do ponto de que se observa. Mas, evidentemente, Rubião desperdiçou a oportunidade de fazer a grande pergunta: e se não há batatas em abundância lá adiante para serem repartidas? Um bom discípulo de Quincas Borba poderia explicar que, neste caso, tanto os despojos dos vencidos, como as próprias batatas, seriam motivos de guerra dentro da tribo vencedora, que, provavelmente, se dividiria para repetir a operação. Tudo de acordo com a idéia humanitas – princípio elaborado e defendido pelo mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que tudo isto tem a ver com o carnaval da Bahia? Nada, provavelmente. Exceto por alguns lampejos que perpassam a minha cabeça fora de sintonia com a axé music e os seus montes de reis e rainhas. Lampejos que provavelmente não conseguirei explicar, mas que, ainda assim, levaram-me a escrever sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carnaval de Salvador está cada vez pior. Além das “músicas de adestrar macacos”, na feliz expressão de Marcelo Nova, agora temos que agüentar aprendizes de Duda Mendonça espalhando outdoors de uma cretinice ímpar, nomeando os cantores-destaque, as cantoras-revelação, os blocos preferidos, tudo uma semana antes de acontecer a festa. Não fosse um marketing de oitava categoria, poderiam os seus autores passar a fazer previsões econômicas, tendo em vista o percentual de acerto dos prognósticos. O maior investimento, a se medir pela quantidade de cartazes, foi em cima de uma banda de nome “rapazola”, cujo vocalista se chama Tomate (pronto. Aqui talvez já haja o ponto de aproximação com minhas alucinações. Batata, tomate...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se os argentinos se orgulham de ser o povo mais antipático do mundo, mas o fato é que os baianos enchem o peito para dizer que Salvador faz o “melhor carnaval de rua do mundo”. E adoram contrapô-lo ao do Rio, “elitista” e “para inglês ver”. Os cariocas, por sua vez, ignoram a disputa e investem no glamour do sambódromo. Minha avó diria, com sabedoria, “dou um pelo outro e não quero troco”. Boa briga. Ao vencedor, as batatas. Ou o Tomate. Tanto faz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-110902145075491101?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/110902145075491101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=110902145075491101' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110902145075491101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110902145075491101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/02/ao-vencedor-as-batatas-ou-o-carnaval.html' title='Ao vencedor, as batatas (ou: “O Carnaval na Bahia”)'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-110865897336182123</id><published>2005-02-17T14:45:00.000-02:00</published><updated>2005-02-17T14:52:20.303-02:00</updated><title type='text'>Júlia e Teresinha</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Conto Fantástico&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Flamarion Daia Júnior&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Júlia morava em uma cidade pequena, numa casa isolada, rodeada por altas árvores, que sendo muitas e maiores que a casa muitas vezes confundiam a visão dos pedestres, fazendo com que a casa passasse desapercebida, mesmo de dia. De noite, ninguém poderia perceber a diferença entre a casa de Dona Júlia e uma floresta densa, e se alguém soubesse disso sentiria apenas por tal fato um pouco de medo, seja pela dificuldade em perceber uma casa, seja porque tal casa, em si mesma sombria e assustadora, ficava ainda mais sombria e assustadora de noite. É sabido que a noite, com sua escuridão, tem o poder de aumentar a suscetibilidade do homem ao medo, por um lado, e de tornar mais assustador o que em si já é sinistro, do outro, de sorte que poucas pessoas no mundo teriam coragem de passar a noite na casa de Dona Júlia, embora ela mesma pouco tivesse de sombria e assustadora, em sua aparência. Ela era uma mulher de pouco mais de 40 anos, muito magra, muito branca, e com olhos azuis que davam muito mais a impressão de serenidade que de beleza, embora não deixassem de serem belos. Sendo solteira, deveria morar com a família, mas ela vivia só. Diziam que seu dinheiro vinha de duas fontes: seus contos, que publicava em jornais da cidade grande, e uma herança, que aplicada a juros lhe fornecia uma renda mensal. Nada que desse para viver com muito luxo, mas ela parecia muito satisfeita em ser independente e solitária.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Teresinha era quase o contrário de Dona Júlia. Tinha menos de 15 anos e vivia com a família. Era uma mocinha até bonita, mas suas formas ainda eram infantis demais para ser atraente. Sua família era pobre, por isso ela teve que interromper seus estudos para trabalhar na casa dos outros, e Dona Júlia era sua primeira patroa. Enquanto dona Júlia era uma mulher serena e fria, Teresinha era uma adolescente nervosa e agitada. Trabalhar naquela casa a fez ainda mais nervosa. As pessoas que a conheciam notavam que Teresinha passara a ter tremores nas mãos e a olhar em volta, meio assustada, sem nenhum motivo aparente. Teresinha teria gostado de deixar Dona Júlia e trabalhar em outro lugar, não por Dona Júlia em si, que nunca a maltratava, e sim pela casa, que lhe metia medo, mas não havia muitas alternativas para uma criadinha sem experiência nem recomendações. Além do mais, para seus pais era melhor ela trabalhar na casa de Dona Júlia, que vivia só, morava ali perto e não recebia v isitas, do que em outro lugar, onde sua filha poderia ficar indefesa diante de algum cínico mulherengo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na casa de Dona Júlia, longe das vistas de seus próximos, o comportamento de Teresinha era ainda mais esquisito. Muitas vezes, ao limpar alguma coisa em algum quarto sombrio, empoeirado e cheio de velhas bugigangas daquela casa silenciosa, Teresinha sentia medo. Sem motivo aparente, começava a tremer e a suar frio, tornando-se por algum tempo ainda mais pálida que Dona Júlia. Imaginava por algum motivo algum monstro, diabo ou fantasma houvesse a espreita, em algum canto, um ser cuja aparência medonha por si só fosse bastante para atormentá-la pela eternidade, sem mais necessidade de qualquer outra sevícia adicional. Era o Medo, e medo em estado bruto, que a nervosa Teresinha não entendia de onde vinha, nem porque. Quando isso acontecia a pobre parava tudo o que estava fazendo e se recolhia, paralisada, em algum canto. Isso durava poucos minutos até que a chegada providencial de Dona Júlia, que parecia adivinhar a ocorrência desses acessos repentinos de medo, a tirava de tal t ranse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dona Júlia aparecia calma e serena. Sua presença tranqüilizava Teresinha, e seu toque lhe devolvia a consciência. Dona Júlia alisava a cabeça de Teresinha, com calma, depois limpava suas lágrimas (porque Teresinha chegava a chorar de medo) com um lenço. Depois, lhe dava um rápido beijo na testa. Nunca deixava de olhar com ternura para Teresinha nessas ocasiões. Seu olhar parecia dizer a Teresinha "Eu sei, eu também já passei por isso". Logo Teresinha estava na cozinha, bebendo um suave chá, de gosto estranho mas mesmo assim agradável, tranqüilizada e também envergonhada de ter tido tanto medo sem motivo aparente, como uma menina de colo... Pouco depois Teresinha ficava boa o bastante para trabalhar, e procurava fazer seu serviço doméstico o melhor possível, um pouco por gratidão, um pouco para esquecer, concentrada em seu trabalho, suas angustias inexplicáveis. Era muito grata a Dona Júlia, e sentia que gostava muito dela, embora quase nunca conversassem, já que Dona Júlia er a uma mulher silenciosa e Teresinha não ousava aborrecê-la com suas bobagens de adolescente caipira. Logo seria hora de voltar para a casa de seus pais, e para Teresinha esse era um momento de profundo alívio - Ainda bem que não tinha que passar a noite lá!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dona Júlia escrevia prosa de ficção cujo tema era, principalmente, os terrores que atormentavam o homem. Histórias de fantasmas e monstros terríveis, de loucos criminosos obcecados em matar dolorosamente e grotescamente suas vítimas. De diabos que subiam do inferno a fim de espalhar a confusão e a angustia na terra dos vivos. De paixões profundas mas também funestas, que arrastavam homens e mulheres para o pecado, do pecado para o crime e do crime para o inevitável castigo e para a destruição. Historias que também falavam da beleza triste e serena de seres mortos, pessoas muito queridas cuja ausência irremediável provocavam dores incuráveis, por serem exclusivamente espirituais. História que refletiam sobre o triste fatalismo da morte, que nunca poderia ser agradável, apenas serena, na melhor das hipóteses, e do cruel destino de pobres desgraçados que nem mesmo no ato de morrer e nem mesmo depois encontravam paz para suas almas. É importante que se diga que na ficção de Dona Júlia os terrores nasciam de dentro do homem atormentado, mesmo quando assumiam uma forma exterior. As criaturas das trevas não fariam mal nenhum ao protagonista se este não tivesse, em sua psique, o que as atraiam, e seus personagens nunca deixavam de colaborar, de um jeito ou outro, com seu próprio sofrimento e no final com sua própria morte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dona Júlia não se via como uma simples escritora de contos fantásticos. Ela se considerava uma investigadora das trevas que rodeavam o homem e que poderiam, como muitas vezes realmente acontecia, embora as pessoas não o percebessem a não ser em raros casos e intuitivamente, envolver e finalmente destruir o homem se ele fosse leviano e perverso. Seus contos, portanto, não eram realmente ficção, pelo menos não totalmente, mas também registros e hipóteses profundamente meditadas sobre a vida do homem na terra, uma vida de riscos terríveis e ocultos, pela própria semente do mal, que estava dentro do homem e, da alma humana, atraia o mal. Os homens erravam em parte, portanto, ao atribuir aos seres monstruosos a culpa por sua monstruosidade, embora tais seres efetivamente existissem, porque a culpa primária estava dentro do próprio homem. Era o que dizia Deus, desde o principio: Que a terra é maldita e maldita por culpa do homem (Gênesis 3:17).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dona Júlia descobrira sua vocação na adolescência, com a idade de Teresinha, mas durante muito tempo não teve coragem de escrever. Mas sempre fora atormentada por monstros, por visões pavorosas, por terríveis intuições, que a impediram de levar uma vida normal, e se tornou escritora de contos fantásticos por nunca ter sido capaz de pensar a sério em outro assunto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela sabia que não haveria alternativa também para Teresinha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A atmosfera assustadora da casa certamente impressionaria a qualquer pessoa, mesmo que não houvesse realmente seres monstruosos e imateriais rodeando Dona Júlia. Fantasmas vinham contar-lhe seus crimes e descreviam, entre lamentos, sua punição; demônios a ameaçavam e criaturas vampíricas procuravam, através do ar, sugar-lhe sua vontade, sua inteligência, seus sentimentos... Às vezes Dona Júlia os via. Sempre sentia sua presença quando eles estavam perto, o que era quase sempre. Ela era uma mulher instruída em assuntos ocultos e muita firmeza de vontade, de sorte que as criaturas do mal, os fantasmas, demônios, vampiros e outros monstros, pouco ou nada podiam contra ela. Mas com Teresinha, moça muito jovem e ainda ignorante de quase todos os assuntos da vida, e que tinha inata sensibilidade tanto para as criaturas imateriais, sensibilidade esta que aumentava em lugares sombrios e distantes das pessoas, era diferente, e não era outra a origem de seus surtos irracionais de medo, irracionais certamente, mas não infundados, como a mocinha ingênua imaginava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, ao terminar algum conto ou estudando algum de seus livros, Dona Júlia pensava no futuro de Teresinha. Depois de adquirir alguma prática na casa de Dona Júlia, ela receberia uma proposta de trabalho em outro lugar, e aceitaria, crendo com isso resolver suas angustias. Inutilmente se afastaria da casa de Dona Júlia, pois o fato é que tendo convivido e percebido as criaturas do mal os dons ainda não plenamente desenvolvidos mas mesmo assim profundos de Teresinha a levariam a ter repetidos surtos de medo, ansiedade e depressão, uma vez que a breve experiência na casa de Dona Júlia bastara para sua sensibilidade se exacerbar por toda a vida. Dona Júlia não regatearia referências nem seria sovina ao acertar as contas com Teresinha, uma vez que sabia que ela voltaria a procurá-la, única pessoa capaz de entendê-la e aliviá-la. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois, os pais de Teresinha morreriam, e ela passaria a viver definitivamente com Dona Júlia, que seria como uma mãe para ela, cuidando inclusive da s lacunas em sua instrução. Depois, a própria Dona Júlia morreria, e Teresinha continuaria sua obra, escrevendo contos fantásticos, estudando ciências desconhecidas para a maioria da humanidade, assinando livros com seu nome completo, Teresa Mendes, e vivendo uma vida solitária até ter a sorte (porque isso estava longe de ser uma garantia) de encontrar uma pessoa com a mesma capacidade de intuir a presença do mal e escrever sobre ele, fazendo da descrição e da análise uma maneira de controlá-lo, semelhante ao domador de feras selvagens cujo medo dos animais diminui com a familiaridade e com o controle.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-110865897336182123?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/110865897336182123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=110865897336182123' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110865897336182123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110865897336182123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/02/jlia-e-teresinha.html' title='Júlia e Teresinha'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-110834138202808337</id><published>2005-02-13T22:33:00.000-02:00</published><updated>2005-02-13T22:37:58.146-02:00</updated><title type='text'>Afastamentos e Aproximações</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;b&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Fabio Ulanin&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntaram-me, outro dia, se esta minha reconversão ao catolicismo, depois de vinte e tantos anos, era diretamente proporcional ao meu distanciamento da esquerda política. Não soube o que responder de imediato, pois qualquer tentativa de elucidar ao inquiridor as minhas posições teria como resposta duas obviedades: uma, no caso de afirmar o distanciamento político como resultante da aproximação religiosa, seria voltada à inverdade histórica vendida em todas as escolas pelos professores ateus e agnósticos para os quais crer em Deus e em Jesus Cristo significa uma completa impossibilidade de distanciamento crítico frente à realidade; em outras palavras, eu escutaria um “mas é claro, já que a Igreja é reacionária em suas posições”. No segundo caso – meu afastamento da esquerda nada teve a ver com a aproximação da Igreja – a resposta seria facilmente moldada em outro sentido: abraçaria uma fé falsa, na medida em que a própria Igreja reconhecia as propostas da esquerda como úteis e necessárias para a sociedade. Não soube o que responder, pois, menos por não saber que decisões eu tomei do que da forma como eu poderia responder tal questão, sem cair nas armadilhas embutidas na pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda existe ranço nas pessoas, quando se trata de religião. Aliás, corrijo-me: existe um certo tipo de comportamento rançoso quando se trata da Igreja Católica. Quando o assunto é a doutrina protestante – inclusive os delírios neo-pentecostais – a coisa muda de figura. Não sou eu quem o digo: estou devidamente abalizado por uma série de predecessores (e esta é uma palavra imprópria, na medida em que não pretendo continuá-los) de peso e de caráter intelectual muito superior ao meu: Otto Maria Carpeaux, em um ensaio a respeito de Max Weber, é muito claro ao perceber as relações íntimas entre o marxismo e as ideologias burguesas protestantes; Gustavo Corção disse o mesmo em um bom número de artigos; Maritain, no seu Humanismo Integral cria relações íntimas entre esta forma religiosa e o espírito revolucionário. Creio que li, em algum lugar, algo de Alceu Amoroso Lima a este respeito, mas não dou certeza. O que me parece claro é que é muito mais fácil para uma pessoa de esquerda apoiar e defender o protestantismo e suas diversas formas do que olhar, simplesmente e com o coração aberto, para o catolicismo e sua proposta libertadora. Posso escutar, ali no fundo da platéia, umas vozes que se erguem, dizendo que os autores que citei são, todos, reacionários – portanto de direita. É o modo fácil da rotulação – e, pior: é uma mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corção era, sim, posicionado à direita e, inclusive, apoiou o golpe de 1964. O mesmo, no entanto, não se pode dizer dos outros três: Maritain fez parte da Ação Católica que, cá entre nós, de direita tinha muito pouco (e de marxista menos ainda); Carpeaux é, ainda hoje, o queridinho das academias graças não só ao brilhantismo dos seus ensaios e das sínteses históricas sobre literatura que escreveu, mas principalmente por se colocar um tanto mais à esquerda que muitos contemporâneos; e Amoroso Lima era um homem que se dizia um liberal-adjetivo e não um liberal-substantivo – na media em que ser “substantivamente liberal é não fazer distinção entre a verdade e o erro, entre religião verdadeira e falsa, entre sistemas filosóficos. É nivelar todos os valores, fora o da liberdade” (Revolução, reação ou Reforma? Petrópolis: Vozes, 1999).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha resposta poderia, talvez, ser simples: deixei de ser esquerda muito antes de voltar a ser católico. Meu afastamento da ortodoxia marxista se deu aos poucos e lentamente. Para tal precisei não de leituras austeras, não de uma análise filosófica profunda: precisei, apenas, parar e olhar com atenção aquilo que me cercava. Qualquer um que pare e olhe atentamente o cerne das propostas da esquerda imediatamente deixa de acreditar na sua viabilidade e na sua capacidade de igualar os homens em seus direitos. Qualquer um que tente – apenas tente – se afastar dos dogmas do PT, por exemplo, e reflita com um mínimo de desprendimento em sua viabilidade, terá a resposta atirada à cara, sem dó nem piedade: tudo isso que você acreditou é falso. Comparo o meu afastamento da esquerda e de suas propostas a um parto – um parto de dez anos, lento e muitas vezes doloroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tampouco precisei, para voltar ao catolicismo, de grandes investigações filosóficas ou teológicas. Precisei simplesmente, depois de perceber a mentira na qual estive mergulhado por tanto tempo, ler uma ou duas páginas de Santo Agostinho ou Santo Tomás de Aquino. Não há no mundo uma pessoa inteligente que os leia e não sinta o impulso imediato da conversão: são palavras altas demais; são gritos da verdade; são ensurdecedoras as suas vozes – e imenso o amor que delas desprende, atingindo-nos em nossa velha ferida, jamais cicatrizada: teu coração (dizem as palavras dos Santos Doutores) é humano e vazio e, por causa disso, busca um fim último – o único fim possível e plausível; nada no mundo poderá preenchê-lo: apenas a Verdade. E reconhecê-la dependerá só de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou, pois, nem esquerda nem direita, muito pelo contrário. Há grupos, na Igreja, que se posicionam politicamente – e posso não concordar com eles, seja a pastoral que defende os sem-terra seja a TFP. Aliás, discordo das duas. Discordo de ambas, mas creio em uma única Verdade: acima da política e suas disputas comezinhas, pretendo apenas encontrar Aquele que nos salvará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-110834138202808337?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/110834138202808337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=110834138202808337' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110834138202808337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110834138202808337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/02/afastamentos-e-aproximaes.html' title='Afastamentos e Aproximações'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-110796611217032050</id><published>2005-02-09T14:20:00.000-02:00</published><updated>2005-02-09T14:25:03.056-02:00</updated><title type='text'>Elogio da repressão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Rodrigo R. Pedroso&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos lugares-comuns da cultura de nossa época é o sentido extremamente negativo emprestado à palavra “repressão” e a tudo o que pode ela significar. A repressão é tida como o resumo e a fonte dos males que afligem o homem, uma obscenidade a que não se deve fazer referência sem o devido anátema. Basta que uma instituição seja apontada como “repressora”, para estar inquinada de vício insanável. Em meus tempos de criança, lembro-me de que fazia muito sucesso um conjunto de portorriquenhos, que se requebrava cantando: “No se reprima! No se reprima!” Dentro dessa perspectiva, urge eliminar qualquer forma de repressão, e subverter as instituições e os valores herdados das gerações passadas, para instaurar uma sociedade absolutamente não repressiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que semelhante preconceito reflete uma incompreensão radical do significado da cultura. Efetivamente, toda a cultura é edificada sobre a repressão. Sem esta, não há civilização, não há linguagem, não há vida social, não há educação. Pretender eliminar a repressão em todas as suas formas, é buscar a desintegração da vida em sociedade, e rebaixar o estatuto humano à condição dos irracionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais que todas as outras, é condenada a repressão sexual. Todavia, imaginem vocês as consequências reais de uma sexualidade absolutamente liberada, sem qualquer espécie de repressão. Em primeiro lugar, não haveria mais família, que é a base da vida social. Que freio encontrariam os egoísmos humanos? Eis o homem embrutecido, escravizado pelos próprios instintos. E nas últimas décadas temos assistido as pavorosas consequências de uma sexualidade que não é reprimida pela razão: os casamentos fracassados, as crianças que crescem sem pai, as adolescentes gestantes, a violência e a insatisfação generalizada. E há ainda os hipócritas que asseveram que o que faz infelicidade é a repressão sexual...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A premissa implícita na radical condenação da repressão é a de que nada há no homem que deva ser reprimido. Ocorre que este pressuposto é falso: tanto no interior do indivíduo, como na sociedade, estão presentes tendências dissolventes e desintegradoras, que precisam ser reprimidas. Liberar essas tendências desordenadas, é abrir as portas para o fracasso, tanto na vida individual, como na social. Um homem concentrado, por exemplo, é um homem reprimido; para manter a atenção em algo, é necessário reprimir as tendências interiores que conduzem à dispersão. De modo que toda a arte, ou pelo menos a arte de boa qualidade, é produto da repressão: ninguém sequer aprende a tocar piano ou violão se não for capaz de reprimir-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A repressão é própria do homem, em relação aos outros animais, porque apenas o homem, animal dotado de razão e de vontade livre, é capaz de reprimir seus próprios desejos e instintos em função de um ideal maior. Não é belo alguém ser senhor de si próprio? Ora, o autodomínio é impossível sem repressão. Por isso, todo o palavrório que se difunde contra a repressão visa, intencionalmente ou não, à desumanização do homem, e à sua escravização pelas paixões mais baixas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A absoluta ausência de repressão é o império da violência, do medo e da injustiça. Não é a repressão que produz a violência, é a ausência dela. Não reprimir a bandidagem, é penalizar injustificadamente os cidadãos honestos e trabalhadores. Não reprimir a baderna e a desordem, é prejudicar o progresso da sociedade. Não reprimir a violência e a injustiça, equivale a premiá-las, ao mesmo tempo em que se pune a virtude. Em um ambiente assim, eu digo, corrigindo Ruy Barbosa, que não dá vergonha de ser honesto, dá medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paz, assim, é um fruto excelente da repressão. A paz foi definida por Santo Agostinho como sendo “a tranquilidade na ordem” – ora, que ordem manter-se-á tranquila, sem a repressão das forças centrífugas da desordem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia, portanto, de que a repressão é sempre uma coisa má e detestável, não pode ser sinal de juventude, nem tampouco de vitalidade. É antes, o traço característico de uma sociedade que caminha para o fim, de uma civilização senil e caquética, incapaz de identificar as forças que a desagregam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-110796611217032050?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/110796611217032050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=110796611217032050' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110796611217032050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110796611217032050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/02/elogio-da-represso.html' title='Elogio da repressão'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-110744468809991268</id><published>2005-02-03T13:27:00.000-02:00</published><updated>2005-02-03T13:33:41.510-02:00</updated><title type='text'>Meditação sobre Geórgias de Platão III</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Tiago Mattoso Sacilotto&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A virtude não tem padrão: conforme cada um a honre ou a despreze, dela terá mais ou menos”. Platão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A ânsia de poder é uma tendência enraizada fundo demais na natureza humana para que possamos arrancar com facilidade”. Werner Jaeger. Paidéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A indiferença moral da juventude ao encarar o problema do poder é a cerne do diálogo entre Pólo e Sócrates. O jovem sente-se incomodado com o fecho da conversa com Górgias, professor niilista da antiga sofistica, na qual Sócrates demonstrou-lhe a incoerência ao definir o objeto da sua profissão. A opinião a cerca do limite da retórica não lhe parece clara o suficiente para que admita a verdade do argumento socrático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Eric Voegelin, Pólo não percebe a diferença entre honestidade existencial e discussão intelectual e não compreende que é a causa do constrangimento do seu mestre. Pólo quer brincar pelas definições e considera-se confortável para ser igual ao mestre. Na medida em que Sócrates entende a desonestidade de Pólo no trato do dialogo – o jovem incita contestações com o fim de se vencer o debate sem ter razão - começa a perguntá-lo se a geração jovem tem algo a corrigir dos mais velhos, pede que não se prolongue demasiadamente uma definição de modo que a conversa não termine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um adendo evidente. As experiências humanas no passado correspondem às presentes, no processo pelo qual as situações aproximam ao sentido comum ao invés de se distanciarem com o tempo. O fato é que a situação de desonestidade moral ao proceder uma discussão é constante no tempo, existiu nos tempos gregos, existe atualmente no Brasil. Nos discursos ou debates, os indivíduos desejam vencer uma contenda pelo grito nas formas variadas de ofensa pessoal ou contestação sem medida. Se não houver uma compreensão do lado desonesto, a possibilidade do diálogo não existe, a melhor maneira parece a se afastar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pólo parece entender a necessidade do diálogo aceitando a condição socrática. Muda-se a forma do discurso, sendo o questionador Pólo. Já de vista pergunta a que arte seria a retórica, Sócrates de imediato nega a arte designando o termo rotina; retórico é o indivíduo que manipula as palavras a fim de provocar “prazer e satisfação”. Ainda representa um “simulacro da política” , a bajulação política a que Sócrates se refere visa ao prazer como isca a ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como bajulação desnecessária, ainda no esforço de encontrar esse adendo no tempo mais chamado como liame existencial, temos presente essa mania brasileira em querer agradar; seja em qualquer ponto antropológico, ou de realidade incerta, a mania nacional da lisonja ultrapassou o limite entre a verdade e o erro. Manifestações de um vazio intelectual e moral são tratadas com a concessão; tolera-se ao erro alheio no misto de oportunismo e futilidade manifesta. O brasileiro não sabe mais a quem se agradar, termina por agradar todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sina continua quando Sócrates define ainda mais a retórica. Descreve que a rotina refere-se ao descuido com os meios e os fins, já que toda arte tende a um fim. È o momento em que Sócrates compara dialeticamente as atividades humanas com a retórica; postula que a justiça contrapõe o exercício de Górgias. Polo parece não acreditar, fingindo-se cético quanto à verdade socrática. Sócrates sutilmente pergunta-lhe se já não está se esquecendo nessa idade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O tema de justiça inadequada ao exercício retórico enseja a dúvida em Polo: se o fim da retórica não é a justiça, como ela é digna de tanto apreço e admiração para quem lhe detém o poder? O diálogo com o jovem enfrenta a situação mais chocante, Polo ambiciosa abertamente a tirania; elogia àqueles que dispõem de poder para conquistar multidões, confiscar bens alheios e expulsar da cidade. As implicações com o tema do poder e a inveja de Polo aos tiranos é assunto para o próximo texto do Oito Colunas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os que quiserem ler os dois primeiros artigos desta série, enviem um e-mail para &lt;/em&gt;&lt;a href="mailto:aco@atarde.com.br"&gt;&lt;em&gt;aco@atarde.com.br&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; ou tentem acessar o antigo &lt;/em&gt;&lt;a href="http://oitocolunas.blogs.sapo.pt"&gt;&lt;em&gt;blog&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; .&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-110744468809991268?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/110744468809991268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=110744468809991268' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110744468809991268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110744468809991268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/02/meditao-sobre-gergias-de-plato-iii.html' title='Meditação sobre Geórgias de Platão III'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-110721033698078336</id><published>2005-01-31T20:15:00.000-02:00</published><updated>2005-02-01T19:15:52.400-02:00</updated><title type='text'>A Irrealidade Científica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por André de Oliveira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segundo Santo Tomás de Aquino, Deus é o primeiro na ontologia mas é o último na psicologia. Portanto, o reconhecimento de Deus pelo homem depende da forma como ele vê a si próprio e o mundo que o cerca. Quanto maior sua capacidade de perceber a intensidade do real, mais próximo fica da percepção de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais afastado do homem, menos real parece o mundo. Quem acha que os fatos que ocorrem à sua volta nada têm a ver com ele, está afastando a realidade de si mesmo e tornando menos intensa a sua percepção, e menos intensa também a percepção se si próprio. Só se pode ter uma atitude assim depois que a realidade já se tornou tão intensa que a pessoa já atingiu um outro estágio, no qual sua relação com ela se dá num outro nível, e nele a presença de Deus é bem mais perceptível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cientistas modernos, por exemplo, partem do princípio de que é preciso isolar a realidade para poder entendê-la. Esta é, como se vê, a melhor maneira de empalidecê-la. Não se pode dizer que com isso não se torne mais compreensível, mas é a compreensão apenas da sombra da realidade. No entanto, é impossível fazer isso por muito tempo. A própria realidade acaba chamando você de volta, e é preciso muita insistência para não perceber isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Física Quântica, por exemplo, demonstra bem esse fato. Após chegarem ao limite, descobriram que o experimentador faz parte da experiência, ou seja, que é impossível isolar o experimento, pois o observador interfere ativamente nele. Nesse ponto, a intensidade da realidade voltou a ser percebida em todo seu grau, e é justamente aí que ela se mistura com a vida do pesquisador. É por isso que muitos dos cientistas que se aprofundaram na Física Quântica passaram a perceber uma outra realidade, que não conseguiam ver antes. Muitos, sem o substrato para compreender o que era aquilo, e sem a humildade suficiente para mudar o rumo de suas vidas, mergulharam num misticismo paranóico. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A realidade para um cientista moderno é apenas um dado de estudo, sem nenhuma relação com o seu eu. E ele é apenas a sombra de um homem, e essa sombra não tem a mínima condição de perceber a presença de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-110721033698078336?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/110721033698078336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=110721033698078336' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110721033698078336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110721033698078336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/01/irrealidade-cientfica.html' title='A Irrealidade Científica'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-110720839236618344</id><published>2005-01-31T19:47:00.000-02:00</published><updated>2005-02-01T19:18:05.026-02:00</updated><title type='text'>Elogio ao riso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Adalberto de Queiroz&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;*Para o amigo Fábio Ulanin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensava que talvez a proximidade do Carnaval fosse a causa da aridez de temas novos, até que folheando um velho livro do inglês Gilbert Keith Chesterton, uma frase sublinhada na página se ofereceu como a fruta madura da mangueira vizinha: “a seriedade emana dos homens naturalmente, enquanto o riso é como um salto.”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dia desses, numa manhã em que encontrei a adequada mistura de sonatas e cafeína, anotara um novo aforismo: “rir demais de tudo é como afogar-se em açúcar de confeiteiro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O riso pode advir do dia-a-dia, sim, sem que nenhum autor o provoque, mas o comum é que seja fruto da provocação simples ou profissional de um agente: o humorista. Usando o senso lúdico, este alcança o que o normal dos homens não encontrou como equilíbrio do riso – o salto, a pirueta, por vezes atingindo a graça de um riso rarissímo – uma espécie de “duplo twist carpado” do humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noutra medida, pode-se pensar como Gustavo Corção para quem o humorismo seria “uma espécie de poesia dos canhotos”. Aceita a classificação dos humoristas em poetas do riso restringe-se o grupo destes a um conjunto bem pequeno, enquanto em quantidade pululam, mesmo, o dos humoristas profissionais que mais pendem para aquele riso que sufoca como o dito açúcar de confeiteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O restrito conjunto dos que fazem humor mais próximo da poesia incluíria Chesterton, Machado, Dickens, Millôr, entre outros que o leitor achará em sua memória afetiva do melhor riso. Mas há os que, ao contrário desses, praticam aquele outro tipo de humor que, conforme Gabriele Bretzke, “incita ao deboche ou à zombaria sarcástica”, associados, por exemplo, a temas políticos e meramente eróticos. O que concorda com uma observação de Gustavo Corção:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Entendendo por humorismo, quanto à forma, o que fizeram Chesterton, Machado e Dickens, reconheceremos que o engraçado, o cômico, a palhaçada, a anedota, pelo que têm de excessivo, desatado e enfático, parecem-se mais com os discursos políticos do que com a obra daqueles três autores.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A professora Gabriele que, recentemente comentando o best-seller de C.S.Lewis, “Screwtape Letters” (1) - as famosas 31 cartas de um diabo a seu sobrinho - ressaltou que “C.S. Lewis - com insuperável sutileza - mostra o caráter problemático que há no humor que se alimenta de zombaria e escárnio e não da verdadeira e desinteressada alegria”. Há nessa espécie de humor um senso de proporção, uma espécie de equilíbrio poético e de economia narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprende-se com C.S. Lewis, outro inglês bem-humorado, que o lugar do riso não é o mesmo do esgar, do trejeito, da careta medonha que se opõe à alegria desinteressada. Só a geografia do riso é a mesma: a boca do que sorri. Mas a alma do que sorri, separa bem aquela lama do esgar do límpido riso desinteressado e puro. Esses distam entre si com o mesmo e extenso vale que separa a gargalhada macabra do sorriso da criança. O riso da criança, este sim mais próximo do poeta e do humor, é leve como uma gag de Monsieur Hulot, na criação fílmica de Jacques Tati.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já que aprendemos com Chesterton e C.S.Lewis que “a seriedade demasiada não é uma virtude”, tentemos o salto, praticando o riso sadio, certo de que este não é o texto mais convincente para convencê-lo ao salto. Confessa o cronista não ter nem de longe o senso de humor de GKC, que concluiu: “é mais fácil escrever um editorial para o Times do que uma boa piada para o Punch”; o que, transposto para nossos dias, seria como comparar um editorial para “O Globo” a uma anedota para o &lt;a href="http://protensao.wunderblogs.com"&gt;Pró Tensão&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-110720839236618344?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/110720839236618344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=110720839236618344' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110720839236618344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110720839236618344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/01/elogio-ao-riso.html' title='Elogio ao riso'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10509539.post-110711687245668554</id><published>2005-01-30T19:26:00.000-02:00</published><updated>2005-02-01T19:19:02.416-02:00</updated><title type='text'>O Novo Oito Colunas</title><content type='html'>Este é o novo Oito Colunas. O próximo post será publicado provavelmente amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10509539-110711687245668554?l=oitocolunas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oitocolunas.blogspot.com/feeds/110711687245668554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10509539&amp;postID=110711687245668554' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110711687245668554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10509539/posts/default/110711687245668554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oitocolunas.blogspot.com/2005/01/o-novo-oito-colunas.html' title='O Novo Oito Colunas'/><author><name>meikefer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
